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Cogumelo comemora 30 anos.
Ao som da banda norte-americana Iced Earth, no Lapa Multshow, acontecem as celebrações de três décadas da gravadora que revelou para o mundo o jeito mineiro de fazer rock pesado.

Eduardo Tristão Girão - EM Cultura.

Originalmente instalada na Avenida Augusto de Lima, a loja Cogumelo hoje funciona num shopping na esquina da Rua São Paulo.

Com a tão falada (e sentida na pele) crise da indústria fonográfica, verificar que uma pequena loja de discos consegue comemorar décadas de funcionamento é algo notável. Aberta em 1980, a Cogumelo logo se tornou ponto de encontro de quem procurava por discos de rock em Belo Horizonte. Cinco anos depois, tornou-se também selo, com o lançamento de um álbum dividido por duas bandas então emergentes: Sepultura e Overdose. Atualmente incorpora uma terceira linha de atuação: a produção de shows, formando importante tripé de sustentação do negócio. A programação para comemorar a data começa hoje à noite com show da banda norte-americana Iced Earth, no Lapa Multshow. A festa terá sequência com shows da banda inglesa Benediction (19 de março), da holandesa Epica (11 de abril) e a sueca Marduk (17 de abril). Em agosto deverá ser realizado um festival com bandas do catálogo da Cogumelo e uma do exterior, além do lançamento de versão comemorativa de 25 anos do álbum Morbid visions/Bestial Devastation, do Sepultura, em embalagem digipack.

“Conseguimos sobreviver por causa da dinâmica da loja, apoiada na produtora de shows, na gravadora e editora...”, explica João Eduardo Faria, proprietário da Cogumelo. “Quando a gente produz um disco, já sabe que vai trocá-lo por outros com gravadoras de outros estados e países. Esse material é vendido aqui também. Existe um esquema de intercâmbio e parceria muito forte no mundo do heavy metal que não sei se existe em outros segmentos. Essa rede ajuda a vender produtos e mantém a cena forte. Além disso, o heavy metal, como estilo, nunca passou.”

A maior dificuldade, aponta João, é a pirataria: “Ela vai na base. Acaba com a rede de lojistas, com a gravadora e desmotiva o artista”. Já as mudanças de formato (vinil, fita cassete e CD), acredita, não chegaram a ser propriamente um problema. “Montamos a loja em plena era do vinil, em plena crise do petróleo. Falavam que mexer com disco era maluquice. O grande vilão era a fita cassete. Diziam que ela destruiria a indústria do disco. Na verdade não, pois o cassete era pirateado como forma de disseminação, as pessoas se encontravam para trocar músicas. Bandas que nunca tiveram disco lançado no Brasil até hoje são conhecidas aqui porque a divulgação era feita nesse mano a mano.”

Mesmo com a chegada do CD e do MP3, João aposta que o vinil resistirá como nicho segmentado. “O LP é uma das mídias mais bacanas de trabalhar e não se trata de nostalgia”, afirma. “Tanto para a minha geração, como para a meninada. Pelo tamanho da capa, qualidade da gravação, por tudo”, completa. É com satisfação que ele vê a reabertura da única fábrica de disco de vinil no país, no Rio de Janeiro, embora avalie como inadequados os preços que costumam ser praticados no Brasil. “Estão querendo vender LP para a elite. Não adianta querer vender LP por R$ 60 para brasileiro. No máximo, R$ 35 ou R$ 40”, calcula.

João tem certeza de que a diversificação das atividades da Cogumelo, além de importante para a saúde do negócio, é essencial para o fortalecimento da cena de heavy metal na cidade. “Também valorizamos muito esse pessoal da Grande BH e interior próximo. Tem gente que conheci frequentando a loja aos 20 anos e hoje tem 40. Continua comprando discos, faça a mulher dele cara ruim ou não”, diz. Não por acaso, a Cogumelo contabiliza hoje 120 discos gravados, com distribuição nacional, nos Estados Unidos e Europa, e 20 bandas de seu cast na ativa. “Se você quiser fazer um festival daqui a 30 dias, consigo seis bandas da década de 1980, cindo da de 1990 e umas 10 bandas novas”, garante.

 

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