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ANGRA - Temple of Shadows

Uma das maiores e melhores bandas de todos os tempos dentro do chamado Metal Melódico lança o seu mais novo álbum de estúdio – Temple of Shadows. Após o mediano Rebirth (o primeiro com a nova formação), o Angra felizmente renasce musicalmente falando, pois o que se ouve neste trabalho são músicas altamente técnicas e bem variadas, a despeito de haver um clichê ali e outro acolá.

O conceito deste trabalho está ligado às cruzadas do século XI, onde um cavaleiro chamado The Shadow Hunter passa a questionar os ideais e direcionamentos da Igreja Católica. As aventuras desse cavaleiro são contadas nas faixas, sendo que cada uma delas é um capítulo de toda história criada pelo ótimo letrista Rafael Bittencourt.

Musicalmente falando, o Angra evoluiu ao se comparar com o primeiro lançamento dessa nova formação – as músicas estão mais coesas, a banda mais entrosadas e a gravação está bem melhor, exceto a da bateria que não tem um som tão poderoso como o do baixo, por exemplo. A parte gráfica é uma das melhores vista em um CD do Angra, tudo com muito bom gosto. Antes de cada música há um pequeno texto introdutório que dá a sensação que uma história está sendo contada.

Assim, passemos então a analisar as músicas. “Deus Le Volt”, como não haveria de ser diferente, é a introdução que todos estão acostumados a ouvir nos CD´s do Angra (à exceção do álbum Fireworks), pequena, abrindo espaço para a velocíssima “Spread Your Fire” (que conta com a participação de Sabine Edelsbacher da banda Edenbridge) – típica música para começar um álbum com força total, pena que nesta faixa o lado Angra foi meio que deixado de lado e as influências de Power Metal alemão são bem gritantes, notadamente o refrão, que remete à banda Blind Guardian e congêneres.

Seguindo temos “Angels and Demons”, música totalmente diferente de tudo que o Angra já fez; há nesta faixa uma pegada muito Prog Metal, com influências de Dream Theater e Symphony X. Sinceramente não gostei, principalmente da linha vocal de Edu Falaschi, a qual culmina em um refrão pra lá de chato. “Waiting Silence” é uma ótima música, principalmente pelo poderoso baixo de Felipe Andreoli, sempre com muita criatividade e originalidade.

“Wishing Well” é a balada de Temple of Shadows e a parte lírica desta faixa é uma das melhores de todo o álbum. As guitarras de Kiko e Rafael foram muito bem encaixadas e com muito feeling. Esta música me lembra algo da banda Sagrado Coração da Terra, principalmente nos primeiros álbuns. Seguindo temos uma das piores músicas compostas pelo Angra em sua brilhante carrreira – “The Temple of Hate”. Por quê? Pois a banda simplesmente faz o que quase todas as bandas de Power Metal Melódico fazem nos dias de hoje, ou seja, músicas enjoativas, sem feeling algum... Mesmice! E pode piorar? Claro que sim, porque ainda temos de bônus a ridícula participação de Kai Hansen que só deixou ainda pior uma música que já é desprovida de quaisquer atrativos (guitarras à velocidade da luz e bumbo duplo o tempo todo não dá para agüentar!).

Seguindo vem “The Shadow Hunter”, que tem como intróito algumas notas em violão de corda de nylon, mas logo já entram as guitarras e a cozinha mais que entrosada de Aquiles e Felipe. Nessa faixa o Angra mostra todo o experimentalismo que sempre marcou seus antigos trabalhos, deixando aflorar toda a criatividade da banda. Esta é uma das melhores faixas, mas senti falta de um refrão mais marcante. Todavia, os solos de guitarra compensam, pois são de um virtuosismo e feeling ímpares. Há também uma passem interessante – por volta de 4’18’’ – que lembra uma banda brasileira de Rock Progressivo chamada Cartoon e algo de Pain of Salvation também.

“No Pain For The Dead” também conta com um violão no começo, o qual dá espaço para a melhor interpretação de Edu Falaschi em todo CD, mas pena que nesta música temos novamente a participação de Sabine Edelsbacher. Nada contra a sua voz (que é muito bela por sinal), entretanto, vai ser bem complicado esquecer/substituir a voz da ‘frontwoman’ do Edenbridge nas apresentações ao vivo.

