V
MONSTERS OF POÇOS
Por
Ewerton Laraia
Fotos: Cássio Pagliarini
Dia
13 de dezembro de 2003 foi a data escolhida para a realização
do V Monsters of Poços. Desde o começo desse dia, São
Pedro parecia não cooperar e a chuva torrencial que caiu durante
todo o dia parecia ser um mau presságio. E o que se confirmou
mais tarde, pois a chuva atrasou a regulagem de som e iluminação
das bandas, e o evento, que estava marcado para ter início às
16 horas, só veio a começar às 20 horas, fato este
irritou os presentes. Outro ponto negativo desse atraso foi que as bandas
tiveram de reduzir os seus setlists para que todas pudessem tocar.
Mas
vamos falar do festival em si. Nesta quinta edição as
bandas que tocaram foram as seguintes Meat, Andralls, Thalion, Holy
Sagga, Victoria, Exotic Symphony e Shaman. Abril o evento, a galera
de Poços de Caldas da banda MEAT. O som nesta
hora não era o dos melhores e isso prejudicou um pouco a apresentação
da banda, mas, no fim o público agitou bastante com o Thrash
Metal apresentado. A banda tocou as seguintes músicas (todas
elas de própria autoria): “Sentimental Nightmares”,
“The Reallity of a Dream”, “I See Sad Way” e
“Nothing Guaranty”.
Em seguida quem subiu ao palco foi uma das melhores bandas de Thrash
Metal do Brasil. Estou falando do ANDRALLS. Os caras
fazem um som realmente muito bom. Riffs muito bem feitos e pesadíssimos
e um vocal avassalador. A banda está divulgando seu mais recente
trabalho “Force Against Mind”. Apresentaram em seu setlist
músicas próprias e a magnífica “Angel of
Death”, cover do Slayer. O Andralls foi sem dúvida uma
banda que empolgou do começo ao fim com seu Thrash Old School.
Além da música acima citada a banda ainda tocou “Rotten
Money”, “Hate”, “Beyond the Chaos”, “Back
From Nowhere”, “The Future of Life” e “Andralls
on Fire”.
A
próxima banda a tocar foi o THALION que mostrou
um Metal Melódico com pitadas de progressivo e a galera curtiu
bastante. A banda é realmente muito boa e é por isso que
a Hellion Records vai apostar no trabalho dessa galera, mas a banda
precisa melhor muito em um quesito – presença de palco
–, principalmente a vocalista Alexandra Liambos (mas mesmo assim
ela canta muito!) que ficou bem tímida ao falar com o público.
Esta apresentação ainda teve como músico convidado
o tecladista Fábio Laguna (Angra). O setlist foi o seguinte:
“Fallow the Way”, “Another Sun”, “Mase
of Sorrow”, “Sacrament of Wilderness’ (cover de Nightwish),
“Solitary World” e a melhor música da banda, falo
de “Show me the Answers”, é hit na certa!!!
O
pessoal do HOLY SAGGA mandou muito bem em sua apresentação.
Empolgou o público em todas as músicas executas. Parecia
até ser uma banda tal como um “Shaman” da vida, pois
os presentes vibravam com cada nota tocada. Todos os integrantes da
banda são exímios músicos, mas o vocalista Maurício
Queiroz e o baterista Gabriel Lobitsky são muito acima da média.
O primeiro alcança todas as notas com total tranqüilidade;
o segundo destrói na bateria. Para que vos escreve, hoje aqui
no Brasil ele só está atrás do baterista do Shaman,
Ricardo Confessori. A banda alternou músicas próprias
(“Daggers of Words”, “Breaking Frontiers”, “Fighting
for Survival” e “Surching for the Sun”) e covers (“Hail
and Kill” do Manowar e “Flight of Icarus” do Iron
Maiden). Sinceramente eu preferia que a banda tivesse tocado só
músicas próprias. “Fly Away”, música
que também consta do debut “Planetude”, não
poderia ter ficado de fora em hipótese alguma.
