SHAAMAN - Entrevista Na cobertura do Festival Monsters of Poços, que ocorreu no dia 13 de dezembro de 2003, tivemos a oportunidade e a honra de entrevistar o baixista Luis Mariutti e o vocalista Andre Matos, do Shaman, onde os mesmo foram muito atenciosos, respondendo a todas as perguntas. Nesta entrevista eles nos disseram coisas interessantes sobre a Ritual World Tour, DVD, projetos e outros assuntos não menos importantes.
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Cássio Pagliarini e Ewerton Laraia HMB – Qual a avaliação que o Shaman faz após mais de um ano e meio da Ritual World Tour? Luis Mariutti - A melhor possível, a gente fez shows no Brasil inteiro, desde Manaus até Porto Alegre, sempre tudo lotado, a gente fez turnê na Europa. Para o primeiro disco foi isso mesmo que a gente imagina. Foi até melhor que a gente esperava em termos de público. A gente está lançando um DVD logo na primeira tour, então, isso é resultado de uma turnê muito boa. Andre Matos – Olha, a gente está muito contente, porque com praticamente um ano e meio de turnê a gente já passou dos 100 shows no Brasil e no mundo e isso para uma banda de metal é uma coisa rara, não é? E o mais legal é que metade desses shows foi no Brasil. Foi um sucesso surpreendente. De norte ao sul, De Porto Alegre a Manaus, vários lugares. HMB – Teve algum show que mais chamou a atenção? Andre Matos – Vários lugares lotados, Esse show de Manaus foi impressionante, a gente não esperava chegar no Amazonas e ter mais de 5 mil pessoas cantando nossas músicas. Mas claro que o show que marcou mesmo foi o do Credicard Hall, onde a gente gravou o DVD, foi recorde de lotação da casa com mais de 8 mil pessoas. HMB – E o Shaman conseguir de certa forma coisas que bandas já consagradas como Stratovarius e Helloween, por exemplo, não conseguem, que é pôr mais de 8 mil pessoas em um show... Andre Matos – Pois é, a gente também ficou feliz porque teve a participação especial do pessoal do Helloween, do Tobias Sammet, do Sascha, do Marcus Vianna, foi uma grande festa.
Andre Matos – Bem, a questão é a seguinte: a gente pensou muito bem nisso antes de tomar essa decisão. Muita gente falava “espera aí, está cedo, vocês lançaram um disco só”. Mas se você for pensar bem, o Luis, o Ricardo e eu, a gente toca há mais de dez anos juntos e nunca tinhamos gravado um DVD. Se a gente estivesse no Angra ainda, a gente já teria feito um DVD. Então, acabou sendo um momento certo nas nossas carreiras para fazer isso, apesar de o Hugo ser um membro novo na banda. HMB (interrompendo)... E como toca esse Hugo! Uma vez você falou que preferiria um guitarrista que tocasse muito a dois guitarristas medios. Eu sinceramente achei que você estivesse louco, mas realmente, depois percebi que tinha queimado minha língua. Andre Matos – é, o Hugo é realmente uma revelação e, na verdade a gente já sabia disso quando ele veio para o Shaman. É o que eu digo: há dois guitarristas com quem eu trabalhei e que são pessoas fantásticas, são músicos fantásticos, em termos musicais e em termos de caráter mesmo. Estas duas pessoas são o Hugo e o Sascha. O Sascha é outro guitarrista que “pelo amor de Deus”. É muito completo e ninguém sabe desse lado guitarrista dele... HMB – Eu lembro que você falou em uma entrevista, que quando você estava no Angra e viu um DVD de uma banda (não me lembro qual) e concluiu que com o Angra voce não faria um trabalho daquele nível. Você conseguiu isso com o Shaman? Andre Matos – Com certeza! HMB – Falando sobre o DVD RituAlive, como foi toda a produção. Depois de tudo concluído, qual foi a primeira palavra que veio a mente de vocês? Andre Matos – “Caralho” (risos gerais). Porque foi muito trabalho. Eu não sabia que fazer um DVD dava tanto trabalho. A gente ficou seis meses batalhando na imagem, mixagem, acertando todos os detalhes, todo o lado do DVD em si que são os menus e tal. A gente contou com uma equipe muito boa, muito profissional em cada detalhe do DVD e é claro que foi a gente que coordenou tudo isso, então a gente está há mais de 6 meses trabalhando sem parar. Então, na hora que ficou pronto e eu vi a coisa funcionando eu falei “caralho!”. Para você ter uma idéia o presidente da Universal Music, que não é pouca merda, falou: “não tem nada igual no mercado aqui no Brasil, Vocês estão de parabéns, está maravilhoso!”