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TAURUS - Entrevista exclusiva com o guitarrista Cláudio Bezz.
Por: Cássio Pagliarini

HMB - Gostaria que você apresentasse a atual formação da banda. Vocês voltaram à ativa em 2007, mas quantos de vocês ainda são membros originais?

Cláudio – A nossa formação atual é a seguinte: Eu (Cláudio Bezz) na guitarra, meu irmão (Sérgio Bezz) na bateria, Jeziel no baixo e vocais e Otávio Augusto nos vocais. Voltamos a ser um quarteto e juntamos as duas formações que tivemos no passado, portanto todos são membros originais. O Jean (baixista) não voltou por motivos pessoais.

HMB - Entre 1986 e 1989, o Taurus lançou três álbuns maravilhosos, porém, depois do lançamento do terceiro álbum, Pornography, em 1989 a banda simplesmente desapareceu. Quais os motivos desta saída repentina da cena heavy metal? O que vocês andaram fazendo neste meio tempo?

Cláudio – Não foi um “desaparecimento”, mas sim uma pausa. É verdade que essa pausa durou 15 anos. Mas uma coisa boa disso é que hoje podemos estar juntos e tocar sem rancores guardados, quando resolvemos não “empurrar com a barriga” um descontentamento com a cena da época. Quero dizer com isso que no início dos anos 90 havia um clima pessimista no ar, por conta de vários aspectos no contexto político/social/econômico. Isso repercutiu em todas as áreas em nosso país, inclusive no desaparecimento dos espaços para shows, produtores, inclusive do público.

Preferimos tirar o time de campo enquanto tínhamos respeito por toda a nossa história. Eu fui o primeiro a abrir o coração com a banda, em 92, e parti para outras experiências. Logo depois eles resolveram dar um tempo também.

Nesse meio tempo, cada um seguiu sua vida pessoal e profissional. Eu sou musico profissional desde 1986, graduei-me em violão erudito e trabalho em estúdio gravando muito e acompanhando vários artistas desde então. Cada um de nós tem sua estória com a musica.

HMB - Na época em que o clássico “Signo de Taurus” foi lançado, era muito difícil conseguir um estúdio que se dispusesse a gravar heavy metal, porém, mesmo assim, a gravação aconteceu. Como foi nesta época gravar um álbum que acabou sendo tão bem aceito pelo publico?


Cláudio - Naquele período várias bandas daqui do Rio estavam gravando suas demos em um estúdio de alto nível (Master Estúdios), acostumados a receber as estrelas da MPB. Um técnico se dispôs a trabalhar com aquele bando de cabeludos. A cada banda que terminava sua gravação, novas técnicas eram experimentadas no que diz respeito a guitarras distorcidas, baterias pesadas e vocais nada convencionais. Foi um período de experimentação mesmo. Só temos a agradecer a boa vontade dos profissionais envolvidos. Gravamos nossa segunda demo lá, e que foi uma “pré-produção” do que seria nosso primeiro disco, sem que soubéssemos disso, lógico.

Acho que o “Signo de Taurus” foi cercado por um contexto que o ajudou... as músicas eram, e são, muito orgânicas, e as mixagens ajudaram muito na qualidade e equilíbrio sonoro, além do processo de masterização que utilizamos. Técnica que poucos utilizavam na época e hoje é imprescindível na finalização de qualquer disco. Tivemos uma ótima produção de capa e encarte. Tudo proporcionado pelo Sérgio Barreto, nosso produtor e dono do selo Point Rock. Acho que isso fez com que prestassem atenção a uma banda que acabava de lançar seu primeiro disco, tendo feito somente 6 shows até então...

HMB - Como você vê o retorno à cena de tantas bandas dos anos 80, no Brasil e também fora?

Cláudio - Acho natural e saudável... acho que cada um tem sua estória. Em todos os períodos aconteceram “idas e voltas”. Acho que só enriquece a cena quando as bandas “Old School” resolvem voltar a tocar. Quando resolvemos voltar a ensaiar e tudo mais, pudemos ver nos olhos dos fãs a alegria de poderem nos ver ao vivo. E posso dizer com todas as letras que é recíproca a felicidade.

