VELHAS
VIRGENS - Carnavelhas 2 (Do Love Story
a Av. São João)
Por: Eduardo Guimarães
Sete
anos após o primeiro álbum
Rock n’ Roll de marchinhas carnavalescas,
a banda Velhas Virgens lança “Carnavelhas
2 (Do Love Story a Av. São João)”.
Neste novo disco o grupo presta uma homenagem
ao maior poeta do samba paulista, Adoniran
Barbosa, e a cidade de São Paulo.
Em
relação ao primeiro “Carnavelhas”,
dá para perceber neste novo disco
que a banda teve um cuidado muito maior
nas composições e na produção
do álbum. Mas, apesar da boa produção,
às vezes parece que o vocal ficou
um tanto baixo.
“Carnavelhas
2” tem 16 faixas - incluindo a introdução,
traz alguns convidados especiais e é
cheio de citações e referências
que remetem à capital paulista
e também a alguns personagens das
composições de Adoniran,
como Iracema, a protagonista da canção
de mesmo nome que teve um triste fim “pinchada”
no chão da Av. São João.
Após
a introdução apresentada
por Laert Sarrumor, do Língua de
Trapo, o disco começa muito bem
com a ótima “Marcha do Diabo”.
Animada e cheia de guitarras, mantém
a tradição das clássicas
marchinhas de carnaval, sempre com duplo
sentido e conotação sexual:
“Esse ano vou sair de diabo, já
tenho o chifre, só falta o rabo.
E se você me der o rabo, vou de
diabo pra curtir o carnaval”. Hilário.
“Um
Chopps e Dois Pastel” mantem o ritmo
das marchinhas e desfila personalidades
intimamente ligadas à capital paulista,
mesmo que não sejam da cidade,
como Caetano Veloso, Tom Zé, Hebe
Camargo, Rita Lee, Cauby Peixoto e o Prof.
Pasquale Cipro Neto. Até o próprio
Adoniran dá o ar da graça.
Neste
disco a banda não ficou apenas
nas marchinhas. Também há
sambas como “Praia de Paulista”,
que logo nos primeiros segundos já
faz lembrar Martinho da Vila. Tanto pela
música quanto pelo modo de cantar
de Paulão.
O
sambinha “DNA de Malandro”,
falando sobre o modo de ser dessa típica
figura retratada nos sambas, traz o cantor
Nasi dividindo os vocais. As feministas
radicais de plantão talvez fiquem
horrorizada com “Nos Bares da Vila
Madalena”. Como diria a ex-Ministra,
relaxe e goze. A música traz a
participação de Laert Sarrumor,
um dos grandes conhecedores das vias e
butecos do famoso bairro paulistano.
Para
quem é de São Paulo, ou
conhece os locais citados nas músicas,
é como se a banda te levasse para
um passeio por lugares conhecidos por
muitos, mas que não são
necessariamente pontos turisticos, como
o Bar Estadão, que tem esse nome
por ser próximo ao prédio
onde antigamente ficava a redação
do jornal O Estado de S. Paulo. O bar
é um dos locais citados em “Feijuca
na Madrugada”, com participação
de Wandi Doratiotto, do Premê.
Os
estudantes cachaceiros são homenageados
em “Em Tese”, que cita diversas
faculdades da Grande São Paulo.
Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, é
o convidado nessa música que começa
como marchinha e depois vira quase um
Punk Rock.
A
banda escorrega em suas incursões
pelo samba em “Adão e Eva”.
Sambão demais. Paulo Miklos, dos
Titãs, engrossa o batuque. Mas
a coisa melhora com “A Turnê
do Chopp” e pros marmanjos que sentiam
saudades da Lili, que gravou com a banda
o disco “Cubanajarra”, a boa
notícia é que é dela
o vocal principal em “Taca Silicone
na Japa”. Que gracinha. Ai, ai...
Quem
torce o nariz para a banda por causa das
letras, pode curtir esse carnaval sem
medo, já que nessas composições
eles pegam mais leve nesse quesito. “Carnavelhas
2” é um disco animado, engraçado
e que mostra a banda sem medo de arriscar
mais uma vez em outros campos.
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