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| HOLY SAGGA - Entrevista Exclusiva Após lançar o bem sucedido álbum de estréia – Planetude – e fazer uma ótima turnê pelo Brasil, a banda Holy Sagga fecha 2003 com muito sucesso e na espera de um 2004 ainda melhor. Nesta oportunidade entrevistamos baixista Gustavo Duarte e guitarrista Anderson Carlo. Neste bate papo descontraído foi comentado sobre a eclosão da banda no metal nacional, turnê e outros assuntos não menos importantes e interessantes. Por Ewerton Laraia
Anderson Carlo: Foram muitos shows e eventos importantes e em cada oportunidade que tivemos de mostrar nosso trabalho, tentamos fazer o nosso melhor. Estamos sempre dispostos a melhorar e surpreender às pessoas. HMB - Quando eu ouvi o nome "Sagga" pela primeira vez, achei um nome muito forte. Mas quando a banda mudou para "Holy Sagga", confesso que ficou ainda melhor. Como foi feita essa escolha? A obrigação de ter que mudar de nome deixou a banda desapontada?
GD: Usamos o nome "Sagga",
ou alguns dos seus variantes, desde 1995. Ter que mudar
o nome nos deixou um pouco incomodados. Durante uns quinze
dias, tentamos encontrar um nome que nos agradasse. Foi
então que o Maurício sugeriu "Holy
Sagga". Confesso que na hora o nome me pareceu soar
um pouco estranho, mas no dia seguinte tanto eu como os
outros estávamos certos que o novo nome era muito
bom. HMB - Eu sei que vocês responderam esta pergunta algumas vezes, mas, tendo em vista que muita gente ainda não sabe, qual o significado da palavra "Planetude", a qual dá nome ao primeiro álbum da banda? GD: Planetude, antes de tudo é o nome de uma faixa instrumental composta pelo Cardillo e incluída em nosso álbum. A idéia do nome é a junção das palavras planeta e etude. AC: Etude significa estudo, na área musical, são pequenas peças compostas para o estudo de determinadas técnicas. No conceito do álbum, as duas somadas seria mais ou menos como um estudo musical do planeta. Achamos que isso combina perfeitamente com o conceito gráfico e musical do álbum. Esse nome surgiu de uma brincadeira que fiz em um ensaio, pois o álbum primariamente se chamaria “Breaking Frontiers”.
GD: Foram shows surpreendentes, principalmente a partir da apresentação que fizemos em Belém/PA. Daquele momento em diante, começamos a perceber que o público começava a cantar nossas músicas. Foi aí que percebemos que estávamos atingindo o nosso público. Em Recife o público também foi insano. Todos cantaram e agitaram o show inteiro. A tour no Nordeste foi um termômetro para sentirmos como a banda estava sendo aceita. E ficamos muito felizes com o resultado. AC: Quanto aos shows com o Shaman, foram cinco aberturas. É realmente gratificante poder mostrar nosso trabalho tendo a oportunidade de tocar ao lado de pessoas que nos influenciaram. Esses shows sempre contam com uma excelente infra-estrutura, fazendo com que déssemos o melhor. O Shaman realmente tem nos ajudado bastante com essa oportunidade. HMB - Eu tive a oportunidade se assistir a dois shows do Holy Sagga, e o que pude perceber foi uma presença de palco muito boa por parte de todos os integrantes. Vocês acham que uma boa performance sobre o palco e uma interação público/banda é essencial para um merecido reconhecimento, refletindo inclusive na vendagem de CD´s? GD: Na minha opinião, o show é formado de som + imagem + interação. Se faltar um desses elementos, o show não estará completo e a banda não conseguirá prender a atenção do público por muito tempo. Se for para simplesmente ouvir as músicas, é melhor colocar o CD pra tocar em casa, não é mesmo? Em relação à vendagem, os shows são uma grande oportunidade de vendas para o álbum. As pessoas que ainda não conhecem o som da banda, podem se interessar ao ver o show e comprar o CD na hora. HMB - Como se deu a participação do vocalista André Matos (Shaman) no debut do Holy Sagga? O que ele achou do som da banda? AC: Conhecemos o André no show tributo ao Angra/Viper organizado pela Heavy Melody, onde participamos tocando 4 músicas. Esse foi nosso primeiro contato pessoal com o André. Quando estávamos gravando o álbum, o organizador desse tributo foi ao estúdio ouvir as gravações e perguntou se poderia levar o material para o André ouvir, pois ele tinha gostado muito da banda. Ficamos muito contentes com essa oportunidade e logo recebemos o retorno que o André participaria em umas das faixas. Ele escolheu pessoalmente a “Fight for Survival” para cantar. Nos encontramos no estúdio e gravamos as partes dele. O cara é muito competente e profissional, além de ser realmente muito simpático. De lá pra cá o contato só vem se estreitando com todos os shows que já fizemos ao lado do Shaman. HMB - A vertente musical da banda é o metal Melódico, estilo este que está muito saturado mundo a fora, onde há inúmeras bandas muito parecidas. Como vocês vêem esta saturação? GD: Não creio que o nosso som seja simplesmente considerado Metal Melódico. Temos muitas influências para reduzirmos a um só estilo fixo e limitado. AC: Realmente essa vertente “do melódico” hoje anda em baixa, pois muitas bandas querendo se