. E a gravadora vestiu a camisa e quis lançar este ano, mesmo que estivesse meio atrasado e tal. Luis Mariutti – O resultado foi que a gente conseguiu pensar em tudo, em todos os detalhes. O som ficou muito bom. A gente pensou na qualidade, em passar um som bom. Desde de estar com um instrumento bom, mandando um som de mesma qualidade para o técnico trabalhar, e isso é o ideal, pois a gente gravou um show só, então a gente tinha que tocar bem e tudo tinha que estar perfeito. HMB – Com relação ao CD que vai ser lançado também, a gente tem costume de ver várias bandas por ai pegar a melhor música dentre vários shows. Como é gravar um CD de uma vez só. Rola uma insegurança, um frio na barriga (risos)? Andre Matos – Claro. O Shaman não tinha orçamento para gravar vários shows e depois escolher as melhores execuções. A gente tinha a grana contada para fazer uma boa apresentação. A gente contratou a melhor equipe para fazer isso, veio até gente de fora. Mas dava para fazer em um dia só. Era o show da nossa vida. Tanto que a gente estava nervoso no começo, câmeras, microfones, a gente tava gravando ao vivo e eu senti que a banda estava tensa e o único que estava mais desencanado era o Ricardo, que tocou muito bem naquele dia. O Hugo, o Luis e eu, a gente esta legal, solto, mas com aquela preocupação de não errar. Mas daí eu quebrei o gelo no meio do show, falei para o público que a gente tava gravando o DVD e tal, mas, foda-se, a gente ia tocar do jeito que a gente sempre tocou e daí rolou , entendeu? HMB - E tem muita gente que diz que os erros são o charme do disco ao vivo... Andre Matos – Sem dúvida alguma! Todo mundo é humano e a graça de você ouvir um disco ao vivo é você ouvir o lado humano, porque no estúdio, por bem ou por mal você tem um padrão a seguir e infelizmente tem de ser tudo certinho. Você não pode desafinar nada, não pode sair do ritmo em nenhum momento. Ao vivo tem pequenas coisinhas que fazem o “charme da coisa” como você está falando. E passa muito mais emoção e por isso não é raro uma pessoa preferir uma gravação ao vivo a do disco de estúdio. A gente está até preferindo assim mesmo, sai com muito mais pegada, sai mais pesado, som de guitarra, de bateria, o andamento das músicas acelera, então fica aquela coisa mais na veia e tal. Então eu acho que a gente deu muita sorte de ter feito numa tacada só e ter saído do jeito que saiu. E porque o momento ali foi realmente especial em que tudo mundo estava concentrado e imbuído de fazer o melhor. HMB – Parece que no DVD vai ter um lugar secreto, que para encontrá-lo a pessoa tem de achar uma senha... (NR: esta entrevista foi feita uma semana antes do lançamento do DVD) Luis Mariutti – É tipo uma surpresa, você vai navegando, mexendo no menu e vai ter uma hora que vai ter um lance lá (risos). Andre Matos – Chama-se “Easter Egg” (ovo de Páscoa). É uma surpresa que tem escondia e claro que eu não vou contar. É um comando que você dá no DVD e daí a coisa aparece. Quero só ver se a galera vai descobrir. HMB - Com relação à parceria Shaman/Universal, foi positiva? Como vocês avaliariam? Luis Mariutti – Foi satisfatória, alguns aspectos do meio metal que eles não conheciam a gente teve que ajudar. Em compensação eles têm uma distribuição e divulgação muito boas. Foi o que a gente esperava sim. Andre Matos – Eu avalio como muito positiva, sem contar o status que é para uma banda de metal nacional estar numa grande gravadora, pela primeira vez, e que deu certo. Infelizmente com o Dr. Sin rolou, mas não deu certo. Eles ainda vão ter a chance deles se Deus quiser! E acho que o DVD deles deve ter ficado bem legal e eu participei na música Fire.
Andre Matos – Decepção total! Acho uma falta de vergonha e respeito com o público do Brasil, tanto que no Japão eles não cancelaram, pois sabem que lá o buraco é mais embaixo e se ele derem o bolo por lá, nunca mais voltam. E essa atitude você jamais veria de uma banda européia, mas de uma americana é de se esperar mesmo. HMB – Com relação ao público americano, você acha que tem espaço para o Shaman lá? Andre Matos – Os EUA são carta fora do baralho para mim. Eu não conto com essa possibilidade. São um país muito xenófobo, muito racista. O pessoal fala da Alemanha, mas lá eu não vi nenhum indício de racismo, mas nos EUA sim, basta você botar o pé lá que neguinho já quer saber quem é você, o que está fazendo lá... Fazem de tudo para você não entrar lá. Então, para mim um país desse não me interessa, não preciso dos EUA para sobreviver e nem faço questão de visitar.
