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PITTY
- Anacrônico
O
DD nada mais é do que um CD / DVD
no mesmo pacote. Um dos lados do produto
contém o CD de áudio e outro
um DVD. Tal mídia vem sendo muito
utilizada nos Estados Unidos e Europa.
Nomes como Offspring, Judas Priest, Blink
182 e Joe Perry (Aerosmith) já
lançaram seus novos trabalhos neste
formato. Você pode inclusive aproveitar
as vantagens de ouvir todo o cd no DVD,
já que alguns DVD´s contém
versões “remixadas”
das músicas do CD com formado 5.1
de áudio.
Particularmente
vejo o DD como uma forma de complementar
o CD, com atrativos a mais que chamem
a atenção para o mesmo,
num pacote a preço acessível
e coerente. No caso do Judas Priest, o
novo CD “Angel of Retribution”
vinha com 6 músicas ao vivo da
turnê feita pela banda em 2004.
O
CD de áudio é o mesmo já
resenhado anteriormente, apresentando
uma sonoridade mais pesada, como podemos
ver em “Saideira”, “Anacrônico”
(com “riffs” bem pesados),
“Memórias” (com um
baixo bem distorcido) e uma pitada de
“hardcore” na curta “AAHHH...!”.
Além disto, Pitty gravou sua primeira
faixa cantando em Inglês (“Ignorin´u”)
e fez menções ao Nirvana
na música “Quem vai Queimar?”.
Um belo CD, diferente de “Admirável
Mundo Novo”, e que mostra que a
baiana não foi apenas uma artista
de um só trabalho.
Já
o DVD nos brinda com o documentário
“Sessões Anacrônicas”,
com 1h e 10 mintuos divididos em 13 capítulos,
aonde podemos conferir as sessões
de gravação do CD, conduzidas
por Rafael Ramos (ex-Baba Cósmica
e agora uma espécie de Jack Endino
brasileiro). Neste podemos notar a descontração
de Pitty e banda, a satisfação
pelo fato do CD estar sendo feito de forma
descompromissada (Pitty chega a dizer
que o sucesso do primeiro CD não
a pressionou de forma alguma). Destaque
para os trabalhos da baiana no vocal,
principalmente na faixa “A Saideira”,
e nas doideiras que aconteciam no estúdio.
Na verdade documentários como esse
são para fãs ou pessoas
que curtam estar dentro do estúdio
acompanhando o dia a dia de uma gravação,
porque mostram que essa rotina não
é tão simples como se pensa.
(O Metallica já escancarou isso
em várias ocasiões). Mas
Pitty e banda souberam conduzir os trabalhos
com a serenidade necessária, e
o CD saiu com facilidade.
De
bônus ainda podemos escutar as 13
músicas de “Anacrônico”
na seção “Jukebox”,
todas “remixadas” para o áudio
5.1 (você vai precisar ter um equipamento
de som que comporte essa capacidade).
As músicas ficam bem mais encorpadas
e nítidas. Uma bola super dentro
da cantora. Completam o DVD o vídeo
de “Anacrônico” (muito
bem feito por sinal) e uma galeria de
fotos embalada pela música inédita
“Seu Mestre Mandou”.
Um
bom produto. Quem já tem o CD pode
comprar sem medo, porque há bastante
coisa interessante que pode ser conferida
aqui (desde que você tenha um aparelho
de DVD), e quem não tem pode adquirir
um produto completo, que vem até
com manual de instruções.
O DUALDISC vale a pena por esta razão,
se usado para complementar o trabalho
de estúdio, como algumas bandas
vinham fazendo encartando o DVD junto
com o CD. Mas o que eu disse sobre o Twisted
Sister (na resenha do DVD “Live
At Wacken”) cabe aqui: esse formato
precisa ser aperfeiçoado, pois
não toca em qualquer aparelho...mas
este aqui vale pela proposta.
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PITTY
- Admirável Chip Novo
Uma
grande explosão de rock. Som pesado,
músicas consistentes, vocais precisos,
letras repletas de poesia e conteúdo.
Finalmente, após um longo período
de crise no rock nacional, onde mais se
parecia reciclar estilos do que apostar
em novos talentos, chega às lojas
um álbum fenomenal: “Admirável
Chip Novo”, da cantora e compositora
Pitty.
Já
há alguns anos Pitty é uma
figura conhecida da cena alternativa,
quando encabeçava o Inkoma. A primeira
demo da banda de hardcore atingiu a inimaginável
marca de 1.500 cópias vendidas,
algo muito raro no underground brasileiro.
