HANGAR
- Inside Your Soul
Já
tendo lançado seu segundo álbum,
ou seja, “Inside Your Soul”,
o Hangar confirma sua forte presença
no cenário brasileiro entre os
fãs de heavy metal. Primeiramente,
é preciso dizer que a banda veio
com uma proposta aperfeiçoada,
em comparação ao seu primeiro
trabalho: “Last Time”. O
peso constante caracteriza parte disso
e podemos notar que, somado a este fato,
o crescimento e amadurecimento instrumental
e de produção foi algo
que superou muito as expectativas.
O
Hangar foi daquelas bandas que já
iniciaram suas atividades como verdadeiros
profissionais, e a tendência evolutiva
se confirmou aqui. O que está
sendo dito pode ser provado se escutarmos
a faixa- título, pesada e rápida,
com uma bateria estupenda e riffs verdadeiramente
inspirados e próprios para uma
abertura digna de nota máxima;
aliado a isso, temos um refrão
vibrante e solo melódico. Dando
continuidade, “The Massacre Triology”
é dividida em três partes
interessantíssimas: “Part
I – Sailing the Sea of Sorrow”
traz peso com pique arrastado e até
mesmo faraônico por vezes, além
de alguns pequenos efeitos nos vocais
e muita rapidez nos pedais da bateria;
“Part II – To Tame a Land”
(nada a ver com Iron Maiden!), como
continuação, apresenta
belos dedilhados e teclados que antecedem
a aceleração existente
e que nos faz lembrar um heavy melódico
com excelente trabalho em bases de guitarra;
“Part III – Five Hundred’s
Enough” mostra um heavy classudo,
onde só faltou um vocal mais
agressivo.
E
não a toa o Hangar veio para
se firmar, tanto que “Savior”
é um ótimo exemplo, sem
contar “Legions of Fate”
que mostra um dos melhores (senão
o melhor) bateristas do país;
é ponto alto do álbum.
Já as duas partes de “Living
in Trouble” se destacam por serem
agressivas e possuírem desempenho
instrumental notável. “No
Command” e “Falling in Disgrace”
revelam um Hangar menos preocupado em
detalhes, partindo mais para um campo
direto e reto. Para finalizar, escondida,
se encontra o cover de “Perfect
Strangers” do Deep- Purple. Bem,
fã é fã, e dificilmente
aceitará qualquer mudança
num clássico consagrado. A banda
manteve os teclados praticamente no
mesmo timbre que o original e as bases
tiveram algumas alterações
em face da bateria, que por vezes descaracterizou
a música. Já o vocalista
cantou num tom idêntico a James
La Brie (Dream Theater), no memorável
cover que se encontra no álbum
“ A Seassons of Change”,
obtendo ótimo resultado.
Enfim,
é algo que depende de interpretação.
Individualmente, Michael Polchowizc
melhorou desde o primeiro álbum,
passando a cantar de maneira mais contida
e natural e, assim, passando a integrar
o “hall” de vocalistas do
1º escalão no Brasil; é
verdade que uma vez ou outra, nesta
proposta com mais peso do Hangar, fica
faltando mais agressividade em sua voz.
Eduardo Martinez é um destaque
por sí só, já que
as bases e riffs de guitarra beiram
o absurdamente perfeito!
Seus
solos também se destacam, e é
mais um para a lista de guitarristas
privilegiados por aqui. Nando Mello
também tem participação
importante, já que, em comparação
com “Last Time”, o Hangar
tenha optado por um instrumental mais
elaborado; o baixo está mais
encorpado, o que preenche com maestria
todas as composições.
Por
fim, Aquiles Priester...o que falar
dele? Que é o melhor batera de
metal no Brasil? Que foi a escolha exata
para o Angra? Somente ouça com
atenção “Inside
Your Soul” e sinta a fúria
contida em suas batidas e viradas. Sobre
os convidados especiais, temos as presenças
de Fábio Laguna (atual Victoria,
toca todos os teclados), Ronaldo Simolla
(vocalista do Delpht) e Eduardo Ardanuy
(Dr. Sin). Quanto a produção
– é de Aquiles Priester
- , está perfeita! Coisa de padrão
internacional, mesmo. O mesmo vale para
a ilustração de capa,
além da luxuosa embalagem. Por
fim, a verdade é que o Hangar
deu seu maior passo, e se a seqüência
for tão bem sucedida... Saibam:
a banda não é promissora;
o seu sucesso já é real!