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CARTOON
- Martelo
Ouvir
os mineiros do Cartoon é, sem dúvida
uma felicidade imensa. É ter a
certeza que o bom e velho rock n’
roll está vivíssimo e muito,
muito bem representado. Se vocês
quiserem ter uma idéia da sonoridade
da banda, é só colocar tudo
de melhor que existiu no rock, principalmente
o progressivo, dos anos sessenta e setenta
e misturar bem. Para fãs de Yes,
Jethro Tull, Rush, Emerson, Lake and Palmer,
Frank Zappa e outras bandas do gênero,
Cartoon é uma verdadeira viajem
pela era dourada do rock e, mesmo sendo
um amalgama de tudo isso que foi citado,
eles conseguem ser bastante originais.
“Martelo”, primeiro trabalho
da banda, lançado em 1999, possui
uma produção impecável.
A gravação é perfeita
e o projeto gráfico do encarte
é bonito e divertido, possuindo
inclusive, no centro deste, uma parte
que se levanta, como nos livros infantis,
revelando os cartoons dos integrantes
da banda, representados como duendes.
As
letras, com exceção de First
Lake Conclusion são todas em português
e trazem mensagens positivas e bem humoradas.
As canções são todas
muito bem trabalhadas, técnicas,
com viagens à la Frank Zappa e
vocalizações que muito lembram
Queen.
E
por falar em técnica, isso é
o que não falta para Boxexa (teclados,
castanhola e voz), Khadhu (baixo, violão
gaita, esraj, sitar e voz) Vlad (guitarras,
violão, baixo e voz) e Bhydhu (bateria
e percussão). Ousaria dizer que
Khadhu é o melhor baixista/vocalista
do Brasil e está entre os melhores
do mundo.
Os
únicos pontos negativos deste grande
álbum são a música
O Amor, um sambinha, que apesar de muito
bom, está totalmente fora do contexto
e uma eventual falta de coesão
nas junções entre as muitas
e variadas partes das músicas,
problema comum entre muitas bandas de
rock/metal progressivo, porém,
totalmente perdoável, haja vista
a dificuldade de se fazer músicas
do estilo.
Destaque para as faixas Duend’s,
Estagnação, a ótima
A Verdade Sobre os Incas, O Tempo e First
Lake Conclusion, que conta com a participação
de Renato Savassi na flauta.
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CARTOON
- Bigorna
Em
2002 o Cartoon lança o álbum
que vem a ser “a primeira ópera
rock brasileira”. “Bigorna”,
cujo subtítulo é The Real
History of King Arthur & The Knights
of the Round Table (a verdadeira história
do Rei Arthur e os cavaleiros da távola
redonda), apresenta-nos um Cartoon mais
maduro e com um som mais consistente.
A
proposta deste trabalho conceitual é
fazer uma releitura bem humorada da lenda
do Rei Arthur, que teve sua espada Excalibur
substituída por um martelo (o mesmo
do primeiro CD) e, de alguma maneira,
Robin Hood também acaba entrando
na história.
Este trabalho marca também a saída
de Vlad da banda. Em seu lugar entra Kiko
(guitarra e voz), que substituiu muito
bem seu antecessor. Khadhu, Kiko, Boxexa
e Bhydhu contaram também com a
ajuda de uma “pequena orquestra”
para a realização deste
álbum.
Participaram
– Lincoln Meirelles (piano, órgão
Eminet 650 e teclados), Kristoff Silva
(violão de 6 e 12 cordas e voz),
Robson Fonseca Ferreira (violoncelo),
Lúcio Gomes (baixo acústico),
Antônio Carlos Magalhães
(cravo), Chico Amaral (sax) e Anor Luciano
Júnior (trompete). O resultado
da participação de toda
essa turma é uma sonoridade rica
e profusa.
Como no álbum anterior, toda aquela
salada de influências está
presente, só que, desta vez, a
banda conseguiu imprimir ainda mais sua
cara à música que eles fazem.
Fica evidente, pois, a grande seriedade
desses talentosos e virtuosos músicos.
As variações nos vocais
são muitas e dão um lado
bastante teatral à interpretação
das músicas. Devido à qualidade
do álbum fica difícil destacar
algumas faixas, mas, King’s Song,
Guinevere, March of Despair e Apocalypstic
Man merecem atenção especial.
Mais uma vez, destaque para a parte gráfica
do trabalho, que é acompanhado
por uma revista em quadrinhos que conta
a história e faz as vezes de livreto
de ópera.
Concluindo, “Bigorna” já
nasceu clássico e é obrigatório
para todos os fãs de rock progressivo.
Enquanto você não compra
o seu, pode dar uma conferida nos mp3
disponíveis no site da banda (www.bandacartoon.com.br). |