Luis Mariutti – Na verdade a gente tocou nos paises onde a gente sempre tocou com o Angra. Para a próxima turnê, tendo em vista o lançamento do Ritual na Rússia, Escandinávia, entre outros, a coisa vai rolar melhor. Então, na segunda tour a gente vai tocar em paises que a gente não tocou ainda. Andre Matos – Sem dúvida. A gente conseguiu trabalhar muito mais na Espanha, a gente fez 12 datas por lá. Na Espanha foi um país em que a gente abriu um espaço legal com o Shaman. Na França o Ritual foi eleito o melhor disco do ano, fui eleito o melhor vocalista. A gente ganhou vários prêmios por ai. Na Itália. Mas a gente está indo bem. No Japão a gente foi em turnê promocional, várias entrevistas e tal. E a gente acabou não tocando lá por questão de logística. A gente estava fazendo shows no nordeste e quando a banda resolveu ir para lá, já estava muito tarde para isso. A turnê japonesa vai ficar então para o próximo álbum e daí a gente vai ver como as coisas estão por lá.
Luis Mariutti – Não, não é um álbum conceitual. É um som pesado, com um vocal mais grave, com influência de progressivo também. Enfim, é um som bem interessante. O debut do Henceforth deve ser lançado no começo do ano que vem. HMB – Mudando um pouco de assunto, quantas cópias o Shaman vendeu no Brasil e no mundo? Luis Mariutti – Não faço idéia. No Brasil já passou de 50 mil; no mundo, também não faço idéia (risos), acho que umas 250/300 mil cópias. HMB - Sobre o próximo álbum do Shaman, qual vai ser a sonoridade, vai seguir a mesma linha? Luis Mariutti – A gente nunca segue a mesma linha. Até segue, mas sempre tentando fazer melhor. Tanto de estar com uma pegada melhor no estúdio, de estar tocando mais pesado. A gente vai explorar muito os riffs de guitarra, deixar o som cada vez mais simples, mais direto, com mais pegada ainda. Andre Matos – Vai ter mais peso e mais atmosfera. A gente vai manter a linha. A gente conquistou um estilo e isso é importante. HMB – Onde vai ser a gravação do próximo álbum do Shaman? Andre Matos – A gravação vai ser feita em vários estúdios aqui no Brasil, assim como foi feito o DVD. O Sascha Paeth vai produzir o CD. Por falar nisso, quando ele veio para o show de abril, ele ficou impressionado com as pessoas do Brasil e com a força do Shaman por aqui. HMB – Vocês acham que o Shaman já está virando referência para algumas bandas? Andre Matos – Eu ouvi alguns ecos disso, tanto aqui no Brasil como lá fora e isso é a coisa mais bonita que existe, você ter o seu trabalho como uma referência e eu acredito que realmente nesse renascimento do metal nacional... HMB - (interrompendo)...Por falar nisso, você acha que essa separação do Angra foi de certa maneira benéfica para o metal nacional? Andre Matos – Acho sim, porque separou o joio do trigo (risos gerais). E continuando o que eu estava falando, nesse renascimento do metal brasileiro, a gente vê que o público de metal está aumentando muito. E o Brasil esta sendo um dos paises número um no mundo quando se fala em metal. Não só pelo número de bandas, mas também pelas bandas que vem gravar CD aqui... O Público é gigante e não tem outro como o do Brasil no mundo. HMB – O que você achou de o Kiko Loureiro ter ido ao show do Shaman? Você acha que e uma aproximação? Andre Matos – Olha, eu não posso comentar isso, pois ele não foi no camarim me cumprimentar, então eu não sei se ele foi. HMB – E com relação à presença do Júnior da dupla Sandy e Júnior, você acha que ele está querendo aprender a cantar (risos)? Andre Matos – O Júnior também não veio falar com a gente. Ouvi dizer que ele estava lá, mas isso só vem a dizer que ele tem bom gosto (risos). Pelo menos ele não fica só ouvindo sertanejo (risos). HMB – Por falar na dupla, vai ter música (Ancient Winds) do Shaman no filme deles – Acquaria. Andre Matos – Isso foi que nem aconteceu com a novela, (a música Fairy Tale fez parte da trilha sonora da novela O Beijo do Vampiro, da rede Globo) aconteceu com esse filme agora. Eles não são bobos. Eles sabem onde tem qualidade e no Heavy Metal a gente faz as coisas com