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RAMMSTEIN
- Liebe Ist Für Alle Da
Por:
Amir R. De Toni Jr.
Os alemães do Rammstein atraem
a curiosidade de muitos fãs de
música pesada por diversos motivos:
as performances flamejantes, o vocal grave
e marcante em alemão, a excelente
mistura de sintetizadores com guitarras
distorcidas. Além disso, o vocalista
Till Lindemann não mede palavras
em suas letras sobre sexo (em todos os
contextos imagináveis), violência
e amor, fazendo amplo uso de frases ambíguas
para instigar os ouvintes.
E
depois de dois álbuns com muita
experimentação, o Rammstein
digere bem o que aprendeu e retorna para
uma linha mais próxima do excelente
'Mutter' neste 'Liebe ist für alle
da' ou simplesmente LIFAD. A comparação
com 'Mutter' é injusta para uma
banda que sempre explorou muito bem as
possibilidades sonoras criadas por Flake
Lorenz e companhia, mas é a referência
mais notável nas onze faixas, que
soam tão variadamente como o Dimmu
Borgir em 'In Sorte Diaboli' e o RUSH
em 'Snakes & Arrows' (o riff de Roter
Sand evoca instantaneamente Bravest Face
do trio canadense).
'Rammlied'
abre o álbum com a precisão
característica dos alemães,
com coro no refrão e um riff direto
e poderoso. 'Ich Tu Dir Weh' inicia com
um teclado suave e segue alternando levadas
muito pesadas e um tema principal que
é, na medida do possível,
suave. 'Waidmanns Hail' é direta,
numa pegada de marcha militar que lembra
'Links 2-3-4'. Já 'Haifisch' começa
como uma releitura do tema que abre o
primeiro disco do sexteto alemão,
resgatando muito do estilo característico
dos dois primeiros álbuns da banda.
'B********'
lembra a fenomenal 'Mein Teil', com o
teclado criando um clima de horror e os
vocais transitando entre sussurros e o
refrão urrado. 'Fruhling in Paris'
traz um belo trabalho de cordas, com Till
interpretando a letra de maneira bem suave,
como em algumas canções
do 'Rosenrot'. Mais uma das canções
baseada em fatos reais, 'Wiener Blut'
trata do caso do austríaco Josef
Fritzl, o pai incestuoso que teve sete
filhos com sua filha mais velha, mantida
em cativeiro num porão durante
24 anos.
'Pussy'
é o primeiro single do álbum
e fala sobre turismo sexual. Cantada em
inglês e alemão, teve seu
videoclipe divulgado através de
um site de hospedagem de vídeos
pornográficos, dado o conteúdo
sexualmente explícito. A canção-título
é a mais curta do álbum
e passa como um dos momentos menos inspirados
do trabalho. O disco se fecha com duas
canções que flertam com
o quê o Rammstein faz de mais parecido
com uma balada, como também terminava
seu álbum anterior, mas sem o brilhantismo
de 'Los' ou 'Amour'.
LIFAD
não é o melhor álbum
do Rammstein, mas é maduro e consistente,
fazendo jus ao alto nível de todos
os lançamentos da banda. Resta
torcer para que a turnê deste sexto
disco dos alemães os traga de volta
ao Brasil, desta vez como atração
principal.
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