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TITÃS - Sacos Plásticos

É normal que muitos fãs prefiram ignorar a formação atual da banda, desde que Marcelo Fromer morreu e Nando Reis deixou o grupo. E o fato do novo álbum ter sido produzido por Rick Bonadio (Fresno, CPM 22, etc...) ainda vai gerar todos os tipos de discriminação incabida que você puder imaginar. Mas, logo nos segundos iniciais da primeira música, "Amor por Dinheiro", temos uma agradável sensação nostálgica misturada ao sentimento de "novidade" na sonoridade da banda, graças ao retorno das famosas batidinhas eletrônicas e daquele estilo pop/rock oitentista típico dos seus primeiros álbuns. E para quem sempre curtiu o Titãs clássico, não há nada de ruim nisso, muito pelo contrário...

E falando em pop/rock oitentista com influências de new wave, synthpop e afins, temos mais faixas que usam o "velho" em favor do "novo": a ótima e irreverente "Sacos Plásticos", a boa e semi-rocker "Agora Eu Vou Sonhar", o agradável pop/reggae "Quanto Tempo" (alguém lembrou do primeiro álbum?), e as divertidas e dançantes "Problema" e "Múmias".

E pra não dizer que os Titãs não lembraram do bom e velho rock 'n' roll, também marcante em sua essência inicial, o novo álbum traz os petardos "A Estrada", "Deixa Eu Entrar" (com uma boa presença de Andreas Kisser na guitarra, ainda que muitos não irão notá-la), e a curiosa "Não Espere Perfeição", que fará muitos pensarem na faixa como uma referência à própria irregularidade dos Titãs nos últimos anos... o que não deixa de ser muito interessante!

Agora, os pontos fracos: a inevitável (será mesmo?) presença de baladas açucaradas como "Porque Eu Sei que É Amor", "Quem Vai Salvar Você do Mundo?", e até a acústica "Deixa eu Sangrar", que mal consegue trazer um diferencial interessante ao álbum. A faixa "Nem Mais uma Palavra" até lembra algo do primeiro álbum, mas soa um tanto sem graça e sem sal.

Já o single "Antes de Você" merece atenção especial, pois apesar de ser um mix de rock e balada bastante formulaico, consegue trazer uma boa capacidade de cativar até ouvintes mais exigentes. Ainda assim, tal faixa pode dividir opiniões e gerar mais discussões clichês e idiotas do tipo "Titãs virou emo?", o que funcionaria como uma boa oportunidade de mostrar a diversidade desse novo trabalho...

Com boas letras - ou pelo menos melhores do que muita coisa feita pela banda até em sua fase clássica - e referências a cada fase "titânica", "Sacos Plásticos" pode soar um tanto heterogêneo e sem rumo, mas é um trabalho digno de figurar na discografia dos Titãs, além de nos lembrar da capacidade criativa do (agora) quinteto. E talvez esse seja o momento ideal para aquela parcela de fãs mais ortodoxos enxergarem este novo álbum dos Titãs como um bom retorno da banda às suas atividades.

 

TITÃS - Como Estão Vocês?

Os Titãs estão lançando ‘Como Estão Vocês?’, 15º da carreira de 20 anos do grupo

A pergunta que não quer calar é: como estão vocês? “Bem. Muito bem. Mais ainda com esse novo trabalho titânico”, garante o guitarrista Tony Bellotto, 43 anos, em entrevista por telefone ao Caderno C sobre o novo CD da banda, Como Estão Vocês?, lançado pela BMG. O disco, o 15º da carreira do grupo que já soma 20 anos, é o primeiro sem as participações de Marcelo Fromer, morto em 2001, e Nando Reis, que deixou o grupo ano passado alegando incompatibilidade de idéias. “Estamos superando positivamente a saída do Nando até porque, você tem que concordar comigo, era uma situação ruim para todo mundo, mesmo quando ele ainda tinha dúvida sobre sair ou não”, conta.

A vontade de falar sobre a saída de Nando pára por aí. O titã reforça apenas que adversidades como a saída de Nando – e lembra também a de Arnaldo Antunes, em 1992 – tornaram o grupo ainda mais forte e unido. Diz que, agora mais ainda, a banda é prioridade para Charles Garvin, Paulo Miklos, Branco Mello, Sérgio Britto e ele próprio. “Mesmo tendo trabalhos paralelos, sabemos que o Titãs é o principal. O clima hoje é de união, queremos todos a mesma coisa”, garante.

O tom naturalmente mais triste é notado quando a referência é Fromer. Para o grupo, diz Belloto, a morte do amigo foi a principal perda nesses 20 anos de estrada. “Sentimos bastante a ausência dele”, confessa. “No outro CD ele havia deixado alguns arranjos prontos e esse é realmente o primeiro sem sua participação”, explica.

Ao guitarrista e gourmet nas horas vagas, os Titãs dedicaram As Aventuras do Guitarrista Gourmet Atrás da Refeição Ideal, a última canção do CD, de autoria de Tony Bellotto e Paulo Miklos. “Marcelinho pão e vinho/ guitarrista gourmet/ malandro sommelier/ atrás da refeição ideal/ na cordilheira central/ Marcelo encontrou afinal/ uma receita contra todo o mal”, diz um trecho da canção.

