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MATANZA - Santa Madre Cassino

É muito fácil definir o estilo de som que o Matanza faz, trata-se de uma mistura muito bem feita de country, blues, hardcore e thrash metal, pra ser mais claro, é mais ou menos um Motorhead em português, inclusive pelo visual do vocalista Jimmy que lembra muito o mestre Lemmy Kilmister.

Esse é primeiro full lenght desta banda que executa um som muito pesado com uma dose cavalar de bom humor. São quatorze faixas muito boas, certeza de diversão do início ao fim.

Capetinhas gostosas, lugares infestados por bandidos, noitadas regadas a goró em bares onde até as moscas parecem ser mortas a bala. Este é o divertidíssimo universo desenhado pelos cariocas do Matanza.

O compositor do bando, Donida, passa horas debruçado sobre pranchetas e teclados para criar histórias em quadrinhos e desenhos animados, e assim, define o personagem e bola uma historinha sinistra, ao qual o também guitarrista está acostumado, que nascem as situações descritas nas letras.

A faixa-título é um exemplo disso. Com uma levada em que o hardcore deita nas assumidas raízes country do quarteto, a música fala de um convento que virou antro de jogadores, daí o nome “Santa Madre Cassino.

O disco abre com a candidata a hit "Ela Roubou Meu Caminhão", que fala de um ex-presidiário que fica sem a mulher e sem a carreta. O pobre diabo tinha até tatuado o nome da ingrata, além de ter pensado nela todas as noites dos dez anos que passou enjaulado. Para quem acha que isso já é castigo demais, é só esperar pelo clipe da canção. Esse tom de exagero recheia praticamente todas as faixas, mas às vezes dá numa história de amor como "Mesa de Saloon". Uma linda história de amor, aliás, que também tem cadeia, mulher e uma máquina.
Dessa vez, no lugar de um caminhão o cenário se completa com um conversível. E a mulher não é menos apimentada. "Foi numa mesa de bar que a conheci/ Bem no meio do saloon me apaixonei/ E logo na manhã seguinte eu descobri/ Com ela não consigo mais viver dentro da lei", canta Jimmy num de seus melhores momentos.

Tem bandidagem, urros e solos brilhantes, mas não é difícil de digerir pois o som do Matanza é algo muito acessível, mais ou menos como eram os Raimundos anos atráz. O Matanza é isso aí: um trago, uma mordida no cangote das capetas no saloon e um jogo de cartas noite adentro. Para dizer que não é bom, trate de ser mais rápido no gatilho do que os caras. Peraí... talvez nem isso adiante. Em "E Tudo Vai Ficar Pior", Donida vestiu o paletó de madeira mas acertou com o coisa-ruim a chance de fazer sofrer o seu algoz quando este desse as caras no inferno. O negócio é curtir o som e não mexer com os caras pois parecem ser todos bandidos perigosos.

 

 

 
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