II
TRIUMPH OF METAL FESTIVAL - 2003 Por Ewerton Laraia Bandas:
Depois do surpreendente sucesso do I Triumph of Metal Festival em abril de 2000, que contou com as bandas TUATHA DE DANNAN, CORPSE GRINDER, MR. HARPAZO (atual ZARG), SEVENTH STEEL, PUNISHMENT e MENORAH, eis que a segunda edição veio ainda melhor e contanto com mais bandas de nome forte no underground. No II Triumph of Metal Festival o “cast” foi o seguinte: TUATHA DE DANNAN, HOLY SAGGA, CORPSE GRINDER, PUNISHMENT, COLONY, NOTURNA, HELL TRUCKER, SAGITTA, SHADOWS TIME, KRUSHER e LOTHLÖRYEM, bandas estas que deram ainda mais brilho ao evento e, sem dúvida alguma, colocou Pouso Alegre no circuito de grandes shows no Brasil. Algo que deve ser ressaltado é que o evento é beneficente, ou seja, os organizadores (STONEHENGE Produções) não visam lucro. O negócio aqui é curtir as bandas e suas respectivas músicas e dar ainda mais força ao Metal nacional, que, diga-se de passagem, está cada vez mais forte no meio.
Era meio-dia e a equipe do site Heavy Metal Brasil (que trouxe ao festival as bandas Holy Sagga, Colony e Sagitta), composta por mim, Cássio Pagliarini, Willian de Melo e com a colaboração do fotógrafo André Pompeu, está rumando para o Festival. Câmeras, gravadores, papel e caneta na mão, credenciais – tudo pronto e fomos ao local onde se realizou o evento, qual seja, Ginásio CNEC Pitágoras, onde a consagrada banda Angra já havia feito dois memoráveis shows. Para quem não sabe, Pouso Alegre é uma cidade de aproximadamente 120 mil habitantes, porém, poucas bandas de Heavy Metal de qualidade existem. Estas, na maioria das vezes, já se sentem estrelas sem ter a mínima notoriedade na cena underground, esnobando, inclusive o evento. O que é uma pena, haja vista que é certa sua estagnação no ócio e na frustração futura. Depois não adianta reclamar. A única banda da cidade era a Krusher, que faz um Thrash Metal ao estilo da famosa banda Pantera. Valeu galera! Pois bem, voltando ao Festival, nós da equipe do HMB tivemos de nos separar – uns foram recepcionar as bandas, outros ajudar na organização do evento. Um trabalho muito árduo que mais tarde foi recompensado pelas belíssimas apresentações. Eram 13h30min e enfim a equipe toda se reúne no local do evento. Algumas fotos já ali foram tiradas com o pessoal da organização e com os metaleiros que já se aproximavam dos portões, onde a fila começava a crescer. Era sinal de sucesso do Festival, fato que foi comprovado posteriormente. Algumas bandas começavam a chegar. A primeira foi a Noturna, que toca um Metal Gótico, com fortes influências de Nightwish e Theatre of Tragedy. Posteriormente a galera do Hell Trucker também chegou e logo já foi se ambientando. Na medida em que o tempo passava, outros grupos chegavam, de diversas localidades do país. Nós da equipe do site HMB já fazíamos as respectivas entrevistas e fotos. A galera de preto já começava a se agitar no lado de fora, o pessoal das bandas começava a beber cada vez mais e nós do site também, claro! Um pouco mais tarde os portões foram abertos e a multidão começou a lotar o Ginásio do CNEC Pitágoras. Cabe registrar a presença do web-zine Sky Hell e da Revista Roadie Crew. Valeu pelo prestígio! Alguns problemas com o ajuste do som atrasaram o início do Festival, o qual estava programado para começar às 14h30min, mas somente às 16h a coisa realmente rolou. Uma pena, pois este atraso trouxe sérios problemas depois, o que será comentado mais adiante.
