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THALION - Entrevista Exclusiva

Após três anos desde sua formação, a banda Thalion passou de mera desconhecida à mais nova revelação do Heavy Metal nacional. Se você não sabe que banda é esta, basta olhar na contracapa das principais revistas do estilo no Brasil, pois a divulgação da Hellion Records (gravadora da banda) é algo nunca antes visto no que se refere à uma banda iniciante.

Nesta entrevista, Alexandra Liambos (vocal, 18 anos), Rodrigo Vinhas (guitarra, 19), Fábio Russo (guitarra, 21), David Shalom (baixo, 19) e Giancarlo Scairato (bateria, 20) contam sobre sua curta história dentro do Heavy Metal, falam sobre tudo o que envolveu a produção do ‘debut’ Another Sun e também sobre o que esperam do Thalion após o lançamento do álbum.

Por Ewerton Laraia

Heavy Metal Brasil - Primeiramente, gostaria de pedir para que falem um pouco acerca da história da banda até a estréia triunfal com o lançamento do álbum ‘Another Sun’.

Rodrigo Vinhas: A banda começou em meados de 2001 e aos poucos fomos juntando as pessoas certas. O primeiro a entrar na banda foi o David em seguida o Fábio, depois a Alexandra e por ultimo o Giancarlo. Desde o começo da banda sempre trabalhamos no material que faria parte do disco, fizemos muitos shows e entramos em estúdio em dezembro de 2003.

HMB - Há algum tempo atrás eu entrei no site do Thalion e recordo-me que baixei uma música - ainda demo - e na hora eu já fiquei impressionado com a maturidade da composição. E o mais foi quando percebi que a banda era composta por músicos muito jovens e até mesmo adolescentes. Vocês não temem algum tipo de preconceito pelo fato de vocês serem tão jovens?

Fabio Russo: Não. Na minha opinião, a idade não é pré-requisito para se ter uma qualidade musical boa. Todos da banda tiveram seu primeiro contato com a música bem cedo, eu, por exemplo, comecei a tocar guitarra com 11 anos de idade, e nós estudamos muito até hoje. O que acontece, é que as pessoas às vezes julgam sem conhecer, e eu não vejo problema algum uma banda que tem seu integrante mais velho com 21 anos lançar CD.

HMB - Como se deu a contratação do Thalion pela melhor gravadora, no que se refere a Heavy Metal, do Brasil? Creio que vocês devem estar muito satisfeitos com o aspecto divulgação do ‘Another Sun’, tendo em vista a publicidade feita nas melhores publicações brasileiras...

Rodrigo Vinhas: Nós disponibilizamos duas músicas em nosso site, então a Hellion interessou-se e entrou em contato conosco até que fizéssemos um acerto para o lançamento do nosso primeiro álbum. Estamos muito satisfeitos com o suporte que a gente tem recebido tanto em termos de divulgação, turnê e tudo que envolve o lançamento de um disco. Somos uma banda especial pra eles e isso nos deixa muito contentes.

HMB - Foi a Hellion que deu suporte para ter um bom produtor em estúdio, capa por Isabel de Amorin, participações especiais, etc?

Rodrigo Vinhas: Claro! Esse é o papel da gravadora. Indicamos os profissionais que queríamos e a Hellion tornou tudo realidade no aspecto financeiro.

HMB - Contem-nos um pouco sobre toda a produção do ‘Another Sun’. Qual era a experiência de vocês em estúdio? Qual foi a contribuição do produtor Philip Colodetti no resultado final do álbum, que por sinal ficou perfeito?

David Shalom: Muito obrigado. Todos na banda deram o seu máximo, ralamos bastante. Mas sem dúvida o Philip foi fundamental para a qualidade final do disco. Ele é um grande profissional e tenho certeza de que todos na banda aprenderam muito com ele. Nossa experiência em estúdio era zero e o resultado surpreendeu.

HMB - Rodrigo, você se mostrou um excelente músico na composição de quase todas as faixas. Quais são suas maiores influências e quais professores com os quais você teve aula que mais lhe influenciam?

Rodrigo Vinhas: Obrigado pelo elogio. Minhas maiores influências são bandas como Angra, Shaman, Dream Theater e coisas do tipo. Meus professores que mais me influenciaram foram o Hugo Mariutti que tem uma musicalidade espetacular, o Rafael Bittencourt que é um compositor fora de série e o André Hernandes, que é um guitarrista maravilhoso que poucas pessoas conhecem, mas ele tem uma didática fantástica e eu estudo com ele até hoje.