Com
a banda VICTORIA, foi a vez do Prog Metal entrar em
cena e os músicos executaram com maestria, uma pena que o público
já estava muito cansado e poucos se empolgaram com o som da banda,
sem contar que no começo da apresentação o som
estava ruim e o vocal do ótimo vocalista Jean Nastrini não
estava saindo direito, mas depois de solucionados os problemas, tenho
que admitir que foi uma excelente apresentação. Músicas
muito bem tocas e com uma virtuose impressionantes. Só não
entendi uma coisa: com músicos tão bons, é uma
incógnita o porquê de a banda não ter lançado
seu debut. O setlist foi o seguinte: “Pray to Die”, “Never
Say Never”, “A River of Tears” (muito boa essa música!)
e o cover de Ozzy “No More Tears” (nesta música a
galera foi ao delírio).
A
penúltima banda a tocar foi o EXOTIC SYMPHONY,
que é a banda do organizador do Monsters of Poços, Vitor
Scheps (o Vitão). Foi uma apresentação muito boa,
apesar de alguns problemas no som terem prejudicado. O novo vocalista,
Marcello Nunes (Opera), é um frontman nato e conseguiu empolgar
a galera com seu carisma. A banda tocou músicas próprias
e fez uma homenagem ao mestre Chuck Schuldiner (Death e Control Denied)
que faleceu há um ano. E os presentes agitaram muito com a apresentação
do pessoal de Poços de Caldas. A banda tem muita pega e precisa
urgentemente lançar pelo menos uma demo, pois gravadora querendo
lançá-la não vai faltar. Tocaram as seguintes múscas:
“Domination Chaos”, “Bizarre Portrait”, “Consumed”
(cover de Control Denied) e “Flesh and Power it Holds” (cover
de Death). Fiquei boquiaberto com a execução desta última!
Para
encerrar a noite com chave-de-ouro sobe ao palco a banda SHAMAN.
A banda fez uma apresentação memorável. O som,
apesar de um pouco baixo, devido ao horário, 1h30min da madrugada,
estava muito bom, o que facilitou o trabalho dos músicos. Vale
destacar que esse show em Poços de Caldas foi o último
da banda no ano de 2003. O grupo paulistano fez mais de 100 shows na
Ritual World Tour e mesmo assim a performance foi impecável.
Andre está cantando muito mais do que nos seus tempos de Angra,
principalmente no que se refere às notas médias e graves.
Ricardo é um monstro na bateria, seu solo foi a prova disso,
assim como o do guitarrista Hugo Mariutti, que foi um show à
parte. Ele deixa o som do Shaman ainda mais pesado ao vivo. Luis continua
seguro como sempre. Fábio Ribeiro é simplesmente espetacular
nos teclados! Após rolar a intro “Ancient Winds”
a banda toca “Here I am” e em seguida “Distant Thunder”
e os presentes foram ao delírio, mesmo com o cansaço que
atingiu a todos. “Time Will Come” foi a próxima e
o seu refrão foi cantado em uníssono. Destaque total para
a cozinha que esteve perfeita! Depois vieram os solos de bateria e guitarra.
Um show de técnica e feeling. Para relembrar os tempos de Angra,
a banda executou “Lisbon”. Essa música é maravilhosa
ao vivo! “For Tomorrow” e “Ritual” levaram os
espectadores à loucura e mostraram um Shaman muito entrosado.
Posteriormente foi a vez de André Matos dar uma de pastor e invocar
as primeiras notas da porrada “Pride” e o que se viu foi
as famosas “rodinhas” se formando. No bis todos tiveram
o deleite de presenciar a banda tocando “Mr. Crowley” e
“No More Tears”. Preciso falar como o público reagiu?
Para fechar a apresentação o Shaman tocou, como não
haveria de ser diferente, o maior clássico do Angra; “Carry
On”. Música perfeita para encerrar um setlist muito bem
escolhido.
Apesar
de todo o atraso havido, este em nada tirou o brilho do Festival, pelo
contrário, no fim das contas o evento foi mais dinâmico,
tendo em vista que todas as bandas, à exceção do
Shaman, tiveram de enxugar seus respectivos setlists. O que realmente
foi negativo no Monsters foi o fato de a equipe do Shaman ter proibido
os credenciados dos webzines de subir ao palco para tirar fotos da banda.
Por fim, gostaria de agradecer ao Vitão pelo apoio ao site e
também de dar os parabéns pelo sucesso do evento. E que
venha o próximo!
CONFIRA
ABAIXO ALGUMAS FOTOS DO FESTIVAL
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