Às 16h estava tudo pronto, o público ansioso, luzes, som... Tudo 100% e a banda KRUSHER sobe ao palco e começa a pancadaria. Com um setlist baseado nas músicas do Pantera e em composições próprias, os únicos representantes de Pouso Alegre fizeram muito bonito. Tocaram com maestria todas as músicas. O vocalista Tucho esteve perfeito. O ponto alto do show foi a música “Walk” da ex-banda de Phill Anselmo. Vale destacar aqui que quando a banda tocou o som estava perfeito, fato que nem sempre esteve a favor de todas as bandas, o que é mais que normal em se tratando de um Ginásio Poliesportivo – a acústica nem sempre ajuda. Depois do Krusher foi a vez da banda de Machado-MG CORPSE GRINDER mostrar toda a sua força e competência sobre o palco. Suas músicas extremas levantaram a galera. Um Death Metal muito bem feito. Guitarras sujas, cozinha entrosada e um vocal mais que furioso. Júnior e companhia fizeram uma apresentação perfeita! Terminado o último show, entra em cena a banda PUNISHMENT (de Paraguaçu-MG). Infelizmente o som nesta hora não era o dos melhores. A banda, que é uma das remanescentes do primeiro Triumph of Metal, executou seu Thrash e que às vezes beira ao Death Metal, onde músicas próprias foram executadas, além dos covers. Não que a banda tenha tocado mal, de forma alguma, mas que tem que melhorar muito para conseguir um lugar ao sol, isso tem. Não obstante tudo isso, valeu a participação do pessoal do Punishment que é comandado pelo vocalista, muito carismático, Camaroon, que conseguiu agitar os presentes. As horas se passam e eis que sobe ao palco a banda LOTHLÖRYEN. Sem dúvida a banda mais carismática do evento. Um ponto negativo no show desta banda de Machado-MG é que o som estava péssimo e só no fim da apresentação é que veio a melhorar. Mas nada disso impediu Leonardo de Oliverira (canta muito!) e sua trupe de animar a galera, principalmente quando foi tocada a música “Eagle Fly Free” (Helloween). O grupo esteve muito bem. Uma performance muito boa, principalmente ao se levar em consideração a qualidade do som. As músicas próprias ficaram muito boas ao vivo. Na minha opinião até melhores que no CD-demo “Thousand Ways to the Same Land”, pois a grupo mostrou muito pegada. Então foi a vez do pessoal da capital mineira começar a quebradeira. A banda HELL TRUCKER foi uma grata surpresa no Festival. Tocando um Death Metal “Old School” com um Thrash oitentista a banda jogou a galera para cima. O que me impressionou muito foi a performance do vocalista Guilherme Fraga. Uma voz gutural que deixou todos boquiabertos ante à tamanha potência. Sem exagero algum: o melhor vocal gutural que ouvi até hoje. Como diz aquele escroto do Faustão: “quem sabe faz ao vivo!” Parabéns ao Hell Trucker, pois fez um show que ficará na memória de todos. Irretocável Nesse instante, o cansaço, ou a chapação, já atingia a todos. Dois membros de nossa equipe sumiram: Willian bebeu além da conta e nem viu a apresentação do Hell Trucker; André, nosso fotógrafo contratado, teve seu paradeiro desconhecido. Enfim, ficamos Cássio e eu entrevistando as bandas entre um show e outro, resolvendo problemas na organização, etc. Estávamos todos muito cansados, mas continuamos nosso trabalho. Nada que uma boa cerveja gelada (de latinha), mesmo que a R$ 2,50, não resolva. Depois de cinco apresentações, começam então os problemas entre as bandas. Shadows Time, Colony e Noturna discutem para ver quem iria tocar. Após alguns percalços sobe ao palco o SHADOWS TIME (Varginha-MG), banda que pratica um Metal Tradicional direto e muito bem executado - a melhor apresentação até o momento. Destaque total para o vocalista Marcos Guimarães. Como canta esse cara! Este show também contou com a apresentação do vocalista Bruno Maia do Tuatha de Dannan. O setilist teve como base as músicas próprias do último trabalho intitulado “Flying Over The World” e alguns covers. Quem não assistiu este show, perdeu uma banda entrosada e que só precisa de uma boa chance para estourar. Sem contar que a galera é gente finíssima! Após esta apresentação, surge uma grande briga entre as bandas Noturna (Belo Horizonte-MG) e Colony. Quem iria tocar? A primeira acabou por brigar com os organizadores do evento, o que implicou que esta só tocaria depois de todos, Sinceramente, deu dó ver os