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| CAPITAL INICIAL – Enfim, um novo álbum!
O vocalista do Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, divulgou uma nota no site oficial da banda comentando sobre o novo álbum que já está pronto. Confira na integra os comentários de Dinho. A minha vida as vezes parece uma novela. Daquelas das oito ,bem dramáticas. Capítulo de final de ano: acidente. E agora, será que o cara tão cheio de energia vai se recuperar? Não perca os próximos capítulos. Nossa, o cara pegou uma infecção hospitalar, mesmo que escape, ele não será mais o mesmo. Confira amanhã. Mas chega dessa novela, é melodrama demais pra ser verdade. Tô de saco cheio. Acho que na verdade tô de saco cheio de não dar shows. Tô morrendo de tédio. Passei a maior parte da minha vida na estrada e me acostumei a ser nômade. Quero que minha vida volte ao caos normal. Mas em Abril estamos de volta. Yeah! E
o primeiro passo já foi dado: acabamos o disco. Obá!
Quando acaba um disco, eu sinto duas coisas. Primeiro um alívio,
como se eu tivesse posto um ovo. E depois um frio na barriga…”ai
meu Deus, será que ficou bom?”. Produzir um disco,
assim como um livro , ou um quadro não é tão
difícil, afinal de contas vc vai preparando o trabalho meses
antes de entrar no estúdio. O problema é terminar,
dar por acabado. Se vc tiver a possibilidade, a chance, não
acaba nunca. Ah, essa frase poderia ter ficado melhor. Hmmm, será
que essa rima não é obvia. E por aí vai….Sim,
a verdade é que nunca fica perfeito, mas a imperfeição
é uma das maiores caracteristicas humanas. Mas, voltando
ao que interessa ,dessa vez tivemos muito tempo. Meses. O que acabou
sendo uma tortura, porque a cada semana eu queria voltar lá
e reescrever tudo. Eu só não sei se a tortura era
pior pra mim, ou pras pessoas em volta de mim. Como eu vinha de
um acidente, acho que todos tentavam ser bonzinhos comigo. “Olha
Dinho, não tá ruim, vc não é o pior
vocalista da Terra.” Eles eram capazes de dizer qualquer coisa
pra me fazer ir embora. Mas era inúti, no dia seguinte tudo
recomeçava. Acho que no final eu já fazia só
de sacanagem. Devo ter algo de sádico, porque comecei a gostar
de ver a cara deles com aquela expressão…”meu
Deus, o que será que ele vai refazer hoje ?”. Quando inventaram o CD, as bandas ficaram embevecidas. Nossa, eu posso fazer um disco de duas horas, oba! Mas o tempo foi passando a todos começaram a perceber que quase ninguém tinha paciência de chegar até a última música. E olha que isso acontecia mesmo com bandas que eu amava. Mas fala aí, as vezes o que é bacana num bom livro ou filme, é que ele flui. Ele tem começo meio e fim. Quando o meio não acaba mais, o que começou maravilhosamente acaba sendo um tédio. Teria sido melhor dividir em dois. Ainda mais hoje, com uma avalanche de informação, é preciso ser mais conciso. Eu reparei que várias bandas tem feito discos mais curtos. Killers, Kings of Leon, Muse, White Stripes…. É
gozado, parece que o mundo da música sempre caminha pra excessos.
Eles acabam sendo corrigidos, mas leva algum tempo. Nos anos setenta,
os progressivos. Nos anos oitenta, os new romantics, Nos anos noventa,
os discos intermináveis. Mas o equilibrio parece ter voltado.
Só o necessário é gravado, sem excessos, nem
auto indulgência. E é aí o xis da questão. Como saber se o que vc fez é bom? No fim, o único critério é o seu gosto. Não adianta mostrar pra um monte de gente. Na maioria das vezes, mesmo que odeiem, vão dizer que é bacana porque sabem a importância que aquilo tem pra vc. Ou são pessoas próximas ou fãs, que gostam mesmo, mas vc não sabe se gostam da música ou de vc. A opção seria mostrar pra alguém que odeia vc e sua música. Se bem que nesse caso, mesmo que vc aparecesse com o Nevermind, ele acharia péssimo. Então é melhor fingir que esse cara não existe. Enfim, no final, um disco é uma coisa meio solitária, assim como qualquer outro tipo de obra artística. Embora, no nosso caso, seja feito uma produção em grupo, não há como saber como ele vai ser acolhido. Não faz diferença que todos os envolvidos gostem. Somos todos suspeitos. A lição portanto, que os anos me ensinaram é faça pra vc mesmo. Assim mesmo, egoísta. Se algo der errado, vc sai feliz assim mesmo. E assim foi feito. Acho que é o melhor disco que já fizemos. Espero que vcs percebam as diferenças que procuramos introduzir. Tomara que as letras façam sentido. Resumindo, espero que vcs gostem tanto quanto eu. Tive meses pra revisar tudo, e está como eu quero. Como eu disse , eu sempre poderia mudar algo, mas tenho que largar o disco. Pronto, agora ele é de vcs. Divirtam-se e aumentem o volume. Abraços, Dinho
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