HMB - Dos três álbuns lançados na década de 80, você tem seu favorito? Qual a diferença básica entre a musicalidade de cada um deles?

Cláudio - Não dá pra escolher um. Cada um é um filho querido. Cada um foi criado em momentos distintos e que refletem esses momentos. Por isso não acho que um seja melhor ou pior que outro. O “Signo” foi criado desde o momento embrionário da banda até o dia do primeiro take da gravação. Para criação desse disco tivemos todo o tempo do mundo, e não tínhamos nenhum objetivo concreto, como gravar um disco propriamente dito. Essa é a maior característica do “Signo”.

“Trapped in Lies” foi um disco que adoramos fazer, pois tínhamos o que sempre quisemos ter: suporte para gravar um disco e tranqüilidade para compor ao mesmo tempo em que estávamos viajando muito fazendo shows. Ou seja, tudo que qualquer banda quer. Além da mudança de língua, mudança de vocalista (Jeziel no lugar do Otávio), as músicas são mais trabalhadas e foi uma “foto” da maturidade musical conquistada em shows e ensaios.

“Pornography” foi uma tentativa da aproximação da agressividade do “Signo” com a maturidade de “Trapped”. E acho que conseguimos. É um grande disco, mas pouco ouvido e rodado nas “pick-ups” da galera. Foi um disco que saiu pelo selo HMRock, de SP e foi distribuído pela Polygram.

HMB - O Taurus gravou seu primeiro trabalho cantando em português, o que era praticamente uma regra naquela época. Depois do primeiro álbum, os dois próximos foram gravados em inglês. Vocês também visavam o mercado exterior? Por que você acha que não rolou um contato maior com publico de fora do Brasil?

Cláudio - Claro. Pensávamos em expandir nossos horizontes, assim como qualquer banda de qualquer país, não só do Brasil. O Inglês é a língua do Rock! E era com ela que tentamos conquistar o mundo... Mas as coisas não são assim. Hoje penso que tínhamos que ser mais agressivos (em relação aos objetivos) para que essa conquista acontecesse.

Sabemos que não há regra para essas coisas... Se tivesse... Hoje temos muitas visitas internacionais em nosso site, e muitos contatos no exterior, graças a isso!

HMB - Os antigos álbuns do Taurus estavam fora de catálogo e recentemente foram todos relançados contendo ainda algumas faixas bônus. Como se deu esse trabalho de relançamento? Houve algum convite de uma gravadora ou foi por iniciativa da própria banda? Como os fã podem adquirir estes relançamentos?

Cláudio - Tínhamos essa idéia à muito tempo. Alguns contatos foram feitos, mas nenhum saiu do papel. Até que encontramos o pessoal da Marquee, do Rio, que nos deu o suporte necessário para relançarmos os discos. Pedimos a eles total cuidado com a produção dos CD’s, como encarte, remasterização, etc, como sempre tivemos.

O resultado ficou ótimo. Ficamos muito contentes com os relançamentos. Isso nos proporcionou voltar a tocar e a viajar novamente. Quanto aos bonus, todos foram garimpados por mim. Inclusive com gravações recentes de shows desse novo momento. Para conseguir os discos é só entrar nos sites da www.marquee.com.br ou pela “Voice” de sampa, do nosso amigo Sílvio (Korzus).

HMB - O Taurus anunciou que pretendia partir em turnê pelo Brasil e também para outros paises. Como foi este retorno aos palcos? Por onde a banda já passou desde seu retorno em 2007 até este momento? Como foram estes shows? A banda foi bem recebida pelo publico mais jovem?

Cláudio - A partir de 2007, quando fizemos a abertura do show do Testament, aqui no Rio, entendemos que poderíamos voltar a tocar ao vivo, que ainda tínhamos muito gás pra queimar. A recepção da galera foi ótima e tivemos uma noite inesquecível. A partir daí fizemos vários shows. Passamos por São Paulo e interior, várias vezes, Espírito Santo, Amazonas, Minas Gerais, Ceará, Distrito Federal, voltamos ao Rio para abrir o show do Brujeria, e todos tem sido muito bons em todos os aspectos. Temos recebido ótimas críticas, o público nos oferece sempre o melhor de si, carinho e admiração não faltam. A cada show ficamos mais felizes com a reação do público. Isso só nos faz querer ir mais adiante, sempre! Temos vários contatos no exterior, mas ainda nenhum se concretizou. Continuamos aguardando, como sempre.