aproveitar desse mercado apareceram sem nada a acrescentar musicalmente. Temos nossas influências e nossa história. Não estamos aqui há um ano e sabemos que podemos nos destacar. Hoje estamos trabalhando na pré-produção do nosso próximo álbum e estou muito satisfeito com o resultado. Não acho que ser melódico seja ruim, mas o Holy Sagga não vai ser somente melódico. Estamos mais diretos e pesados. HMB – A música “Fly Away" é minha preferida do "Planetude", pois tem um solo formidável, lembra o Viper da época do clássico "Theatre of Fate". O Viper é uma referência para o Holy Sagga? Enfim, quais as maiores influências da banda? GD: O Viper com certeza é uma grande influência dentro da banda. Também somos influenciados por bandas como Blind Guardian, Iron Maiden, Manowar, Metallica, Megadeth... Como eu anteriormente, são muitas influências de várias tendências. É um caldeirão de metal borbulhante (risos). HMB - Quando houve a separação do Angra, a princípio eu achei eu tinha sido algo muito maléfico para o Metal nacional. Passado algum tempo, pude perceber que esta cisão foi benéfica, uma vez que abriu mais espaços para as outras bandas de metal se despontarem na cena, haja vista que com o Angra somente, havia de certa forma um "monopólio", apesar de ter o Sepultura também (que é extremamente forte na cena!), todavia, hoje há muito mais bandas se destacando - o Krisiun esta cada vez mais forte, o Holy Sagga está galgando espaço cada vezes maiores, o Thoten fazendo muito sucesso lá fora, Tuatha de Dannan, entre outras. Vocês concordam que essa separação abriu as portas para outras bandas?
GD: Acho que de certa forma isso serviu
para que os fãs de Heavy Metal olhassem para o
lado. Com o surgimento do Shaman, as pessoas viram que
o metal nacional não era só Angra. Acho
que é mais ou menos como você disse, a partir
do momento que se quebra um "monopólio",
outras bandas ganham um espaço para mostrar o seu
trabalho. HMB - Eu soube que o "Planetude" foi muito bem aceito no Japão. A banda não espera fazer uma turnê por lá? GD: Realmente obtivemos uma excelente aceitação por parte do público oriental, não só do Japão. A maior dificuldade de se excursionar pelo oriente é o alto custo que envolveria a produção. AC: Conversando um dia desses com o Luís Mariutti, também perguntei a ele sobre shows do Shaman no Japão e ele me respondeu o mesmo, que pro segundo trabalho deles ficaria mais viável, pois o custo da viagem de toda a equipe era muito alto. Então o fato é esse mesmo, o alto custo. HMB - Viver de Heavy Metal é uma tarefa bastante árdua... Quais são as principais dificuldades pelas quais uma banda como o Holy Sagga passa? AC: As dificuldades são muitas, como todos sabem. Mas podemos nos considerar privilegiados por contar com o apoio de pessoas que reconheceram todo o nosso trabalho. O que falta é profissionalismo por parte de alguns que trabalham nesse meio. Mas hoje a situação já é muito melhor do que há quatro, cinco anos atrás. Acho que o Brasil ainda está engatinhando nesse sentido, mas um dia as bandas terão mais espaço e apoio aqui, como acontece nos EUA e Europa. HMB - No underground sempre houve muita rivalidade entre as bandas, porém, de um tempo para cá parece que as coisas estão mudando e as bandas estão vendo que rivalidade é prejudicial. Como vocês analisam esta relação entre as bandas no underground? AC: Acho que de um tempo pra cá, as coisas realmente mudaram. Hoje as bandas sabem que o apoio mútuo é o mais importante. Na Europa as coisas já funcionam assim há muito tempo. Lá as bandas excursionam juntas, e quem sai ganhando com isso, além delas mesmas pela divulgação, é o público. Espero que isso um dia aconteça por aqui. E se houver rivalidade, que seja para fazer cada vez mais boas musicas (risos). HMB - No que se refere ao próximo álbum do Holy Sagga, o que pode ser adiantado? Onde e quando será gravado? A produção ficará a cargo do Sascha Paeth (Shaman, Kamelot e Rhapsody)? AC: Bem, provavelmente o novo álbum começará a ser gravado em março/abril e esperamos lançá-lo no começo do segundo semestre. Já estamos gravando a pré-produção do mesmo. Em relação às gravações e mixagens, ainda estamos estudando como as coisas serão feitas. O Sascha foi muito importante no “Planetude” e estamos pensando nele sim. Mas precisamos ver o lance de agenda, pois o cara é muito ocupado e nós não queremos atrasar o lançamento do álbum. No mais, o que podemos adiantar é que o álbum irá mesclar o extremo peso com melodias, de forma inovadora, se é que podemos dizer isso (risos). HMB - O espaço é de vocês para considerações finais e de antemão gostaria agradecer pela atenção de vocês. AC: Em nome do Holy Sagga eu agradeço a oportunidade de estar aqui mais uma vez expondo nossas idéias. Agradeço também a todos os admiradores de nossa música pelo apoio, e é desse apoio que o Holy Sagga tira a energia necessária para se superar a cada dia. Esperem, pois logo estaremos de volta, com um material novo que irá surpreender e alegrar a todos que curtem o verdadeiro Metal. Valeu e Stay Heavy!!!
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