“Winds of Destination” é inegavelmente uma das melhores músicas, mas a participação de Hansi Kürschi é totalmente desnecessária. Aliás, acho que as participações “especiais” são muitas neste álbum e se juntarmos Hansen e Kürschi não conseguiremos nem fazer um meio Edu Falaschi. Mas marketing sempre fala mais alto. Voltando à música em questão, cabe dizer que é bem variada, pesada e com muitas passagens progressivas, com destaques para as linhas de guitarras e as singelas intervenções de teclado. Aquiles Priester também dá show de técnica! Mas definitivamente é difícil ouvir uma faixa que tenha Hansi cantando. No quesito “encher o saco” ele é imbatível!

Chegando então à melhor parte de Temple of Shadows temos “Sprouts of Time”, que tem sem sombra de dúvida o refrão mais marcante e empolgante de todo este trabalho e é repleta de variações harmônicas, o que torna a audição ainda mais atrativa. “Morning Star” é outra com ótimo refrão e é também a mais longa – por volta de sete minutos e meio –, sendo destaque, mais uma vez, o trabalho das guitarras infernais da dupla Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt. Acho que o Angra deveria trabalhar em músicas como essa, com riffs mais pesados, pois ao vivo tudo fica ainda melhor.

“Late Redemption” conta com a participação de Milton Nascimento, uma das melhores vozes do mundo, e é para quem vos escreve a melhor deste disco. O dueto do cantor mineiro (cantando em português) com Edu Falaschi é de arrepiar – prova de que não é necessário encher uma música com mil notas e solos rápidos para fazer uma ótima canção. Nesta faixa o feeling está acima de tudo e a simplicidade torna tudo ainda mais especial. Todos os integrantes da banda soam imbuídos em passar todo sentimento que Rafael criou nas suas letras, e Milton Nascimento (a única participação realmente especial em Temple of Shadows), por sua vez, mostra que a mistura de estilos, quando feita de maneira natural, sem forçar a barra, é sempre bem vinda. A derradeira é a faixa “Gate XII” – instrumental de muito bom gosto e faz um apanhado das demais músicas do álbum. Emocionante!

Enfim, o Angra é a prova viva de que dá para fazer metal melódico hoje em dia sem soar maçante e repetitivo, pois a qualidade de cada músico é latente e isso está esculpido em Temple of Shadows. No entanto, a banda precisa deixar de lado músicas como “Spread Your Fire” e “Temple of Hate” que soam igual a tudo que há no vasto mundo do Heavy Metal. A banda não precisa disso. Outra coisa: neste trabalho há boas músicas que só não são melhores pela falta de um refrão mais marcante. No mais, é continuar com a mente sempre aberta para compor e lançar bons CD´s como este, pois os fãs certamente irão agradecer.

 

ANGRA - Rebirth World Tour Live in São Paulo

O Angra fez mais de cem shows em treze meses, cruzou o Brasil inteiro e certamente passou perto de onde você está. Eis, portanto, uma excelente oportunidade para relembrar a eficiência que o quinteto mostrou no palco nos últimos tempos.

Esse CD foi gravado na estréia da nova formação em São Paulo, no show realizado no dia 15 de dezembro de 2001, no Via Funchal. A idéia, conforme a própria banda diz, era registrar o espetáculo em si, enfatizando a participação da galera e todo o clima que envolveu o show.

Assim sendo, pode-se dizer que a missão foi cumprida, já quem ouve as 18 faixas do disco, sente-se como se estivesse no show. "Nova era", "Acid Rain", "Rebirth" e "Carry On" são algumas das músicas que fazem a galera delirar e mostram uma banda afinada e entrosada. Para fechar, o inesperado cover de "The Number of the Beast", onde as guitarras de Kiko e Rafael marcam presença. Rebirth World Tour Live in São Paulo está saindo também em DVD, com muitos atrativos extras.

