TECLADOS
Uma breve história

Por Ewerton Laraia

Você gosta de bandas que usam orquestrações, ambientações, climas, entre outras coisas em suas composições? Fique certo que na maioria das vezes o resultado de todos esses efeitos tem origem em um instrumento bastante utilizando hoje em dia - estou falando dos teclados.

Ao longo dos anos e sempre acompanhando a evolução tecnológica, os teclados vem tomando forma, qualidade e outros aspectos pertinentes ao ritmo evolutivo em que se encontra. Na Idade Média, por exemplo, o "teclado" da época ocupava uma sala imensa para ser instalado; era normalmente utilizado para fazer corpo às músicas feitas para a Igreja Católico (fãs de Black Metal, matem-se!)

Na ida Idade Média surgiu uma espécie de órgão de sopro, o qual era composto por tubos de diversos tamanhos, teclas e pedais. Seguindo o mesma base principiológica da flauta doce, o teclado funcionava na medida em que o deslocamento de ar acontecia. Um fole era acionado pelos pés do organista, havia, então, acumulação de ar que era liberado pelas teclas, de acordo com os toques sobre os teclados. Estes instrumentos eram chamados de ÓRGÃOS LITÚRGICOS.

Posteriormente, os anos se passando, surgiu um instrumento chamado HARMÔNIO, que consistia também em um órgão, composto de palhetas, foles e, por óbvio, teclado e pedal. Todavia o mesmo não era apercebido de tubos, o que foi uma evolução clara, mas na opinião de quem vos escreve, os efeitos deste tubos davam muito mais climas às músicas. Imaginem as músicas de igreja sem tal apetrecho? Certamente o som tinha menos alma!

Então, eis que surge a era da eletrônica e o que temos hoje - os teclados - começam a tomar forma. Os ÓRGÃOS ELETRÔNICOS, que começaram o alcançar o mercado nos meados de 1950. Era composto por filtros, amplificadores, osciladores e as válvulas. Era a energia elétrica transformada em som. Nesta época tudo se tornava mais compacto e, via de conseqüência, portátil. Graças ao advento do transistor a industria dos instrumentos musicais lucrou horrores e claro, lucra ainda mais hoje em dia, pois quase tudo depende de corrente elétrica.

E como estamos falando de órgãos eletrônicos, não poderíamos esquecer do famoso HAMMOND, que é muito utilizado por bandas de blues, jazz e também de Heavy Metal. Bandas como Stratovarius, Blind Guardian, Virgo, vêm usando muito este instrumento em suas composições. Tobias Sammet, vocalista do Edguy e idealizador do projeto Avantasia, é fã incondicional do Hammond, e tem em sua casa na Alemanha uma relíquia deste órgão.

A partir dos anos 50 e 60 é que a evolução tecnológica abraçou de vez os instrumentos musicais, em especial os teclados que cada vez mais se tornavam indispensáveis para as bandas, não importando o estilo executado pela mesma. Mas o rock era o que mais lançava mão deste artifício.

Sugiram então os SINTETIZADORES, os quais foram criados por Bob Moog. Este instrumento permitiu criar diversos tipos de sons e efeitos, tudo através de impulsos elétricos. Bandas como Rush, Pink Floyd deixavam suas músicas ainda melhores, tudo graças aos sintetizadores. Mas nem tudo foi um mar de rosas, pois bandas dos anos 80 simplesmente 'fuderam' com o uso deste instrumento. Europe´s da vida fizeram dos Sintetizadores a base de suas músicas. Tudo bem, gosto é osto, mas não havia nada mais irritante que a má utilização deste instrumento, principalmente pelas bandas dessa época, que insistiam em arranjos muito toscos.

Depois dos sintetizadores foi a vez dos SAMPLERS que são o ponto G de bandas como Rhapsody, Blind Guardian e também Angra, principalmente neste últimos CD. Samplers tratam-se de teclados que reproduzem determinado instrumento acústico, por intermédio de uma gravação digital. Vejamos: Um nota de um trombone é tocada. Esta é gravada de maneira digital e então passada para o teclado, este assume o som para as teclas. Fácil, não?

Passemos então a dissertar sobre os SEQÜENCIADORES, os quais são partes integrantes de teclados, sintetizadores ou samplers. Trata-se de um gravador digital que pode gravar instrumentos de uma orquestra em canais ou trilhas individuais para que possam ser reproduzidos conjuntamente, tudo via teclado. É a tecnologia ajudando a vida dos músicos. Consegue imaginar um Rhapsody sem os seqüenciadores? É muitíssimo utilizado ao vivo para substituir músicos. Rhapsody e Blind Guardian que o digam! Não podemos deixar de citar os WORKSTATIONS que são sintetizadores ou samplers que possuem seqüenciadores, também é uma boa alternativa para os músicos!

Por fim, não poderia esquecer dos PIANOS DIGITAIS, que nada mais são que teclados, mas que tão-somente reproduzem sons de piano (acústicos). O som é praticamente idêntico, mas ao se ouvir ambos fica clara a qualidade do piano acústico, que tem muito mais alma, como acontece na diferença acima citada entre o órgão com tubo ou o sem tubo.

Enfim, os teclados são peças indispensáveis para a música de uma maneira geral e também para o Heavy Metal, onde quase todos as bandas, à exceção das que executam um som mais extremo (apesar de as de Black Metal utilizarem muito), utilizam e muito, tanto para a gravação de seus trabalhos quando para performances ao vivo.

Algumas bandas não vivem sem os teclados (seqüenciadores, samplers, etc), pois estes são muito usados para fazer base às músicas, principalmente para pôr clima, em contrapartida, há, outras que abominam, como a brasileira Drowned, que simplesmente destacam nos encartes de seus álbuns uma frase mais ou menos assim: "No fucking keyboards were used!" Amando ou odiando eles estão sempre presentes. Se acabassem, muitas bandas de Metal Melódico deixariam de existir e então eu teria de chorar no enterro de coisas horríveis como Rhpasody e Blind Guardian, que para mim não fazem falta alguma, pois utilizam muito mal um instrumento que pode ser melhor aproveitado - os nossos amigos TECLADOS!

Até a próxima galera! And keep on rocking!