EPICA
E o sucesso em tempo recorde

Por Antonio Carlos Monteiro

Todos que conhecem como funciona o mundo da música sabem que, além de todos os obstáculos naturais que envolvem uma carreira artística, a busca pelo sucesso é algo que, se dá certo, demanda muito tempo. De vez em quando, porém, aparecem algumas exceções, normalmente para confirmar a regra. E, no caso discutido aqui, o grupo holandês Epica é uma evidente exceção. Afinal, criado após a saída do guitarrista Mark Jensen do After Forever, o grupo, formado por Mark, Simone Simmons (vocais), Coen Janssen (teclados), Yves Huts (baixo) e Jeroen Simons (bateria), lançou seu primeiro disco, The Phantom Agony, há apenas dois anos. Foi um furor e o álbum logo foi seguido por inúmeras turnês e um DVD, intitulado We Will Take You With Us, que traz a banda no programa de TV holandês 2 Meter Sessies apresentando as músicas de seu trabalho de estréia com orquestra e coral.

Sem perder tempo, o Epica tratou de soltar rapidinho seu segundo disco, Consign To Oblivion, que saiu aqui em 2005 pela Hellion Records e mostra uma banda ainda mais madura, desenvolta e.. épica! Simone saca o trocadilho e explica que “todos na banda trabalharam muito na composição das músicas do novo disco, principalmente Yves, que é, junto com Mark, um grande fã de trilhas sonoras. É por isso que o disco soa assim.” Mark, no entanto, acredita que o próximo disco da banda é que será realmente épico: “Ele vai ser a trilha sonora para um filme holandês que vai ser lançado no final do ano. Aí, sim, você vai ver o que é ser épico [risos]!”

Consign To Oblivion tem toda sua temática baseada na cultura maia, da qual Mark é um confesso admirador. “Eu me impressionei tanto com o México e sua cultura [ele esteve lá com o After Forever] que passei a me interessar mais pela história dos maias. Li muitos livros a respeito e fiquei cada vez mais impressionado”, confessa.

Ele cita com exemplo o sistema de contagem de tempo usado por aquele povo, que previa certos acontecimentos futuros: “E é algo assustador, já que a contagem começa 64 mil anos atrás e acaba em 2012 [risos], mas isso torna tudo ainda mais fascinante, principalmente porque ele acerta diversos acontecimentos históricos.”

Porém, este novo trabalho do Epica não é um disco conceitual, como se pode pensar, já que as letras abordam, aspectos da cultura e do modo de encarar a vida que tinha aquele povo: “Os maias acreditavam em certos princípios, em que eu também acredito. Por exemplo: se você prejudica alguém, vai ter isso de volta; se é bom com os outros, vai receber algo equivalente”, exemplifica o guitarrista. “Eles também viviam em plena harmonia com a natureza, que é uma coisa que a humanidade esqueceu totalmente ou mesmo desaprendeu, e é desses assuntos que eu trato nas letras.” Ainda falando sobre o mesmo assunto, nota-se, que a exemplo duo que aconteceu no disco de estréia, o grupo inseriu frases em latim em algumas letras: “O latim é um idioma lindo para se cantar em corais”, diz Mark. “Além disso, esse recurso serve para ‘esconder’ algumas partes das letras, aumentando o mistério delas.”

Outra característica mantida neste disco é a utilização de coro e orquestra reais em vez de se lançar mão de samples e bases pré-gravadas. “O coro é muito importante no som do Epica”, diz Simone. “E o tenor no coral que gravou Consign To Oblivion é Andre Matos. Ele estava na época em Wolfsburg, que é onde gravamos o disco, decidiu participar e fez um grande trabalho”, elogia ela. Segundo a vocalista, “gravar os corais foi um negócio muito tenso, já que tivemos apenas dois dias para fazer todos eles.” Já em relação à orquestra, ela confessa que nem todas as partes foram registradas por instrumentos, principalmente “porque Miro, nosso arranjador, tem uma coleção excelente de samples. E os samples, às vezes, são tão bons quanto uma gravação real.” As cordas, porém, foram gravadas por instrumentos reais.

Porém, de nada adiantaria isso tudo se Consign To Oblivion fosse um disco comum. Porém, apesar de ainda ser um trabalho calcado no gothic metal, traz detalhes, citações e referências dos mais variados estilos: “Isso é como um desafio para nós” diz Simone. E isso faz com que a música não fique aborrecida. As músicas já eram um pouco diferentes em The Phantom Agony e resolvemos tentar algo novo, colocamo-nos totalmente abertos a novas idéias. E acho que ficou bem legal.” Mark completa dizendo que “nós não pensamos muito sobre a forma como vamos fazer nossa música, ela apenas tem que soar bem e cada uma delas precisa ser diferente das outras. Eu não gosto de discos que têm as músicas muito parecidas entre si, acho muito chato. Tentamos fazer as melhores músicas possíveis, elas têm que atingir um certo nível, caso contrário, simplesmente não a gravamos.”

O resultado de todo esse trabalho acabou sendo o melhor possível: “Nós já tocamos várias dessas músicas ao vivo e a reação foi excelente”, diz Simone. “ Uma das primeiras que apresentamos foi Quietus, que acabou ganhando o apelido de ‘headbang song’ [risos]. Ela funciona muito bem ao vivo! Outra que ficou bem legal ao vivo foi Mother Of Light, eu adoro cantar essa música ao vivo!” Mark completa informando que “já estamos ensaiando a música título do disco, que é muito difícil de se reproduzir ao vivo.”