HMB - Hoje há muitas bandas que optam por vocalistas mulheres que são adeptas do de um vocal soprano. E pra minha felicidade o Thalion foge do clichê e tem como front-woman uma vocalista que canta de forma mais livre e muito mais agradável. Alexandra, como se deu sua formação musical para se tornar a vocalista que é hoje? Acho você uma vocalista muito talentosa. Na faixa ‘Solitary World’ você é um show à parte!

Alexandra Liambos: Muito obrigada pelos elogios! Desde que comecei a estudar optei pelo canto erudito, pois além de gostar muito, eu acredito que ele seja mais complexo, e também completo, do que o canto popular. Entretanto, muitas pessoas pensam que a minha formação é canto popular, pois eu não canto com a “voz lírica”, aquela voz mais carregada, mas isso acontece por que me espelho em vocalistas que usam a voz mais suavemente, como a Doro Pesch, por exemplo.


HMB - Alexandra, já ouvi muitas (muitas mesmo) pessoas dizerem que você é a musa do Metal nacional... O que você pensa sobre isso? Tem algum receio de seu talento, que é latente, não receber a devida atenção, tendo em vista o fato de sua beleza também ser latente?

Alexandra Liambos: Bom, primeiramente, fico agradecida! (risos) Mas de qualquer forma, acho que as pessoas se importam realmente com o meu talento e minha capacidade, e não com a minha beleza. Mas não tenho medo, pois acredito que as duas coisas não se misturam. Acho que as pessoas reconhecerão se eu vir a ser uma grande vocalista, independentemente da minha beleza.

HMB - Falando sobre o álbum, gostaria de dizer que a intro ‘Amospheres’ foi muito bem arranjada e se encaixaria perfeitamente na trilha sonora de um filme épico! Na primeira vez que ouvi esta música senti algo da trilha sonora do filme Coração Valente. Existe algum fundamento no que falei?

Rodrigo Vinhas: Na verdade não tem nenhuma ligação com o filme Coração Valente, mas tem bastante a ver com o lance de trilha sonora de filmes, de dar um clima pra história.

HMB - Desde que o Thalion começou a aparecer na mídia, todos passaram a rotular a banda como ‘Metal Melódico’. No entanto, ao ouvir o CD senti que a banda tem um espectro de influências musicais bem mais amplo, à exceção da faixa ‘Follow the Way” que é típica música de Metal Melódico. A intenção do Thalion é ser uma banda de melódico ou a banda sempre se manterá aberta a outras vertentes? E como vocês vêem este estilo hoje em dia?

Fabio Russo: Nossa intenção nao é essa, sempre estamos abertos a todos os tipos de influências, mas sem perder nossa identidade, é claro. Temos um gosto musical bem diversificado, que vai desde metal até jazz e música erudita, e tentamos incorporar isso em nossas músicas. A fusão de estilos diferentes é algo bem comum e pode gerar resultados muito interessantes. Se alguma banda fosse gravar um cd de metal melódico apenas, não sei se isso seria legal, pois já é um estilo bem saturado. Acho que iria soar muito igual, com aquela impressão de ''eu já ouvi isso''. Por isso as bandas hoje em dia estão mais abertas e absorvendo influências mais diversificadas para não soarem tão iguais.

HMB - Há no ‘Another Sun’ a participação do eterno ex-vocalista do Helloween, Michael Kiske. Como se deu tal participação? E como é ter um cara que sempre vocês admiraram agora cantando ao lado de vocês?

Giancarlo Scairato: Com certeza o Kiske é um dos maiores cantores que já pisou nesse planeta. Todos nós admiramos muito seu trabalho, e como a música The Encounter foi escrita para vozes masculina e feminina, o Rodrigo comentou um possível contato e talvez a participação de Michael Kiske no disco e todos topamos na hora. Esse contato se deu através de um amigo do Rodrigo que é assessor do Kiske na Alemanha e, após os contatos, enviamos o material e semanas depois recebemos a notícia de que ele havia adorado a música e que participaria do álbum. Foi muito emocionante e gratificante tê-lo no nosso primeiro disco, afinal, é maravilhoso trabalhar ao lado de uma pessoa que te inspirou desde o começo da carreira e isto nos deixa muito felizes.

HMB - A voz de Michael Kiske se encaixou perfeitamente com a voz da Alexandra Liambos. Esta música é realmente muito emocionante e com um ‘feeling’ muito aprimorado. Rodrigo, você compôs esta faixa pensando como ela também se encaixaria na voz de Kiske? Estou perguntando isso porque esta música foi feita para ele cantar (risos).

