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Em fase de divulgação de seu álbum o vivo “Live Perspectives”, o vocalista Rodrigo Carmo e o Guitarrista Gustavo Carmo da banda Versover concederam uma entrevista exclusiva ao site HMB onde falaram sobre o início da carreira, as dificuldades enfrentadas por uma banda de heavy metal no Brasil e de suas expectativas a cerca do futuro da banda, bem como da participação especial do baterista Aquiles Priester (Hangar, Ex-Angra) na turnê do álbum ao vivo.

Confira:

HMB - A banda Versover surgiu para o grande publico após participarem do projeto William Shakespeare’s Hamlet ao lado de diversas outras ótimas bandas em 2001, logo depois de lançarem pela DieHard seu debut álbum “Love, Hate & Everything in Between” no ano de 2000. A boa repercussão do álbum de estréia foi fato determinante para que surgisse o convite para este projeto? Como se deu a participação da banda em Hamlet e o processo de composição e gravação de “A Letter To Ophelia”?

Rodrigo: Naturalmente. Nesta época a banda costumava fazer shows com muita freqüência, portanto a boa repercussão do álbum de estréia mais o fato de estarmos bem ativos foram fundamentais para abrir as portas para o projeto Hamlet.

Gustavo: O processo de composição começou quando a gravadora nos encaminhou a letra que referia ao nosso trecho na história, letra esta composta por Adriano Villa, assim como todas as demais. Logo em seguida começamos a imaginar como deveria soar uma boa representação para aquele trecho. Depois que decidimos como deveria ser o clima da música, os riffs e linhas de vocal começaram a brotar. E daí foi se formando o que ficou no disco.

HMB - Após o estrondoso sucesso e a ótima aceitação do projeto Hamlet a banda partiu para seu próximo full-length, o aclamado álbum “House of Bones”, tido por muitos e considerado por nós do “Heavy Metal Brasil” como um grandes clássicos do heavy metal nacional nesta última década. Neste álbum pudemos notar uma evolução descomunal da banda em relação ao primeiro trabalho. A inspiração para um álbum de tamanha qualidade foi algo que surgiu naturalmente para vocês, e uma evolução tão grande assim é coisa muito rara de se ver. A que vocês atribuem tamanho desenvolvimento em tão pouco tempo?

Gustavo: Informação. Este é o principal motivo de nossa evolução. Sempre tivemos bastante inspiração, bastante dedicação e disciplina. Mas sem informação, ninguém “adivinha” como fazer soar bem um disco. Obviamente houve evoluções na maneira de compor e estruturar as idéias musicais, mas o principal motivo da evolução foi uma boa dose de informação, que vieram com as experiências que tivemos nas gravações do Hamlet.

O nosso debut foi gravado em um ótimo estúdio, com equipamentos de primeira linha e profissionais muitos bons. Mas eles não eram especialistas em Heavy Metal. No Hamlet trabalhamos num estúdio igualmente bem equipado, mas os técnicos tinham muita experiência com Metal.

Outro fator que contribuiu bastante foi o quesito experiência de produção. Eu tive a oportunidade de fazer outros trabalhos entre as gravações do Hamlet e do House of Bones que ajudaram bastante nesse quesito. Um destes trabalhos foi o “Vida” do Imago Mortis. Foi um trabalho com um resultado muito legal e que inspirou bastante a forma com a qual o House of Bones foi produzido.

HMB - Depois de tamanho sucesso com “House of Bones”, muito se esperou pelo álbum sucessor e a curiosidade para saber se a qualidade das composições seria mantida em tão alto nível, no entanto, o álbum não veio e em 2005 a banda lançou um EP contendo apenas oito faixas. Muito pouco para os que esperavam ver mais um grande álbum do Versover, no entanto, a qualidade das composições acabou sendo novamente destaque em “Built Perpectives”. Que motivo levou a banda a se decidir por um EP e não por um segundo álbum?

Gustavo - Dinheiro e infra-estrutura. Não é muito barato fazer um disco como o House of Bones, e o mínimo que se tem que acontecer para poder fazer outro disco é haver dinheiro disponível para re-investimento. Como o House of Bones foi lançado no meio da época do “fodedor de venda de disco” chamado “mp3 na internet”, o disco não vendeu o tanto que deveria para haver re-investimento.

