ROCK THE PLANET

Por: Cássio Pagliarini - Ewerton Laraia - Willian de Melo

Aconteceu no último dia 2 de outubro, no Espaço das Américas, Zona oeste de São Paulo, o festival “Rock the Planet”, que teve como atrações as bandas Viper, Kotipelto, Shaman e Edguy (gravando seu DVD ao vivo). Os membros do site Heavy Metal Brasil foram até lá e puderam conferir de perto todo o agito que essas bandas foram capazes de causar em cerca de oito mil pessoas.

Pra nós o festival não começou muito bem, a organização do evento liberou credenciais apenas para os “gigantes” do metal nacional, (Roadie Crew, Valhalla, Rock Brigade, Wiplash e Sky Hell) e se esqueceram de uma parte importante dos divulgares de música underground do Brasil, os sites e os zines de metal, assim, tivemos que como todo

mundo, ficar no meio do grande público, e querem saber? Foi demais, apesar do preço da cerveja (bohemia – R$4,00, Nova Skin e Bavária – R$3,00). De qualquer forma, a organização foi o ponto alto do Rock The Planet, que estava marcado pra começar as seis da tarde e foi pontualmente nessa hora que o VIPER subiu no palco. Depois de um longo tempo sem formação estável, o Viper finalmente dá mostras de que veio para ficar. Da formação original restam apenas o líder da banda, o baixista Pit Passarel, o guitarrista Felipe Machado e o Baterista Guilherme Martin. Para a segunda guitarra foi recrutado Val Santos e para os vocais Ricardo Bocci, vocalista da banda de Hard Rock Rei Lagarto. Apenas o guitarrista Yves Passarel, atualmente no Capital Inicial, fez falta aos antigos fãs da banda, mais como a maioria do publico era formada por jovens headbangers que não viram o Viper no auge, isso nem mesmo foi lembrado.

O Viper apresentou neste show uma maioria de músicas de seus três primeiros álbuns “Soldiers of Sunrise”, “Theatre of Fate” e “Evolution” que fazem parte de uma fase mais melódica da banda. O novo vocalista Rodrigo Bocci deu provas de que os antigos fãs do Viper não precisam ter mais tantas saudades de Andre Matos. Rodrigo agitou o publico e defendeu com perfeição clássicos como “Rebel Maniac”, “Pelude To Oblivion”, “Erevybody Erevybody” e a balada “Living For The Night”, sempre cantada em uníssono pelo público.

O Viper encerou o show com muitos aplausos dos presentes e com um leve toque de “quero mais”. E de fato ficou faltando algo, a banda deixou de apresentar clássicos como “Soldiers of Sunrise”, “Killera” e “Coma Rage”, mais nada que pudesse tirar o brilho dessa fantástica apresentação.

Em seguida sobe ao palco o finlandês KOTIPELTO com sua banda solo. O ex-vocalista do Stratovarius levantou o público e não deixou ninguém parado, principalmente o publico feminino. Foi notada nessa hora uma certa queda na qualidade do som, que estava sendo reservado para a banda principal, sorte dos brasileiros do Viper que não tiveram esse problema. Mas é claro que isso foi tirado de letra pelo experiente Timo Kotipelto, que soube como lidar com isso de forma brilhante.

Executando musicas de seus dois álbuns solo “Waiting for the Dawn” e “Coldness”, ele fez o Espaço das Américas tremer, especialmente com excelentes canções do novo álbum como “Reasons” e “Seeds Of Sorrow”, No entanto o

ponto alto de sua apresentação foram os clássicos “S.O.S” e “Black Diamond”, do Stratovarius.

Mais ou menos as 8h30min sobre ao palco a banda SHAMAN que, mesmo com o já “rodadíssimo” Ritual, conseguiram levantar o público com todo o seu carisma habitual. Começando o show com a tradicional “Here I Am”, o Shaman obteve ótima resposta do público, que cantou a música do início ao fim. O mesmo aconteceu com a canção “Distant Thunder”. Depois, o público teve uma ótima surpresa - sem dizer uma palavra, eles tocaram uma música que estará no novo álbum (que mais tarde descobrimos se chamar “Turn Away”), que tem uma pegada bem Thrash e um vocal muito rasgado, tudo num ritmo alucinante.

A apresentação continuou com uma seqüência de canções do álbum Ritual (For Tomorrow, Time Will Come) e o já tradicional cover de “No More Tears”, que levou o público à loucura. “Fairy Tale”, como sempre, foi um show à parte, pois fica ainda melhor ao vivo. A execução de “Pride” trouxe a expectativa da participação de Tobias Sammet para fazer o dueto com André Matos, o que acabou ficando só na vontade do público. Para o ‘gran finale’, a banda reservou a clássica Carry On, dos bons tempos de Angra, para delírio de todos os presentes.

Enfim, o Shaman fez uma apresentação muito descontraída e o público agitou do começo ao fim. Agora é esperar o lançamento do novo álbum para que a banda faça shows

novos, pois já são dois anos da turnê do Ritual, e o setlist já ficou muito previsível.

Depois da boa apresentação do Shaman, todos ficaram na expectativa para a atração principal da noite – a banda EDGUY, que naquela noite gravou seu primeiro DVD e os músicos não decepcionaram. Então, eis que surge do teto o vocalista Tobias Sammet e a galera foi à loucura. Músicas como “Mysteria”, “Vain Glory Opera”, “Land Of Miracle”, “Fallen Angels” fizeram todos deixar o cansaço de lado, tamanha era a empolgação, guiados pelo sempre carismático (e cômico) vocalista.

Apesar de as músicas acima citadas agitarem muito, definitivamente “The Piper Never Dies”, Lavatory Love Machine” e “King of Fools” matam a pau, já que ficam muito mais pesadas ao vivo e fazem os presentes cantarem com muita animação.

O som estava bem melhor do que o das outras atrações e, como já era de se esperar, Andre Matos fez sua participação em “Chalice Of Agony”, do projeto Avantasia. O ponto negativo da apresentação foi o solo de bateria. Simplesmente muito maçante!

A banda encerrou o show com chave de outro ao tocar “Out

of Control”. Entretanto, foi uma pena que músicas como “Down to the Devil”, “Forever” e “Avantasia” foram esquecidas. Edguy é uma banda que está em grande ascensão, pois foge dos clichês típicos do metal melódico, dando mais importância à composição em si, e não somente ao virtuosismo. E para quem não pôde estar no Espaço das Américas vai poder ver tudo no DVD desta memorável apresentação da banda alemã, que mostrará para o mundo qual é o melhor e maior público – claro, o do Brasil!

A primeira edição do festival Rock the Planet foi um verdadeiro sucesso. Mas para os próximos anos deve ser escolhido outro local, pois o Espaço das Américas é uma sauna, não tem uma acústica muito boa e o palco é muito baixo, pequeno e descentralizado, mas tudo isso, sem dúvida foi esquecido pelos presentes, já que todos agitaram do começo ao fim, e também o ‘cast’ foi muito bem escolhido. Agora é aguardar a segunda edição... Só espero que desta vez os organizadores dêem mais suporte os webzines para que possamos fazer uma cobertura decente. Valeu pessoal, até 2005!