 

ANGRA - Rebirth

Com a separação da banda e com a entrada de três novos integrantes, houve, por conseguinte, uma mudança muito grande no som, que está mais melódico, ficando também mais europeu, mesmo utilizando algumas características, mal feitas por sinal, de músicas brasileiras.

Vale destacar que o timbre das guitarras também mudou, dando um ar muito diferente de outrora. Rebirth é o típico CD que uma banda faz para não correr riscos.

Com composições sem criatividade, com riffs e estruturas musicais copiadas, o Angra fez um álbum que, de alguma maneira, agrada a maioria dos gregos e troianos. Os novos integrantes, à exceção do vocalista Edu Falaschi, não substituíram seus predecessores à altura.

A banda utilizou excessivos solos virtuosos, longos e, às vezes, desconexos com o restante da música, coros "Rhapsodyanos" de mau gosto e péssimos arranjos de teclado. O tecladista convidado para gravar o CD foi Günter Werno, que deixou muito a desejar, assim como os já citados arranjos de teclado composto pelo guitarrista Kiko Loureiro.

Destaque para Millenium Sun, Acid Rain e Jugement Day (disparada a melhor do CD). Destaque também para a excelente produção de Dennis Ward (Pink Crem 69) e para a parte gráfica: muito boa, elucidando perfeitamente o conceito do CD.

Este álbum também conta com a pior música já feita pelo Angra em toda sua carreira - Visions Prelude - uma adaptação de Chopin (imitando Lasting Child do Angels Cry) muito sem graça e que não empolga nem bêbado em baile de carnaval.

O que poderia ser o renascimento do maior expoente do Heavy Metal tupiniquim, infelizmente, não vingou. Fica a torcida para que em 2003 a banda realmente renasça.

 

ANGRA - Fireworks

O Angra dessa vez praticamente abandonou o metal melódico. Talvez tal fato tenha ocorrido em virtude da produção ter ficado a cargo de um produtor inglês, que trabalha com bandas de Heavy Metal Tradicional.

Estou falando do famoso Chris Tsangarides (produziu o aclamado álbum Painkiller - Judas Priest). Mas isso não influiu na qualidade das composições. As músicas têm uma pegada mais oitentista, com o usa maior de riffs, menos teclados e com uma cozinha que realmente destruiu.

Até a maneira de cantar do André Matos mudou. Seus agudos tornaram-se mais escassos, mas, em compensação, mais bem encaixados. Sua voz está mais suave também.

Destaque para todas as faixas, principalmente Wings of Reality, que parece até um hino, Paradise, com um ambiente bem dark e Lisbon, simplesmente fantástica. Há uma curiosidade sobre esta música: quando o Angra estava na turnê do Angels Cry (tocando em Portugal), ao caminhar pelas ruas de Lisboa, Matos ouviu uma velhinha mendiga cantarolando, donde, assim, extraiu a melodia e compôs esse clássico. Que criatividade!

 

ANGRA - Freedom Call
Por Thiago Dantas

Em 1997, depois do bem sucedido Holy Land o Angra lançou o EP Freedom Call enquanto preparava o seu terceiro CD de estúdio. O álbum é bastante diversificado contando com covers de outras bandas, versões orquestradas, músicas da primeira demo e outras coisas mais.

O CD abre com a animalesca faixa Freedom Call que não é exatamente uma faixa inédita, pois já havia aparecido em um bootleg não-oficial da banda chamado Eyes of Christ que contém músicas do Holy Land, Freedom Call e Hunters and Prey (sim o próprio!) na voz de André Matos. Com um riff bem pesado e solos realmente virtuosos o CD começa com o pé direito.

Depois aparece Queen Of The Night da primeira demo da banda chamada Reaching Horizons e que não entrou no Angels Cry. Aqui aparece remixada, um pouco diferente da primeira versão.

Em seguida aparece a faixa Reaching Horizons da demo de mesmo nome. Uma das músicas acústicas mais belas do Angra, que inexplicavelmente não entrou no Angels Cry. Como sinal de respeito aos fãs o Angra preferiu trazê-la intacta do original pois se tentassem melhorá-la acabariam estragando-a.

