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1996 - O ANO EM QUE O MUNDO SE RENDEU AO HEAVY METAL BRASILEIRO.
Por Cássio Pagliarini

No ano de 1996 a industria automobilística nacional ia de vento em poupa. Jaqueline e Sandra, no vôlei de praia, tornavam-se as primeiras brasileiras a ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atlanta. Renato Russo, líder da Legião Urbana, morria aos 36 anos, vítima de Aids. O ex-tesoureiro de Fernando Collor, PC Farias, era encontrado morto junto de sua namorada, Suzana Marcolino.

Em um ano marcado por uma economia que começava a se estabilizar com os dois anos de plano real, um ano cheio de perdas e ganhos históricos, o mundo conhecia finalmente o verdadeiro heavy metal brasileiro.

Enquanto na cena do heavy metal mundial o Metallica decepcionava com o fraco álbum “Load”, os olhos dos críticos musicais de todo o mundo se viravam para terras tupiniquins para verem de perto os acontecimentos que fizeram com que 1996 fosse o ano em que o heavy metal nacional ganhou de vez o respeito do mundo todo.

Se muitas bandas nacionais já tinham o respeito de críticos e arrastavam verdadeiras multidões fora do país, em 1996, as duas maiores bandas que já surgiram no Brasil lançavam álbuns com muita influencia de musica brasileira. Neste ano, o Sepultura nos apresentava o incontestável álbum “Roots”, e o Angra lançava sua maior obra prima, o clássico “Holy Land”.

Em “Roots” o Sepultura explorava pela primeira vez uma sonoridade influenciada por ritmos tribais, sons de berimbaus, tudo isto com direito a um video clipe gravado em meio a aldeia do Xingu, estado do Pará. As letras transportavam os ouvintes para um lugar onde poderiam encontrar suas “raízes de sangue”, o berço da civilização tupiniquim. Em “Ratamahatta” o Sepultura apresentava ao mundo todo heróis nacionais como Zé do Caixão, Zumbi dos Palmares e o cangaceiro Lampião. Tudo isso sem se esquecer daquilo que fez com que a banda ganhasse o mundo anos antes, a música pesada.

Por outro lado, em outra vertente, mais melódica e rica em detalhes e arranjos, a banda Angra, que apenas três anos antes ganhava reconhecimento mundo afora com o álbum “Angels Cry”, deixava boquiaberta a crítica mundial quando finalmente decidiram mostrar o “Brasil épico” em suas musicas, abordando temas como o descobrimento do Brasil, as religiões indígenas e até mesmo as longas e maravilhosas viagens dos exploradores em sua nau-capitânia chamada “Carolina IV”.

Daí pra frente o Brasil ganhou muito mais respeito na cena heavy metal, mostrando que além de muita qualidade musical, também podiam ser inovadores e muito, muito criativos. Por este e por outros motivos, o ano de 1996 pode ser considerado o ano em que o heavy metal se tornou “nacional”.

 

SEPULTURA - ROOTS ANGRA - HOLY LAND

01 Roots Bloody Roots
02 Attitude
03 Cut Throat
04 Ratamahatta
05 Breed Apart
06 Straighthate
07 Spit
08 Lookaway
09 Dusted
10 Born Stubborn
11 Jasco instrumental
12 Itsari instrumental
13 Ambush
14 Endangered Species
15 Dictatorshit

Max Cavalera - Vocal / Guitarra
Andreas Kisser - Guitarra
Paulo Jr. - Baixo
Igor Cavalera - Bateria

01 Crossing
02 Nothing to Say
03 Silence and Distance
04 Carolina IV
05 Holy Land
06 The Shaman
07 Make Believe
08 Z.I.T.O.
09 Deep Blue
10 Lullaby for Lucifer

Andre Matos - Vocal / Teclados
Kiko Loureiro - Guitarra
Rafael Bittencourt - Guitarra
Luis Mariutti - Baixo
Ricardo Confessori - Bateria

 

 

 
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