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BON
JOVI - The Circle
Por:
The New York Times
A
reutilização da linha do
baixo de “Livin’ on a Prayer”
em “Work for the Working Man”,
faixa do 11° álbum de estúdio
de Bon Jovi, The Circle, não é
uma repetição casual. Em
1986, “Livin’ on a Prayer”
marcou o Bon Jovi como uma banda que se
preocupava com o significado de suas canções,
ou pelo menos fingia fazê-lo, ao
mesmo tempo em que partia os corações
das fãs e não se descuidava
do penteado. Vinte e três anos depois
o Bon Jovi se tornou uma banda por inteiro,
tendo se livrado, a muito tempo, de seus
vícios e sprays de cabelo. Mas,
enquanto seus álbuns anteriores
pregavam a esperança, The Circle
é determinantemente sombrio: a
atitude animada peculiar da banda se dissipou
neste álbum, em canções
descaradamente mais nervosas do que em
toda a carreira do Bon Jovi.
Essa
é uma resposta perfeitamente razoável
ao envelhecimento: o cinismo acaba se
tornando mais forte com o passar dos anos.
Na verdade, este é mais um passo
na transformação lenta e
certeira de Jon Bon Jovi em John Mellencamp,
artista que tem orgulho de mostrar sua
autenticidade regional e que já
abandonou este tipo de rock agitado e
acessível que o Bon Jovi mal está
começando a fazer.
Em
conformidade com o tema do álbum,
o proletariado está presente em
todas as partes de The Circle, mostrando-se
indignado, porém digno. “Aqui
estou eu tentando me virar/ Não
estou vivendo somente para morrer”,
canta Bon Jovi em “Work for the
Working Man”. A faixa “Live
Before You Die” não transmite
tanta urgência quanto pessimismo
em relação aos obstáculos
da vida: o título vem seguido de
um “se você conseguir”
subtendido.
“Olhe
para esses olhos cansados/ Eles estão
voltando à vida”, canta Bon
Jovi em tom de clamor na faixa “Happy
Now”, direcionada aos pessimistas
de plantão: “Deixe-me acreditar
que estou construindo um sonho/ Não
tente me desmotivar”. Mas, mesmo
enquanto Bon Jovi se mostra solidário
ao homem comum, sua voz raspada nunca
transmite o sentimento de sofrimento ou
dor. E, embora os arranjos sejam levemente
mais sombrios do que em seus álbuns
anteriores, os refrões cheios de
emoção ainda exercem uma
força magnética sobre a
banda, sua ambição de grandeza
ainda parece mais forte que sua ambição
de importância.
Nas
faixas “We Weren’t Born to
Follow” e “Thorn in My Side”,
o guitarrista exibicionista Richie Sambora
consegue chamar a atenção.
Mas, apesar de revigorantes, tais momentos
parecem ser de indulgência –
raros são os flashes de instintos
primitivos em uma banda que agora se move
com um propósito comum. |