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Metallica: Estádio do Morumbi - São Paulo/SP - Janeiro de 2010.
Por Eduardo Guimarães

Muito se pode dizer sobre o Metallica, algumas coisas nem tão boas. Principalmente se levarmos em conta a produção da banda desde o lançamento do álbum homônimo, ou “Black Album”, como também é conhecido o disco que levou o nome do grupo definitivamente ao primeiro time do Heavy Metal mundial.

Você pode ser daqueles fãs que acham que a banda morreu naquele disco. Talvez sim, apesar de “Death Magnetic” ser um álbum muito bom. Mas uma coisa ninguém pode dizer: que o grupo morreu no palco. Definitivamente, o que os fãs presenciaram na noite do último sábado, 30, em São Paulo, foi um dos melhores shows em território nacional dos últimos tempos.

Como acontece em eventos desse porte, a festa começa antes mesmo do show. Nas redondezas do Estádio uma multidão - prioritariamente vestindo preto - conversa, troca experiências e bebe. E como bebem! Bastava ver a quantidade de latinhas jogadas pelo chão. Alguns fãs, para garantirem um lugar mais próximo ao palco, até acampam nos canteiros próximos à entrada do Morumbi.

O estádio lotado - cerca de 68 mil pessoas, segundo a assessoria do evento - aguardava ansioso o início da apresentação. E não era por menos. Muitos ali veriam os ídolos pela primeira vez, já que o grupo não toca no país desde 1999. Outros poucos podiam se orgulhar de terem visto a banda em 1989, quando o Brasil recebeu o Metallica pela primeira vez. Mas antes disso, foi o Sepultura que subiu ao palco.

É do Brasil

Exatamente às 20h00 o Sepultura sobe ao palco com a introdução do novo álbum e apresenta “A-Lex I / Moloko Mesto”. Tocando em casa, a banda foi muito ovacionada pelo público e apresentou cinco músicas do álbum “A-Lex”, entre elas “What I Do!” e “Conform”.

Mas a verdade é que foi nos clássicos que o público realmente agitou muito. O repertório contou com “Refuse/Resist”, “Dead Embryonic Cells”, “Sepulnation”, “Inner Self”, “Slave New World”, “Territory”, “Arise” e “Roots Blood Roots”. Antes de apresentar “Troops of Doom”, Andreas Kisser foi ao microfone e dedicou a música aos familiares e aos integrantes do Metallica.

Nesse momento Kisser enalteceu o fato de estar tocando - segundo ele - no estádio do maior time do mundo. Caso alguém não saiba, o guitarrista é são paulino fervoroso. Obviamente a declaração de amor não passou em branco. Enquanto alguns gritavam concordando com o músico, outros vaiavam a plenos pulmões. O que já era esperado. Até o vocalista Derrick Green - que é palmeirense - soltou um “ah, cala a boca”.

A apresentação do grupo durou exatamente uma hora, mostrando uma pontualidade rara em shows grandes no país.

O show da platéia

Enquanto os técnicos trocavam os equipamentos e arrumavam tudo para o Metallica, a platéia também protagonizou um espetáculo. Com a arquibancada lotada, os fãs começaram a fazer aquelas ‘ondas’ erguendo os braços. A cena foi realmente muito bonita e a onda ia e voltava de um lado para o outro, com direito a salva de palmas da galera da pista ao final.

The Four Horsemen

No calor da noite paulistana - sem chuva após mais de 35 dias de caos - as luzes se apagam às 21h40 e nos dois telões instalados nas laterais do palco e no imenso telão central começa a ser exibida a introdução do show com cenas do filme “Três homens em conflito (Il Buono, il brutto, il cattivo)”, e a trilha “The Ecstasy of Gold”, do lendário Ennio Morricone.

Assim como em Porto Alegre, os quatro integrantes do Metallica sobem ao palco apresentando um de seus maiores clássicos, “Creeping Death”. Logo em seguida James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammet e Robert Trujillo apresentam “For Whom the Bells Tolls”, ambas do disco “Ride the Lightning”.

A música seguinte foi a primeira surpresa da noite: “The Four Horsemen”. Naquele instante estava comprovado que a espera de 11 anos tinha valido a pena e principalmente, como eu disse no início do texto, que ao vivo a banda continua uma das melhores da história do Metal.

“Harvester of Sorrow” e a bela “Fade to Black” encerraram a primeira parte de clássicos. Depois o Metallica apresentou três faixas de “Death Magnetic”: “That Was Just Your Life”, “The End of The Line” e “The Day That Never Comes”. Ao falar sobre o disco novo Hetfield perguntou ao público: “Vocês têm o álbum? Gostam do disco? Sim? Mais ou menos? Não?”.

Hetfield oferece a próxima música aos amigos do Sepultura e ao público presente dizendo que sabe que os fãs gostam de peso, assim como eles. A música é “Sad But True”. Com o palco todo escuro começa a introdução de “One”. O barulho das bombas é reproduzido por explosões que iluminam e até assustam os fãs próximo ao palco.

A partir dessa música o volume aparentemente ficou mais alto, o que causou um pouco de embolação no som, pelo menos para quem estava ali próximo ao palco. Outro momento cheio de explosões foi durante a execução de “Blackned”. Após “Enter Sandman” o grupo vai para os bastidores e volta para o esperado bis.

Dizendo que em todo show o Metallica presta uma homenagem a alguma banda que os influenciou, Hetfield anuncia que o homenageado da noite é o Queen, tocando em seguida “Stone Cold Crazy”. “Motorbreath” e “Seek and Destroy” são as últimas da apresentação.

Ao microfone Lars Ulrich diz esperar que a banda não demore outros 11 anos até voltar ao Brasil. Fogos de artifício e uma chuva de palhetas encerram essa excelente apresentação do Metallica em São Paulo.

 

 

 
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