Não estou dizendo que “mp3 na internet” não é uma coisa boa para artistas. Mas no nosso caso a estratégia foi feita sobre um paradigma de promoção que pegou a banda e a gravadora de calças curtas.

No entanto, acabamos gostando do resultado do EP, como você citou, nas composições, e também na abordagem de mixagem, em que tudo é mais orgânico. Para nós, não existe a melhor abordagem, mas achamos interessante poder vê-la registrada num disco do Versover.

Rodrigo: O fato de termos algumas “sobras” de músicas também ajudou a decidir por um EP, ao invés de um “full-length”. Thirst, por exemplo, que era uma música importante, não tinha um registro formal, e fez mais sentido colocar em um EP do que num disco completo, uma vez que já a tocávamos ao vivo fazia um tempo, incluindo uma apresentação no Jô Soares com ela.

HMB - Em 2009 pudemos ver pela primeira vez a banda em um álbum ao vivo, “Live Perpectives”, que traz uma performance impecável da banda no palco. Como surgiu a idéia de gravar um álbum ao vivo? Como vocês avaliam que uma banda pode enfim saber que chegou a hora e que este é o melhor momento para o lançamento de um registro ao vivo?

Rodrigo: A idéia de fazer o álbum ao vivo veio, pois o Gustavo estava prestes a se mudar para o exterior, poucos dias depois da data do show. O álbum seria então, não como um fechamento, mas como um registro de uma época importante, em que a banda estaria não oficialmente extinta, mas ao menos oficialmente distante. Foi realmente como um registro da festa de despedida.

Outro motivo é que, pela primeira vez em alguns anos, vimos a possibilidade de reunir os integrantes originais da banda no mesmo palco outra vez, tornando a oportunidade ainda mais atrativa.

Gustavo: É muito difícil responder com precisão quando a banda deve fazer um registro ao vivo oficial. Mas no nosso caso, já tínhamos vontade de ouvir algumas de nossas músicas mais antigas com uma roupagem mais atual, com um som melhor, porém com os arranjos intactos. Como já havíamos tocado essas músicas antigas muitas vezes com a formação original, nem precisamos de muitos ensaios. Elas estavam ainda em nossas mãos. Pensamos então... Vamos gravar algumas das principais de nosso repertório antigo, algumas do repertório novo (pós Love Hate), e alguns covers que representam bem as influências da banda. Pronto! Estava decidido... Precisávamos de um disco ao vivo!

HMB - Onde foi gravado o álbum ao vivo? Comente por favor, como foi o show e a resposta do público.

Rodrigo: O disco foi gravado em Bebedouro, interior de São Paulo, cidade natal de todos os integrantes da formação original. Curiosamente, no início da banda, morávamos a no máximo dois quarteirões de distancia uns dos outros em Bebedouro, e isso facilitou bastante para o desenvolvimento da banda, e fazer show em Bebedouro é legal, pois nossa infância, pessoal e musical, rolou toda nessa cidade.

O show foi feito em uma boate, que tem boa infra-estrutura pra shows, com palco, iluminação e espaço adequados. Já fizemos vários shows neste lugar desde que começamos com a banda.

O Versover tem um público bastante fiel na região de Bebedouro, e eles conhecem bem todas as fases da banda. Com isso, a energia do show foi excelente, pois o público estava em sintonia com a banda no palco. Muitos amigos também... Isso traz uma energia boa que é passada pra banda, e pôde ser registrada no disco.

HMB - Neste álbum ao vivo podemos ouvir, além dos grandes sucessos do Versover, quatro covers de grandes clássicos do heavy metal. Como se deu a escolha do repertório para este álbum? Vocês consideram que faltou alguma coisa que ainda tinham vontade de incluir neste registro?

Gustavo: É interessante, mas não acreditamos que faltou nenhuma música importante para o Versover neste disco, considerando que estávamos tocando com a formação original. Temos músicas de todos os discos em boas doses, inclusive “The Proudest One”, tirada de nossa demotape Endurance (1997), que foi a primeiríssima música que o Versover compôs. Ok... Talvez pudéssemos ter tocado “A Letter to Ophelia”, mas precisaríamos tocar com metrônomo + playback para reproduzir todos os detalhes, e isto tiraria a naturalidade com que o show rolou. Com isso, fez sentido deixá-la de lado.

