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IRA! - Acústico MTV

Nos anos oitenta, durante um apresentação em um especial de natal do programa do Chacrinha, onde todas as bandas tinham que entrar no palco usando um gorrinho ridículo de papai noel, onde o filho do velho guerreiro, produtor do programa e rei do jabá, disse, “Quem não quiser usar o gorro pode sair por aquela porta”, as outras bandas que deviam estar mais interessadas no dinheiro ficaram, o Ira! se levantou e foi embora.

Desde então, a banda passou a ser perseguida pela mídia que não os queria em seus programas. Assim começa uma história de rebeldia por traz das câmeras, o Ira! lutou por muitos anos no underground e se manteve firme em suas decisões, se tornando uma das mais respeitadas do história do rock nacional.

Após um tempo longe da grande mídia, o Ira! retorna a todo o vapor, mais uma vez o acústico MTV traz de volta uma banda nacional oitentista, o primeiro CD da serie acústico MTV do ano de 2004.

São 16 faixas que mostram as novas gerações parte da historia dessa clássica banda do nosso punk rock, se bem que desde os anos noventa pra cá, o Ira! está mais pra folk rock do que pra punk, por isso, esse pode ser considerado um disco importante da história do rock.

“Pra Ficar Comigo” abre o disco, seguida pelo clássico “Girassol”, uma faixa conhecida apenas dos grandes fãs da banda, pois foi gravada apenas em uma fita demo no inicio da carreira da banda e jamais havia entrado em um álbum, e que somente agora, tem seu primeiro registro fonográfico.

“Flerte Fatal” é a terceira faixa, e logo depois o hit “Duas de Luta”, a quita faixa é “Tarde Vazia”, e tem a participação especial de Samuel Rosa do Skank. O disco segue com “15 anos” e “Rubro Zorro” a oitava é outro clássico, o hit “Flores em Você”, a próxima é “Eu Quero Sempre Mais” que tem participação especial da roqueira Pitty, fazendo uma integração do velho e do novo rock nacional.

“Poço de Sensibilidade” é a décima faixa do álbum que segue com “Por Amor”, “Ciganos”, “Boneca de Cera”, “Tanto Quanto Eu” e o grande clássico da banda “Envelheço na Cidade” que tem participação de Herbert Viana e os Paralamas do Sucesso. O álbum termina com toda a rebeldia da faixa “Núcleo Base”.

A banda se encontra em um momento muito bom, e isso contribui em muito para a realização desse excelente trabalho, vale ressaltar a técnica invejável do brilhante guitarrista Edgar Scandurra, um dos melhores guitarristas do Brasil.

 

 

NASI - Onde os Anjos Não Ousam Pisar

Onde os Anjos Não Ousam Pisar é o novo disco solo do vocalista do Ira! Na verdade, pode ser considerado o primeiro, já que os outros ele gravou com os Irmãos do Blues e eram discos basicamente de...bem, de blues.

Dizem que tem mais de ano que as músicas estavam prontas e o projeto só patinava. O premiado produtor Apollo 9, que esteve por trás dos discos do Mundo Livre S/A, por exemplo, assumiu as rédeas e a Sony decidiu acreditar. O resultado é um disco estranho — o que talvez seja uma qualidade.

A crítica gosta do Nasi, ele é um sujeito legal. Eu estive com ele por três vezes, um cara simples, normal. Todos sabem que ele é grande conhecedor da música nacional. No período em que esteve com Marisa Monte ele introduziu-a (ops) à Tim Maia, Julinho da Adelaide e até ao Beto Guedes (argh), quem sabe? Nasi tem um pé nesse passado soul-rock-de-raiz-algo-caipira em alguns momentos e, ao mesmo tempo, tenta se manter ligado no que rola nas atualidades.

Ele foi o primeiro roqueiro brasileiro a fazer scratches ao vivo, no palco, durante a turnê de Psicoacústica, o cultuado disco do Ira! Foi um dos primeiros do mainstream (afinal o Ira! já tocou em abertura de novela da Globo) a botar fé no rap nacional, produzindo Thaide e DJ Hum. Enfim, o cara tem MUITA informação musical.

E tem uma voz legal, digam o que quiserem os detratores. A voz para o rock deve ter personalidade. Quer afinação? Vai ouvir ópera! Taí Dylan, Reed e Tom Waits que têm vozes detonadas, Deus me livre! Uma coisa curiosa é que o cantor usa vários efeitos de voz nesse disco, e fica tudo bem legal.

Das 12 canções, apenas 2 não são dele; uma é do Roberto/Erasmo, outra é do Zé Rodrix com Etel Frota. Tem uma versão de uma dispensável canção de Otero/Beiserman (?). As outras nove são dele solo ou com parceiros. É um disco feito entre amigos.

Musicalmente, Nasi passeia por estilos, injeta elementos e instrumentos estranhos em canções de estilos diferentes; o disco tem hammond e acordeon, trombone com surdina, flauta transversal, atabaque e mellotron. Não fossem alguns purismos, como no blues 'Eu não me canso de dizer' ou no vaudeville de 'Você me Usou' ou ainda no rock-orquestrado-maconheiro da faixa-título, o disco chamaria atenção de Beck (o músico americano liquidificador-musical).

Letristicamente falando, Nasi não tem a ingenuidade de Scandurra e parece sempre querer soar um tiquinho mais MACHO. Não é de todo ruim, pois comete 'Pistola na Mão' ("Eu sei o seu mal / Seu mal é não dar") ou 'Quero ser seu Homem' ("Não quero me casar / Apenas quero ser seu homem"), música levanta galera com refrão facinho. A música termina assim: "não fica doente pela paixão, a mulher é como sombra, se você corre atrás ela foge, se você foge ela corre atrás". O disco do Nasi é pra quem ainda gosta desse tipo de graça. Eu gosto.

Por: Luiz Biajoni (www.verbeat.org/blogs/biajoni)

 

 

 
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