profundidade e quando a gente assinou o contrato com a Universal tinha uma cláusula onde a gravadora poderia usar as músicas em seus projetos. A gente fica tranqüilo, pois sabe que eles não vão colocar nossas músicas em uma compilação de pagode ou de axé music (risos). HMB – Como está a inserção do Shaman na mídia de uma forma geral? Andre Matos – Não é nada muito astronômico não. A gente realmente batalha mais é no underground mesmo, no meio do Heavy Metal. A MTV agora conseguiu abrir os olhos para o fato de que existe Heavy Metal no Brasil. O Massacration está aí e eles são fãs da gente. O Bruno (NR: vocalista) é nosso amigo hoje em dia... E o cara canta bem (risos). Enfim, a gente deve essa coisa da MTV a Penélope, que foi a pessoa que forçou uma barra lá dentro para que o programa Riff continuasse no ar, porque a emissora queria tirá-lo da grade. E ela é quem batalha para colocar Metal no programa. HMB – Por falar em Penélope, em entrevista ao site Whiplash, o vocalista do Angra, Edu Falaschi, disse que esse lance de falar várias línguas, entre outras coisas é puro marketing... Como você encara isso? E tiveram também nesta entrevista algumas críticas à Penélope. Andre Matos – Pois é, eu só acho o seguinte: eu procuro me abster de falar qualquer coisa do vocalista do Angra, porque eu não o conheço. Eu encontrei com ele rapidamente algumas vezes. Eu não sei com que autoridade o cara se propõe a falar de mim dessa maneira. Então, uma vez que eu não conheço o cara, eu procuro nem tomar conhecimento desse tipo de coisa. Eu já ouvi muitas pessoas falarem que ele faz alguns comentários ao meu respeito. Eu só tenho a lamentar. Eu tenho pena de que isso aconteça, acho que ele poderia muito bem se garantir sozinho. Só acho que isso denota uma certa insegurança do cara. Eu sei que é difícil substituir alguém que fez história numa banda e que depois saiu. Mas ele tem qualidade suficiente para se garantir e não precisaria me atacar desse jeito para provar que é melhor. E nesse meio não existe melhor nem pior, existem muitas coisas diferentes. Agora, uma coisa é verdade, ele mexeu com quem não devia, que foi a Penélope, e aí tomou uma cacetada grande de volta e eu dou todo apoio a ela. E fico feliz de ter uma mulher que me defende, uma pessoa que está aí para me defender assim como estou aí para defendê-la em qualquer ocasião. E isso foi até bonito da parte dela. Foi uma declaração de amor dela por mim porque é sinal de que ela realmente tomou minhas dores e foi lá para falar a verdade, ou o que é a verdade. HMB – Andre, você acha que o Shaman conseguiu atingir o mesmo patamar aonde o Angra chegou? Andre Matos – No Brasil eu posso lhe afirmar que a gente já ultrapassou. Lá fora ainda falta um empurrãozinho. Porque não sei se lá fora a coisa é mais tradicional e é mais difícil você impor uma coisa nova. Mas a gente está batalhando nisso. HMB – O espaço é de vocês. Deixem uma mensagem para os visitantes do site Heavy Metal Brasil e desde já agradeço pela entrevista. Andre Matos – A gente está terminando o ano agora, com uma grande turnê e foi maravilhoso ter encontrado tanta gente pelo brasil e a gente tem recebido muito carinho ao longo desses anos. A gente está vivendo um momento mágico na nossa carreira e a tendência é conquistar mais espaços e é o que a gente espera e o Shaman vai continuar com mesma proposta de que é uma banda verdadeira. Não é só uma armação de bons músicos para fazer um disco de Heavy Metal. É uma banda acima de tudo. A gente se gosta, muitas vezes quebra o pau, mas volta numa boa. A gente quebra o pau como irmãos. E a gente sempre quer o melhor e dá o suor para fazer o melhor. E a gente tem muita paixão pelo que faz. Luis Mariutti - Valeu! HMB – Valeu galera! “A entrevista foi realizada no dia 13 de dezembro de 2003 durante o festival Monsters of Poços. Parte da mesma foi realizada na loja “Barão Music” e parte no “Hotel Jóia”, ambos na cidade de Poços de Caldas. Agradecemos ao amigo Vitão (organizador do festival) pela oportunidade”
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