choros da bela vocalista por todo o ocorrido e o abatimento dos outros integrantes da banda. A segunda, liderada pelo tecladista Rodrigo Simão, acabou por então subir ao palco. Chega a vez da banda COLONY (São Paulo-SP), como já dito, é liderada pelo tecladista Rodrigo Simão. Executando um Prog Metal tocado com maestria por todos os integrantes, a banda iniciou sua apresentação com um medley de Dream Theater que findou na música “Perfect Stranger” (Deep Purple). A banda também tocou músicas próprias, mas o destaque da apresentação foi “Child in Tme” do já citado grupo inglês Deep Purple. Sobre o palco a banda é perfeita. Sinceramente indefectível. Fora dele, há um estrelismo muito grande, principalmente com relação ao tecladista, que ama demostrar sua alcunha de “tecladista do Dr. Sin”. Um pouco de humildade para uma banda ter sucesso, ajuda muito – vide Tuatha de Dannan. Já era tarde da noite, já beirávamos o dia seguinte e ainda estávamos todos de pé. Foi então que começou a soar dos PA´s a intro da banda de Metal Melódico paulistana SAGITTA. Foi sem dúvida a melhor apresentação e a mais empolgante. Tocaram todas as músicas de seu CD-demo “Bad Signs” e ainda “Rainbow in the Dark (Rainbow). Porém, o destaque foi a balada “With or Without You” – a galera quebrou tudo nessa hora. Nem tenho mais o que falar desta apresentação. Fiquei rouco de tanto cantar as ótimas músicas. Ah, outra coisa, como canta Ricky Wychovaniec! A banda é a prova viva de que dá para fazer Metal Melódico sem soar clichê! Eram mais de 3h da manhã quando a banda de Metal Melódico HOLY SAGGA (de São Paulo-SP) começa a tocar e de cara mandam a faixa do álbum de estréia – Planetude – chamada “Breaking Frontiers, seguida de Fighting for Survival (música está que contou com a participação, na gravação do CD, do vocalista Andre Matos, do Shaman), Searching for the Sun e Fly Away. Foram tocados covers de Manowar e Iron Maiden, que sempre levantam a galera. Nessa hora, ninguém mais agüentava pular, mas quando tocaram “The Evil that Men Do”, os presentes agitaram muito. Seria uma injustiça não falar do baterista Gabriel Lobitsky e do vocalista Maurício Queiroz. O primeiro parece um polvo, toca muito mesmo e, ao contrário de certas “estrelas”, é muito humilde; o segundo é sem sombra de dúvida um dos melhores vocalistas do Brasil. Alcança todas as notas, não importando a altura, como uma tranqüilidade inglesa. Como dizem os mineiros: “O cara é sem noção!” E para fechar com chave de ouro o festival, a banda com mais nome atualmente no underground começa a tocar. O TUATHA DE DANNAN é um fenômeno, não tem nenhum músico fora do comum, entretanto, tem um diferencial do qual quase todas as bandas se esquecem – originalidade. Bruno Maia é muitíssimo carismático a acessível, assim como todos os integrantes da banda. Mas vamos ao show. A primeira música tocada foi “Dance of the Little Ones” que conseguiu levantar os presentes às, pasmem, 4h30min da madrugada. Incrível! O setlist seguiu com “Brazuzan” e outras músicas dos trabalhamos da banda até então, além dos covers. Não há muito que se falar desta banda a não ser que com certeza vai estourar no mundo inteiro, isso se o fígado de cada integrante permitir, pois a galera enche a cara mesmo, mas também toca muito ao vivo, que é o mais importante. A banda parou de tocar e o dia já estava quase raiando. Tendo em vista o horário, não houve possibilidade de a banda NOTURNA tocar, esperamos que na próxima não haja tanta confusão e que todas as bandas possam tocar tranqüilamente.
Apesar de alguns problemas, o resultado final foi mais que positivo. O público foi bem superior que o primeiro evento, as bandas de renome estiveram presentes. Enfim, toda a equipe do HMB, apesar de esgotada no final do Festival, aprovou a iniciativa da Stonhenge Produções, esperando que a mesma faça a terceira edição do evento. O site HMB, com certeza, estará apoiando em tudo que for possível. Os primeiros raios solares começavam a brilhar e nós, cansados, esgotados, com fome, íamos para casa sabendo que o dever foi cumprido e que triunfamos em nosso trabalho, esperando que eventos como estes impulsionem cada vez mais o melhor Heavy Metal do mundo – o do Brasil! Valeu Galera! VEJA AS FOTOS DO FESTIVAL
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