Novidades:

Hora de falar das novidades. A principal delas, talvez, seja a volta do produtor Liminha, que já trabalhou com o grupo nos álbuns Cabeça Dinossauro, Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas, Go Back, O Blésq Blom, Acústico e Volume Dois. Questionado se isso significaria uma tentativa de voltar às origens, Tony diz não. “Ele já conhecia nosso trabalho e produziu alguns dos nossos melhores discos, por isso resolvemos fazer parceria novamente. O legal é o resultado do CD, que ficou, por influência dele, com um som mais acústico, mais ao vivo”.

Tony diz que lançar um CD, mesmo para uma banda como o Titãs, é sempre um desafio. “O público brasileiro é esquisito, despreza muito artista de talento”, avalia. A preocupação do Titãs, diz, foi fazer um trabalho com a “cara do grupo” mas também de sonoridade nova.

Apresentado pelo próprio Tony Belloto, Como Estão Vocês? é um trabalho de resgate do rock como crítico social. “Esse é o papel do rock, ser político e social”, diz. E cita a faixa KGB como exemplo. “Nela falamos da guerra”. Em outra, a faixa título, falam de um povo com “sono, sede, fome e frio”, mas que quer estar bem e já não sente mais dor. Alguém falou no Brasil? A capa do CD – em verde e amarelo com o título em vermelho – pode ser a resposta de um país otimista com o governo do PT.

Menos séria, porém não menos interessante, é Gina Superstar, sobre alguém que incessantemente deseja a fama. “Existem muitas Ginas no Brasil e inspirados nas que conhecemos fizemos a música”, explica. A canção bem poderia fazer parte da trilha da novela Celebridade, da Rede Globo, na qual Malu Mader, mulher de Tony, é uma das protagonista. Mas a escolhida pela emissora foi a otimista Enquanto Houver Sol que – sem querer tocar no assunto de novo – é parecidíssima com a popular Epitáfio, do último disco, A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, assinada pelo ex-titã Nando Reis.

Multimídia

Gravado e mixado no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, entre junho e setembro de 2003, o novo CD traz ainda uma faixa multimídia, dirigida e produzida por Branco Mello e editada por Oscar Rodrigues Alves, que presenteia os fãs com dois vídeos.
O primeiro, Compondo, traz imagens da banda escolhendo o novo repertório na casa de Tony Bellotto, na de Charles Gavin e também na de Arnaldo Antunes, parceiro de Branco, Bellotto e Gavin na inédita Esperando Para Atravessar a Rua. O segundo, Gravando, acompanha o processo da banda no estúdio.

 

TITÃS – Cabeça Dinossauro

Esse é com certeza um disco que marcou época, foi no ano de 1986 que os “saudosos” Titãs lançaram esse clássico do nosso rock n’ roll.

Cabeça Dinossauro é um divisor de águas, tanto para os Titãs quanto para o rock nacional. Quando foi lançado, não tinha paralelo no cenário musical, exceto por Selvagem dos Paralamas, lançado no mesmo ano e que também se tornaria uma referência pela qualidade de produção e importância para a história do rock Brasil.

Cabeça Dinossauro é acima de tudo um ótimo disco de punk-rock, talvez o mais bem aceito e popular entre todos do estilo.

Quando foi lançado, o disco começou tímido. A primeira música de trabalho foi “AA, UU”, um rock básico com letra repetitiva. Parecia que era apenas mais um disco dos Titãs, que vinha escorado nos sucessos “Insensível” e “Televisão”, do disco anterior, produzido por Lulu Santos e pelos rocks new wave do disco de estréia “Sonífera Ilha” , “Go Back”, e “Marvin” (estas últimas aliás, fariam mais sucesso anos depois como regravações num disco ao vivo, do que na versão original).

Meses depois, o tímido se revelou. Alguém resolveu tocar a faixa 4, a excelente “Polícia”, pular todas as outras do lado A (embora excelentes, como “Porrada”, “Estado Violência” e “Tô Cansado”) e ir direto pro lado B. (Anos mais tarde, até mesmo o Sepultura, banda brasileira de maior respaldo no exterior em todos os tempos, veio a re-gravar essa musica). Aí não teve mais jeito, o disco pegou da noite pro dia. Em semanas, já era um sucesso total, colocando os Titãs definitivamente entre as grandes bandas nacionais. Todo mundo conhecia e cantava a faixa que abre o labo B, “Bichos Escrotos”, com forte introdução acentuada por baixo e bateria e letra censurada por causa dos palavrões, assim como “Família”, reggae inocente com letra que faz uma Polaroid do cotidiano familiar, “Homem Primata”, com letra ácida sobre a sociedade e o homem moderno. O disco fecha com a eletrônica e inusitada “O que”, um poema concreto de Arnaldo Antunes que marcou época pela forma como foi composta e executada. Nunca uma letra disse tanto com tão pouco: “o que não é o que não pode ser que não é o que não pode ser que não é...”.

O conjunto de Cabeça Dinossauro é muito bom. Os Titãs capricharam nas letras e nos arranjos e executaram as músicas com simplicidade, garra e perfeição.

 

 

 
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