DORSAL
ATLÂNTICA & METALMORPHOSE
- Ultimatumbr
Por:
Jackson Wójcik Pinto
É
com incomensurável satisfação
que recebo este lançamento da
Metalli Records para resenhar, visto
que o disco Ultimatum foi um dos precursores
no cenário do heavy metal nacional
e seu lançamento no formato de
cd é historicamente muito importante.
Tendo em vista toda uma nostalgia que
envolve este disco, antes da resenha
vou posicionar os leitores na história.
No
agora longínquo ano de 1985 eu
havia voltado do primeiro Rock in Rio,
ainda me refazendo da imensa emoção
de ter visto alguns dos maiores nomes
do rock mundial, como AC/DC, Ozzy Osbourne,
Whitesnake, Scorpions e Yes, eis que
ao ler a edição de número
7 da revista METAL (praticamente única
revista especializada da época)
vejo uma resenha de um disco de heavy
metal dividido por duas bandas do Rio
de Janeiro, a Dorsal Atlântica
e a Metalmorphose. Sem pestanejar e
com muita curiosidade, escrevi uma carta
para a loja Baratos & Afins de São
Paulo encomendando a bolacha e eis que
cerca de 15 dias depois, recebo, via
correio (encomenda simples, a cobrar)
aquele disco que viria a ser o mais
importante de toda a minha coleção
de vinil e que me transformou em um
dos 500 meros mortais a serem agraciados
com o orgulho de serem os felizes detentores
dessa verdadeira pérola do rock
nacional. Nem preciso dizer que curti
aquele disco como ninguém, além
do que nunca sequer o emprestei, dado
o zelo que tinha pelo mesmo.
Mas
voltando ao presente. Numa preciosa
iniciativa do baixista do Metalmorphose,
André Bighinzoli. que contou
com o auxílio do jornalista Carlos
Lopes (atual Mustang), guitarrista e
vocalista da Dorsal Atlântica,
que na época usava o pseudônimo
de Carlos “Vândalo”,
é relançado o disco, agora
em cd. A gravação foi
remasterizada, mas a arte da capa e
contra capa foi mantida preservando
o original.
O
disco exala juventude e pioneirismo
em todos os seus aspectos, além
do que, frases de impacto estão
presentes em todas as musicas. “Morte
a todos os falsos, essa é a minha
vontade” no lado Metal e “Deus
dê vida longa aos meus inimigos
para que assistam minha vitória”
no lado Dorsal dão bem a prova
disso.
Comentar
sobre a qualidade das músicas
é “discutir o óbvio”,
pois mesmo com a qualidade de gravação
não sendo exatamente um primor,
podemos notar que eles fizeram o que
puderam com os escassos recursos tecnológicos
da época, além do que
o processo todo de gravação
custou na época o equivalente
a um fusca zero.
No
lado Dorsal temos as rápidas
Império de Satã e Armagedon
que são as que mais faziam minha
cabeça na época, mas não
podemos descartar a Catástrofe,
Heavy Metal e Princesa do Prazer, essas
duas últimas já coverizadas
por bandas mais recentes, enquanto que
no lado Metal temos a gloriosa Cavaleiro
Negro e a balada trágica de Harpya
como destaques, além das pauleiras
Nosso Futuro, Complexo Urbano e Desejo
Imortal. Tenho informação
privilegiada de que a banda Metalmorphose
está novamente na ativa e lançará
material inédito em 2009, é
bom ficar de olho.
Vou
encerrar essa resenha com uma frase
do Carlos Lopes em setembro de 2008,
que exprime exatamente o que eu penso
sobre o Ultimatum. “Esse corajoso
trabalho mostra que nenhuma das duas
bandas nasceu para copiar, mas sim para
construir o genuíno som pesado
brasileiro.”