Rodrigo Vinhas: Na verdade sim. Eu não sou cantor, então quando componho alguma melodia de voz, sempre tento imaginar como ela vai ficar na voz de alguém, porque se eu me basear por mim mesmo cantando não teria coragem de mostrar pra ninguém (risos). Quando eu compus essa musica, logo pensei na voz do Michael Kiske ou do André Matos que eram as pessoas que eu queria que participassem do disco e pra minha felicidade temos os dois cantando no álbum.


HMB - E como se deu a participação do vocalista Andre Matos (Shaman) na faixa ‘Another Sun’ na versão japonesa do álbum? Os fãs brasileiros terão de comprar a versão japonesa para ouvir esta música?

Rodrigo Vinhas: Eu conheço o Andre há muitos anos e sou muito fã dele tanto como vocalista, mas principalmente como compositor, ele foi a primeira pessoa que foi convidada a participar do álbum. A primeira vez que tocamos com o Shaman, ele ficou durante parte do show ao lado do palco e disse que gostou muito do que viu e confirmou sua presença no álbum. Infelizmente os fãs brasileiros vão ter que comprar a versão japonesa para ouvir a música, visto que a faixa será de direito exclusivo no Japão.

HMB - Por falar em Japão, a banda fará turnê neste país? O álbum será também lançado na Europa? A banda já tem gravadora neste continente?

Rodrigo Vinhas: Precisamos esperar o resultado das vendas no Japão para saber sobre uma possível turnê, mas a expectativa do álbum lá está muito grande e com certeza ele estará chegando lá em setembro por uma grande companhia. Na Europa a Hellion está negociando com várias gravadoras européias e já existem contratos sendo feitos com alguns países como Espanha, Alemanha, Itália entre outros.

HMB - A faixa ‘Solitary World’ é a minha preferida, pois tem tudo o que uma música deve ter: riffs bem encaixados, pegada, feeling e um entrosamento impressionante. Qual a música preferida de vocês e a que os fãs têm gostado mais?

Rodrigo Vinhas: As minhas preferidas são The Encounter e Another Sun e acho que são as que os fãs mais gostam, além da The Journey que tem agradado também.

HMB – Por falar nisso, a faixa ‘The Journey’ tem uma linha de baixo que lembra muito a da música ‘Warriors of the World United’ da banda Manowar. Vocês concordam com isso?

Fabio Russo: Isso foi um fato curioso e engraçado. Não conheço quase nada de Manowar, apesar de admirá-los, e nao tive intenção de copiar essa música, pois eu nunca tinha ouvido ela até então. Acho que o que realmente importa é que quando eu compus The Journey não estava pensando em nenhuma outra música, ela simplesmente veio de dentro de mim, de acordo com o que estava sentindo na hora. O riff dela, por exemplo, veio de um improviso na hora em que eu estava estudando.

HMB - A linha de guitarra da música ‘Long Farewell’ é a mais Angra do CD? Esta banda foi inspiração nesta faixa ou isto se deu por ser o Angra uma influência da banda? A propósito, esta música tem o melhor refrão do CD na ótima interpretação da Alexandra!

Rodrigo Vinhas: O Angra não é a influencia principal da banda, visto que todos têm influencias muito variadas. No meu caso é realmente a maior influencia junto com o Shaman. Acho que as linhas de guitarra podem ter alguma semelhança por eu já ter estudado com o Kiko e o Rafael, mas acho que no fim todos temos nossas características próprias.

HMB - Como está a repercussão do ‘Another Sun’? Quantas cópias já foram vendidas?

Rodrigo Vinhas: A repercussão do álbum tem sido maravilhosa. A primeira prensagem do álbum praticamente esgotou-se e foi superior a prensagem de grandes lançamentos como o novo do After Forever, por exemplo. A gravadora já está cuidando de prensar mais, estamos muito contentes com esse resultado, mas sabemos que ainda temos um longo caminho a percorrer.

HMB - A banda está abrindo alguns shows para o Shaman e em breve começará turnê como ‘headliner’? Falem um pouco sobre tudo isso.

David Shalom: Temos feito uma grande quantidade de shows com o Shaman. Nossa intenção é realmente varrer o Brasil com o maior numero de shows grandes possível, afinal atingem um público infinitamente superior. É claro que haverá também os nossos próprios shows e prometemos grandes surpresas. Tentamos passar o máximo de energia possível em nossos shows, e a aceitação do publico tem sido das melhores.

HMB - O espaço é de vocês. Deixem uma mensagem para os visitantes do site HMB e mais uma vez agradeço pela entrevista. Parabéns pelo ótimo álbum de estréia!

Alexandra Liambos: Queria agradecer ao HMB pelo convite e pelo apoio e convidar todos para a turnê “Another Sun”. Um grande beijo e nos vemos nos shows!

HMB – Valeu galera, até uma próxima!

 

 

 
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