Seu
novo disco ainda reflete um pouco do peso
do Inkoma, mas não se prende somente
a isso. Pitty passa pelo Nu Metal, pelo
hard rock, além é claro
de não esconder influências
do jazz, do erudito, e do popular. Tudo
isso ainda incrementado com o belíssimo
vocal de Pitty, imponente, marcante, sensível,
com um feeling digno de uma diva.
De
cara, “Teto de Vidro” abre
o disco com tapete vermelho. Um refrão
chiclete sim, daqueles que você
sai cantarolando a qualquer momento. Mas
quem pensa que é pop se engana.
É hard rock puro. Pesado e sem
frescuras.
A
segunda faixa do disco “Admirável
Chip Novo”, que batiza o álbum,
é uma forte crítica ao sistema
capitalista e à indução
de consumo por parte da classe que domina
o povo. Entretanto, nada de clichê,
nenhuma tentativa de se criar uma nova
“Geração Coca-Cola”.
Pelo contrário, é algo totalmente
novo, uma grande brincadeira com as palavras,
numa fábula de ficção-científica,
onde a própria sociedade acaba
se tornando um robô manipulado por
um sistema maior (que por acaso encontra-se
em pane total).
“Máscara”,
primeiro single do álbum, e música
responsável pela explosão
de Pitty no mainstream, dá continuidade
ao espírito poético-revolucionário.
Uma música sincera que fala sobre
a máscara que envolve a personalidade
de cada um. Uma crítica à
autenticidade das pessoas, muitas vezes
ocultas atrás de uma farsa para
serem aceitas por uma sociedade hipócrita
e castrante.
A
faixa seguinte, “Equalize”,
uma belíssima balada, demonstra
um lado mais romântico de Pitty,
sem deixar de lado a originalidade, com
uma letra que compara o amante a uma obra
de arte perfeita, sempre fazendo alusão
a uma música perfeita.
“O
Lobo”, é mais uma experiência
pesada, e irônica. A comparação
do homem com o animal lobo é, ao
mesmo tempo, simples e complexa. A caça
é o próprio caçador.
Um retrato fiel da capacidade do homem
em se autodestruir e dizimar sua própria
espécie, sem respeito ao próximo
ou sequer pensar no futuro.
“Emboscada”,
é uma espetacular performance que
viaja por diversos estilos sonoras. Uma
música que fixa na memória,
novamente calcada em cima da poesia. A
precisão com que Pitty manipula
as palavras apimenta o clima rápido
dessa faixa.
Chegamos
a uma das canções mais pesadas
do disco, “Do Mesmo Lado”.
Mesclando o hard, com o metal, num ritmo
totalmente quebrado. Guitarras, bateria,
baixo, e vocais rasgados. Uma indescritível
fúria cujas palavras não
podem definir. Ainda mais numa letra repleta
de questões que nos fazem refletir
sobre nós mesmos. Resumindo, um
som pesado, beirando a perfeição.
Melodia
pura, num arranjo suave e preciso. Não
é necessário falar que a
letra complementa “Temporal”,
a mais doces canção do disco.
Violões, violinos, violoncelos
passam, na medida certa, o clima da música,
numa combinação minuciosa
de letra-melodia-ritmo-hamonia.
Antimaterialismo, embalado em riffs pesadíssimos,
refrão melódico, e muito
ritmo. Assim é “Só
de Passagem”. A letra é bastante
interessante, mostrando que as posses
não são seus donos e vice-versa.
Com final que faz contra-ponto com o decorrer
da canção, pode-se notar,
muito bem, o grande ecletismo e pluralidade
estilística de Pitty.
“I
Wanna Be” é um rápido
punk-rock, que mistura inglês com
português, numa letra 100% metafórica,
numa combinação que resulta
num psicodelismo (com direito a uma cítara),
poético-musical.
Fechando
o disco com chave de ouro, “Semana
que Vem”, divide bem o peso dos
arranjos com melodia embalada. Fortes
influências do Nu Metal e do grunge,
numa poesia depressiva (mas que em momento
nenhum tenta copiar os temas de Cobain
e Vedder). A música, bastante melancólica,
sugere, o tempo todo, uma grande reflexão
sobre o dia de amanhã, o futuro,
e o tempo perdido.
Com
“Admirável Chip Novo”,
Pitty marca um novo momento na história
do rock brasileiro. Além de abrir
as portas para um rock pós-adolescente
pesado, original, e sincero, ainda rompe
com o clichê de que não se
produz rock na Bahia (terra dos roqueiros
Raul Seixas e Camisa de Vênus).
Isso fica definitivamente enterrado após
se escutar atenciosamente este disco,
que não deixa nada a dever a qualquer
obra do gênero (sendo muitas vezes
superior à grande maioria de discos
que mesclam hard rock, punk, e nu metal
com outros estilos). Um disco obrigatório
para quem curte poesia, reflexão,
e principalmente, rock de verdade. |