No quarto lugar vem a faixa Stand Away retirada do Angels Cry que aqui aparece em uma versão orquestrada. O Angra consegui retirar todo o peso metal da música e deixá-la apenas com os instrumentos clássicos.

A quinta faixa é na minha opinião uma das maiores surpresas do disco. Nada mais nada menos que Painkiller do Judas Priest que o Angra havia gravado para o álbum A Tribute to Judas Priest - Legends of Metal, no qual o Angra tocou ao lado de bandas como Stratovarius e Blind Guardian. Nesse CD aparece em versão remixada.

A sexta faixa e talvez uma das de menos expressão do álbum é Deep Blue, que veio do Holy Land, e aqui aparece em versão editada. Sem nenhum comentário extra a ser feito essa não é das melhores do Angra.

A maior surpresa do CD são sem dúvida as faixas Angels Cry e Never Understand. Elas foram retiradas do lendário show acústico do Angra na Argentina, a FNAC. Nessas versões, que em alguns momentos chegam a superar as originais, o Angra converteu as músicas para o violão de forma brilhante. Novos arranjos e até mesmo partes de músicas de outros autores foram usadas, como o caso de Never Understand que vem precedida por Asa Branca. Além de tudo isso, as versões trazem uma platéia completamente empolgada.

 

ANGRA - Holy Land

Sem dúvida este é o trabalho mais ousado do Angra. Usando muitas influências afro-brasileiras tanto na parte musical quanto nas letras, os membros da banda conseguiram transmitir, de maneira sem igual, sua mensagem.

Neste segundo álbum, a banda não ficou somente calcada no Metal melódico, empreitando-se por outras vertentes do Heavy Metal. Um CD simplesmente fantástico, com músicas muito bem trabalhadas e arranjadas.

Vocalizações bem encaixadas. Destaque para todas as faixas. Mas, há uma que chama muito a atenção - Carolina IV. Onde a letra da música conta a história de uma embarcação e seus percalços .

Muito interessante. O álbum é conceitual, com o tema voltado para o descobrimento do Brasil. Justificado nas letras das músicas (com na canção supra) e também na sonoridade.

A parte gráfica também é fenomenal. Um encarte feito em forma de um mapa. Um dos melhores trabalhos de todos os tempos, em se tratando de nossa arte underground.

 

 

ANGRA - Angels Cry

Fazer resenhas dos CD's do antigo e verdadeiro Angra é algo complicado para qualquer um, uma vez que todos são geniais, mormente essa obra prima do Metal Melódico.

Angels Cry é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores CD's do referido gênero, de todos os tempos. O álbum começa com a introdução Unfinishe Allegro, onde esta se encaixou perfeitamente com o maior hit da banda - Carry on, música com um punch matador, arranjos de guitarra e teclados perfeitos, uma bateria coesa e com a voz inconfundível de André Matos.

O CD segue com Time, um melódico meio progressivo muito cativante, com um refrão que gruda mais que chiclete no cabelo. Posteriormente, vem a faixa-título, uma canção muito bem orquestrada, com arranjos perfeitos e um refrão matador. Stand Away inicia-se com um dedilhado muito bem trabalhado, de repente, a música toma uma guinada, ficando numa tonalidade muito alta.

Destaque total para a voz do André - fenomenal! Never Understand é, digamos, um Baião Metal (desculpe-me pelo neologismo), música de criatividade ímpar, que finda com um solo avassalador.

A sétima faixa do álbum é um cover da famosa cantora Kate Bush - Wuthering Heights. Esta canção foi muito bem trabalhada pela banda.

E se alguém pensava que o vocalista não conseguiria alcançar o tom dá música, enganou-se, vez que cantou, por incrível que pareça, mais alto que a citada cantora. Streets of Tomorrow e Evil Warning, são duas múscas fantásticas, com riffs e solos que deixam qualquer um boquiaberto e com um baixo muito bem executado por Luis Mariutti, é um dos pontos de destaque do CD. A última faixa, é uma canção erudita muito bem adaptada pelo vocalista e tecladista André Matos. Uma escolha perfeita para finalizar está obra-prima do Heavy Metal.

 

 

 
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