Rodrigo: Os covers foram escolhidos baseados nas maiores influências da banda. Judas Priest, Black Sabbath, Deep Purple e Metallica. Só faltou um Megadeth, ai estaria completo, mas o Metallica, de certa forma, pôde fazer o papel das duas, uma vez que elas estão relacionadas num ponto de suas histórias.

HMB - A turnê de “Live Perpectives” começou de forma conturbada quando o baterista Mauricio Magaldi foi substituído pelo experiente Aquiles Priester em algumas Workshops e também para o show de lançamento do álbum ao vivo. O que de fato levou a banda a não contar com Mauricio para estas apresentações?

Rodrigo: Convidamos o Aquiles pra substituir o Maurício só porque o Maurício estava ocupado com várias coisas, trabalho, família (ele tem 2 filhos) e estudos, e que afetaria não só a fase de ensaios e preparação para o show, mas também já havia afetado a fase em que estávamos trabalhando na pós-produção do disco/DVD.

Gustavo: Existe uma história inacabada entre mim e o Aquiles. Existiria um projeto instrumental da Die Hard Records em que contaria com nós dois, mas ele acabou entrando no Angra (e eu não hahaha), ai não deu certo. Portanto, ele participar deste show é, de certa forma, um meio de restaurar o antigo projeto, mas de uma forma diferente.

HMB - O fato de ter Aquiles Priester no palco certamente atraiu muitos fãs dos álbuns lançados por ele com bandas como Angra e Hangar. Certamente isso é uma grande “mão na roda” para ajudar cada vez mais a divulgar os shows do Versover. Até quando esta parceria deve se estender?

Gustavo: Ótima pergunta. Eu acredito que o Aquiles é ocupado o suficiente para não poder assumir este compromisso, mas é uma idéia que apetece qualquer metaleiro, certo? Hahaha. Mas deixaremos as águas rolarem. Sempre que precisarmos, vamos convidá-lo. Se ele estiver disponível, estará mais do que bem vindo, sempre, pois o Aquiles é um cara que tem uma aura de Heavy Metal que combina muito com o Versover, além de ser um amigo e tanto.

HMB - Com a turnê do álbum ao vivo, por onde a banda já passou com seus shows? A agenda pode se estender para o exterior como muitas outras bandas nacionais vêm fazendo ultimamente?

Rodrigo: O Gustavo mora hoje em Seattle. Isto dificulta um pouco as coisas. Se o Versover tivesse uma projeção mais efetiva nos EUA, uma turnê por lá seria certeiro.

Temos vidas pessoais que não nos dão flexibilidade suficiente pra fazer este tipo de coisa. Eu sou professor de física, o Gustavo trabalha com computação, o Fernando é economista, e o Mauricio é engenheiro de produção, então temos nossas atividades para ganhar o pão. Somos casados. Qualquer tipo de ausência, por menor que seja, reflete nas nossas vidas pessoais, e é muito difícil conciliar as agendas de todo mundo. O Versover continua, sim, manifestando a sua arte, mas de uma forma mais lenta, e da forma que é possível dada as nossas condições atuais.

HMB - Finalmente em 2010 a banda completará 10 anos do lançamento de “Love, Hate & Everything in Between”. O que vocês acreditam ter tirado de lição nestes 10 anos de estrada e o que ainda falta conquistar?

Gustavo: O que precisamos fazer é nos adaptar a esta nova era de distribuição e divulgação digital. O formato antigo, disco, revista, etc, ainda está encalacrado nas nossas cabeças, pois foi a forma como fomos “criados” em nosso ambiente musical. Isto não funciona mais, e funcionará cada vez menos.

Mas fora isso, queremos continuar fazendo Heavy Metal de qualidade e ter nossa trupe batendo cabeça com a gente nos shows, ou seja, manifestando a nossa arte com o tipo de música que amamos.


HMB - Para concluir, gostaria que vocês deixassem suas consideração finais o que mais acharem importante que seja dito sobre o momento que a banda está vivendo.

Rodrigo: Gostaríamos de agradecer a todos que apoiaram a banda ao longo desses anos e a todos os que nos auxiliaram para poder tornar este novo álbum uma realidade. Não é nada fácil fazer um álbum sem bons amigos, e sempre tivemos muita sorte nisso.

HMB - Muito obrigado pela entrevista e muito boa sorte com a turnê de “Live Perpectives”. Podem ter certeza de que o HEAVY METAL BRASIL continua acreditando muito no potencial desta que pra mim é uma das melhores bandas de heavy metal da última década.

 

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