HMB - Foram muitos anos longe de um estúdio, mas finalmente, depois tanto tempo sem um novo trabalho, o Taurus anunciou para meados de 2008 o lançamento de um novo álbum de inéditas ou mesmo de um álbum ao vivo, porém, estes álbuns não vieram. Qual foi o motivo deste atraso?

Cláudio - Como sempre, as coisas continuam sendo difíceis, mas a vontade é tão grande que continuamos a insistir! Aconteceram vários atrasos com a finalização do disco e seu lançamento. Houve uma reorientação nos caminhos a serem seguidos. O disco estava todo composto em Inglês, quando resolvemos cantar tudo em Português. Tivemos que readaptar todas as músicas novas para esse formato da métrica de nossa língua, e não é fácil. Isso consumiu muito tempo. Mas agora as coisas estão no caminho certo, e vamos lançar até o final do ano. O “Ao vivo em Belo Horizonte” já está mixado e pronto desde o ano passado (2008), só aguardando o nosso novo disco ficar pronto, pois queremos lançar os dois juntos. Ainda não sabemos se o “ao vivo” virá junto com o novo disco, ou se lançamos separadamente. Gosto da idéia dele vir como um bonus do disco novo.

Estamos começando a produzir um DVD meio ao vivo, meio documentário sobre o Taurus e o Thrash no Brasil. Esse é um projeto que temos muito carinho e temos tido ótimas aquisições de profissionais que irão trabalhar conosco.

HMB - A banda anunciou finalmente seu quarto álbum de inéditas para setembro de 2009. O que este álbum representa para o retorno do Taurus aos palcos? Como se deu o processo de composição e de gravação até que estivesse finalizado?

Cláudio - É o nosso retrato atual. Mais maduros, mais críticos, mas com a consciência de nosso potencial. Gosto muito das novas composições. Continuamos sendo Taurus, com todas as características que sempre nos acompanharam. Gravamos de forma “vintage”, utilizando amps e válvulas de verdade. A qualidade das capturas dos sons dos instrumentos está sensacional, pois estamos cercados de ótimos técnicos e técnicas de gravação.

Gravamos em dois estúdios aqui do Rio e já já começo a soltar algumas músicas em nosso myspace (www.myspace.com/taurusofficial). Temos vários “ouvideiros” que vão “testar” a versão beta do disco... (Risos) Aí teremos a real. Ainda não tem nome, mas estamos chamando-o de Taurus IV. Já estamos acertando os shows de lançamento para o início de 2010.

HMB - Como será realizada a turnê de divulgação deste novo trabalho? Vocês pretendem levar o Taurus também para uma turnê fora do pais?

Cláudio - Estamos nos cercando de pessoas que queiram trabalhar conosco na produção desses shows. Estamos tentando acertar alguns shows de lançamento e já temos algumas datas reservadas. Vamos tentar passar por todos os lugares que tocamos nesses últimos 2 anos e rodar por outros ainda. Não temos a política de fazer qualquer tipo de evento, com qualquer tipo de infra-estrutura.

Temos que ser seletivos por um respeito a nós mesmos, primeiramente, e em respeito ao público que vai nos assistir. Apesar do público hoje sem muito maior que dos anos 80, o underground continua underground. E ainda é difícil encontrar a figura que faz a intermediação entre bandas e público. Não se deram conta que pode ser uma coisa rentável, se souberem entender como as coisas funcionam nesse meio.

HMB - Cláudio, muito obrigado pela entrevista e muito boa sorte a vocês neste retorno aos palcos.

Cláudio - Obrigado pelo convite para essa entrevista e espero que gostem do nosso disco novo, Nós estamos muito felizes e orgulhosos dele. Ainda temos muita lenha pra queimar. Façam-nos uma visita em www.taurusofficial.com. Nosso www.myspace.com/taurusofficial está à disposição para recebê-los. Também estamos no Orkut. (Comunidade “Signo de Taurus”).
Paz.

 

 

 
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