TRISTANIA
- Rubicon
Por:
Eduardo Guimarães
A banda que ajudou o renascimento da cena
gótica e a popularização
do Gothic Metal na Europa e no Brasil
no final dos anos 90 não existe
mais. Aquele Tristania que lançou
o excelente “Widow’s Weed”
se perdeu depois que o mentor e principal
compositor, Morten Veland, saiu do grupo,
em 2000. Depois disso, os membros remanescentes
ainda conseguiram manter o grupo respirando
por alguns anos.
Essa
situação se arrastou e culminou
com a saída de todos os integrantes
originais, exceto o guitarrista Anders
Hidle e do tecladista Einar Moen. Hoje,
ao lançar o sexto álbum
da carreira, o Tristania é formado
por Mariangela Demurtas (vocais femininos),
Kjetil Nordhus (vocais masculinos limpos),
Anders Høyvik Hidle (guitarra,
vocais agressivos), Gyri Smørdal
Losnegaard (guitarra), Ole Vistnes (baixo),
Einar Moen (teclado) e Tarald Lie Jr.
(bateria).
Este
‘novo’ Tristania não
tem praticamente nada a ver com o primeiro.
Ok, alguém pode dizer que isso
é sinal de progresso na banda e
blábláblá. Por um
lado, é sim bom ver e ouvir que
o grupo não se repetiu, mas a mudança
é tão grande, em todos os
sentidos, que fico com dúvida se
não seria melhor tentarem montar
uma nova banda.
De
todo modo, “Rubicon” - a prova
de fogo da ‘nova’ banda -
não é um disco ruim. Mas
está longe de ser um trabalho de
destaque. A belíssima Mariangela
Demurtas tem uma voz mais suave, com uma
inclinação mais pop, do
que sua antecessora, Vibeke Stene, porém
se mostra muito mais vocalista, no sentido
de ter uma participação
muito mais efetiva nas canções.
A
rápida “Year of the Rat”
abre o disco alternando momentos de instrumental
sujo com partes mais limpas. Bom começo.
A voz suave de Mariangela encontra o contraponto
dos vocais agressivos de Hidle em “Protection”.
“Patriot Games” traz pela
primeira vez Kjetil Nordhus. Essa é
uma das faixas de destaques do álbum,
principalmente pelo trabalho dos vocais
no refrão agressivo.
“The
Passing”, que começa lenta,
ganha um ‘riff’ bem característico
do Tristania e tem a bem-vinda colaboração
de Pete Johansen no violino. “Vulture”
é outra faixa que agrada pelo andamento.
Mas no geral o álbum não
tem nenhuma faixa que faça você
realmente parar e ouvir a mesma música
repetidas vezes. Falta o peso e a criatividade
de antes. A única que chega perto
disso é “Illumination”,
com certeza a melhor do disco.
A
capa também merece um comentário.
É normal que o grupo queira promover
sua “nova cara” e por isso
utilize uma foto da vocalista. Mas essa
fórmula já foi utilizada
pela própria banda duas vezes,
em “World of Glass” e “Illumination”.
Poderiam ter um pouco mais ousadia e criatividade
nessa parte.
“Rubicon”
não é um disco ruim, mas
se você pensa no que o Tristania
já fez, parece que está
faltando algo. |