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| TIAMAT O grupo sueco Tiamat surgiu no início dos anos 90 como outra típica força death metal que, anos mais tarde, perderia as características mais extremas e transformaria-se em um ambicioso ícone renovador para a cena. O principal nome por trás desta banda, que consegue ser amada e odiada intensamente, é Johan Edlund que, em 1987, deixou o posto de vocalista do grupo thrash metal Brainwarp para unir-se ao River's Edge, onde conheceria dois dos seus futuros parceiros: o guitarrista Stefan Lagergren e o baixista Anders Holmberg. Edlund ficou nesta banda por cerca de um ano e foi em busca dos seus objetivos formando o Treblinka (cujo nome foi "adotado" de um campo de concentração nazista da Segunda Guerra Mundial), onde assumiu as guitarras, e trouxe Holmberg, que passou a tocar bateria. Lagergren acabou unindo-se ao Treblinka em 1988, apesar de não ter abandonado o River's Edge, formando o embrião final do que viria a ser o Tiamat. No baixo, Edlund contava com Jorgen Thullberg e, com esta formação, o Treblinka - que fazia um som semelhante ao Celtic Frost e ao Bathory - gravou duas demo tapes ("Crawling In Vomits" e "Sign Of The Pentagram"). Inicialmente, o grupo contava com um cantor que acabou não agradando por causa dos seus limitados dotes vocais. Seu nome nem foi registrado na história oficial da banda e Edlund foi convencido pelos outros parceiros e passou a cantar. Com a segunda demo, o Treblinka já passou a tocar algo mais sombrio, com letras satânicas e um som bem mais pesado, tornando-se um dos primeiros nomes da cena death na Suécia, ao lado do Nihilist, Dismember e Therion. Após alguns poucos shows em clubes da região, o grupo lançou um single em vinil, "Severe Abomination", por um pequeno selo sueco, o Mould In Hell Records. Isso garantiu um contrato melhor com a gravadora britânica C.M.F.T., por quem o Treblinka gravou seu primeiro disco, "Sumerian Cry", em 1990. O ponto negativo para eles foi descobrir que já existia uma banda com o mesmo nome nos Estados Unidos. Assim, às pressas, Edlund precisou alterar o nome da banda. A escolha precisava ter impacto e recaiu sobre Tiamat, nome de uma deusa do caos e de um dragão com cinco cabeças da série "Dungeons & Dragons" dos jogos de RPG. Resolvido o impasse, todos adotaram os tradicionais pseudônimos black/death metal: Edlund passou a assinar como Hellslaughter, Lagergren tornou-se Emetic, Thullberg ganhou o apelido de Juck e Holmberg o de Najse. Durante dois anos, o Tiamat invadiu o mundo underground com vários shows e elogios em inúmeros fanzines e revistas do mundo. Mas o suporte da gravadora não agradava Edlund e a banda trocou de selo, aliando-se à Century Media. Nesta fase ocorreram as primeiras mudanças na formação, com a saída de Holmberg (substituído por Niklas Ekstrand) e a entrada de um tecladista convidado, Jonas Malmsten, e de um guitarrista solo, Thomas Petersson. De casa nova, o Tiamat entrou em estúdio para gravar "The Astral Sleep", em 1991. A produção foi de Waldemar Sorychta e Siggi Bemm trabalhou como engenheiro de som no estúdio Woodhouse. O trabalho mostrou um considerável crescimento musical e lírico, com um death metal agressivo, mas já com passagens atmosféricas (reflexo direto da performance do tecladista), além de linhas de guitarra mais tradicionais. O resultado foi um som inovador para a época, fazendo do Tiamat o semeador das raízes do que em poucos anos seria chamado de doom metal. Nas letras também se notou a preocupação de Edlund em sair da mesmice, trocando os textos pseudo-satânicos por fortes referências à obra de grandes autores como H.P. Lovecraft. Logo no começo de 1992 a banda ganhou outros membros efetivos. Kenneth Roos tornou-se o tecladista full time do Tiamat e Johnny Hagel deixou o Sorcerer para tocar baixo em lugar de Thullberg. Com os novos músicos, Edlund voltou ao mesmo estúdio no meio do ano para gravar "Clouds", que foi inicialmente batizado de "In A Dream". Aclamado internacionalmente, o disco proporcionou muito espaço para o Tiamat na imprensa especializada ao redor do mundo, além de ter alcançado boas vendagens. O resultado da turnê que se seguiu foi o mini-CD "The Sleeping Beauty - Live In Israel", que trouxe cinco faixas gravadas ao vivo em Tel Aviv, em junho de 1993. Mais shows, mais cópias vendidas, mais fãs. No entanto, Edlund estava descontente com a (falta de) progresso musical do seu grupo. Então, Petersson, Ekstrand e Roos foram sumariamente demitidos e o Tiamat prosseguiu apenas com o líder e com Hagel. Algo muito diferente estava realmente se passando pela cabeça de Edlund. O futuro parecia muito incerto quando, em 1994, veio o golpe definitivo contra as amarras do metal extremo. "Wildhoney" chegou ao mercado supreendendo os velhos fãs com uma levada muito mais atmosférica, apesar de ter sido gravado no Woodhouse e com Sorychta na produção. Para muitos, este é até hoje o melhor disco do grupo, que mesclou a calmaria da música atmosférica com o psicodelismo e a loucura do Pink Floyd, mas mantendo as raízes metal. Faixas como "Whatever That Hurts", "Do You Dream Of Me?" ou "A Pocket Size Sun" quebraram todas as barreiras e iniciaram uma nova era. A guitarra solo foi capitaneada por talentoso músico sueco, Magnus Sahlgren, enquanto Lars Skold foi contratado para tocar bateria. Os teclados ficaram à cargo de Sorychta, que acabou acompanhando a banda durante a tour, como convidado. A Century Media gostou do resultado e investiu em uma tour maior, além da produção de vídeos para "Whatever That Hurts" e "Gaia". Com vendas extremamente representativas, "Wildhoney" foi Disco de Ouro na Alemanha. Mal 1995 começou e um novo EP foi lançado. "Gaia" trouxe vários remixes para faixas do disco anterior, além de um cover para a instrumental "When You're In", do Pink Floyd. Após o fim da tour, o grupo resolveu descansar, tiranto férias por quase um ano e meio. Nesse intervalo, o ego de Edlund pareceu atingir seu clímax. Ele montou um estúdio caseiro com muitos computadores, o "Studio Wildhoney", para criar seus próximos discos. Até o final de 1996, praticamente todo o material do disco seguinte estava pronto. Entretanto, uma vez mais aconteceram mudanças na formação do grupo. Edlund decidiu que o Tiamat seria um projeto pessoal com músicos contratados para ajudá-lo apenas. Inconformado com isso, Hagel abandonou o amigo e formou o Sundown, junto com membros do grupo Cemetery. Skold aceitou a alteração e Petersson aceitou o convite para voltar, enquanto Anders Iwers, guitarrista do próprio Cemetery, foi contratado para o lugar de Hagel. De janeiro a março de 1997, no entanto, Edlund e seus contratados voltaram ao Woodhouse (agora com Dirk Draeger como produtor) e gravaram o EP "Cold Seed", um trabalho que deixou bem claro que Edlund direcionou-se de vez para longe das barreiras gótico-metálicas. No mesmo ano o Tiamat lançou seu quinto disco, "A Deeper Kind Of Slumber", que mesclou com maestria os mais variados estilos musicais, com muitas partes fazendo alusão a alucinógenos, fato admitido por Edlund em várias entrevistas. Este CD tornou-se o mais pessoal de Edlund, que repetiu a dose dois anos mais tarde em "Skeleton Skeletron", que trouxe um cover altamente intimista para "Sympathy For The Devil", dos Rolling Stones. Independente de não ser mais um conjunto e sim o projeto de um carismático músico, o Tiamat mantém suas raízes pesadas, apesar de insistir em expor sua arte sempre inovando e desprendendo-se de fórmulas pré-estabelecidas. "Judas Christ" de 2002 contou novamente com o guitarrista Thomas Petersson e foi classificado pela própria banda como o trabalho mais comercial e acessível do Tiamat. As composições, porém, não perderam nada no quesito qualidade e o álbum é muito bem recebido pela crítica e pelos fãs não tão radicais. Mais
Informações Discografia
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