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SHAMAN - Entrevista Exclusiva

Após o enorme sucesso alcançado com o álbum de estréia Ritual e sua bem-sucedida turnê, da qual saíram o DVD e CD ao vivo Ritualive, a banda Shaaman, em abril, lançou o seu mais novo trabalho – Reason – e já com uma tour a todo vapor, a banda vem colhendo os frutos de um árduo trabalho em estúdio. Abaixo vocês poderão conferir o bate-papo que tivemos com o guitarrista Hugo Mariutti, onde ele nos contou sobre a mudança musical do novo disco e todos os detalhes que cercam o já polêmico CD Reason.

Por Ewerton Laraia

Heavy Metal Brasil - Hugo, o álbum Ritual tinha ainda alguns elementos referentes ao metal melódico que era praticado pelo Angra antes da separação. Já no álbum Reason tais elementos não mais existem, pois a banda se voltou a um metal mais tradicional. Foi o Ritual um CD de transição, pois se a banda tivesse lançado um Reason logo de cara o impacto em face dos fãs teria sido enorme e até prejudicial? O Ritual foi um preparo para o que viria?

Hugo Mariutti:Eu acho que tudo foi muito natural, desde o Fireworks, que foi gravado pelo Luis, Andre e Ricardo, para o Ritual, já rolou uma mudança e para o Reason teve mais uma mudança, porém, você escuta o disco e sabe que é o Shaaman e isso é bem importante para identidade de uma banda. Na verdade, seria muito fácil manter as fórmulas, pois fomos muito bem sucedidos com o Ritual, mas para nós o importante é tentar fazer discos que desafiem, pois assim você tem prazer de continuar no meio musical.

HMB - No debut do ShaAman já pôde se perceber que sua musicalidade é bem voltada para riffs e no álbum Reason isso ficou ainda mais evidente. Entretanto, o que mais chamou a minha atenção foram os seus solos, que estão magníficos, superando os do Ritual... A experiência de tocar em uma banda extremamente ativa foi fundamental para que isso ocorresse? O fato de a banda ter gravado o CD no Brasil lhe trouxe mais inspiração (risos)?

HM: Primeiramente, muito obrigado pelos elogios! Para a composição do Reason, nós passamos muito tempo na estrada e isso com certeza é um fator que ajuda muito nesta hora, a sua habilidade musical fica maior, pois você toca todos os dias e isso vai te dando idéias, além da banda ganhar um entrosamento fantástico.Uma coisa que ainda posso citar é que realmente gravar no Brasil facilita e muito todo este processo.

HMB - A propósito: Acho o solo da faixa Rough Stone o melhor que você compôs no ShaAman. Qual é o seu solo preferido?

HM:Eu gosto de todos, pois faço eles um por um, com muita preocupação se vai transmitir algo para as pessoas que estão escutando e para mim mesmo também, porém, se for para citar um, fico com o da Innocence.

HMB - No que se refere à gravação, conte-nos como foi todo o processo? Como está a estrutura nos estúdios daqui do Brasil?

HM: Nós gravamos quase tudo no Brasil, a bateria foi feita em um estúdio, as guitarras e o baixo em outro, o piano em outro, e assim por diante. Na Alemanha foram gravadas algumas vozes e alguns teclados, alem da mixagem e masterização. Os estúdios no Brasil têm totais condições de gravar um disco de nível internacional, tanto é que o Philip Colodetti foi co-produtor do disco, ele tem um estúdio que se chama Creative Sound que está num nível muito bom, principalmente para o estilo Metal, pois tem profissionais que sabem o que isso significa.

HMB - O Shaaman optou por um vertente musical voltada para o heavy metal tradicional... Pelo que estou percebendo, a garotada de 13 a 18 anos gostou do álbum, só que com ressalvas, tendo em vista que inexistem aqueles elementos (bumbo duplo a toda hora, vocais ultra-agudos e guitarras à velocidade da luz) do metal melódico. Quando vocês decidiram trabalhar um heavy metal mais tradicional, não ficaram receosos de que tal fato poderia desagradar àqueles radicais fãs de metal melódico?

HM: Eu acho que se o disco for bom e pesado as pessoas vão acabar gostando, porém, as vezes demora um pouco mais para estas pessoas assimilarem tal mudança, mas pelo que a gente está percebendo nas vendas é que muita gente tem gostado bastante do disco. Bumbo duplo e guitarras à velocidade da luz não são os únicos elementos presentes no metal, o Black Sabbath está aí para provar isso para todos, e com certeza as pessoas que não gostaram logo de cara, vão escutar algumas vezes e vão acabar gostando, pois muitos fãs falaram isso para gente, que de primeira acharam estranho, mas que depois não tiram do cd player.

HMB - Outra questão que venho percebendo é que o Reason tem causado o mesmo efeito que o Holy Land causou quando foi lançado, isto é, a mudança brusca de sonoridade deixou algumas pessoas com o pé atrás, mas após algum tempo o álbum se tornou um verdadeiro clássico. Você entende que o Reason pode estar causando o mesmo efeito sobre os fãs mais ortodoxos?

HM: Foi o que falei na questão anterior e concordo plenamente com você, o Holy Land teve o mesmo efeito e hoje você percebe que a maioria das pessoas o tem como álbum preferido do Angra.

HMB - O Reason, na minha opinião, é tão bom quanto o Ritual, porém, acho-o mais completo e maduro... O que você pensa sobre isso? Tem preferência por algum?

HM: Geralmente o músico acha o último disco dele o melhor, mas não prefiro o Reason por isso não, e sim porque ele soa realmente como uma banda, ele é mais forte, mais agressivo, não que eu ache o Ritual ruim, muito pelo contrário, tenho um carinho muito grande, pois foi meu primeiro disco e acho ele excelente, entretanto, acho o Reason realmente mais maduro.

HMB - O Andre (Matos) é um cara que sempre mandou muito bem ao escrever a parte lírica das músicas. No Reason, entendo que ele se superou, pois as letras são de uma profundidade ímpar. Você não acha que as letras das músicas são pouco apreciadas e valorizadas pela mídia e pelo público de uma forma geral?

HM: Acho sim, e com certeza o Andre é um cara que tem uma preocupação enorme com isso e entendo também que as letras têm que ser compreendidas, pois elas dão o sentido nas músicas, passam todo clima junto com a parte instrumental.

HMB - O Andre chega a comentar com os outros integrantes sobre as letras quando está compondo? Estou falando isso porque as letras dele são muito introspectivas, não sendo fácil entendê-las ou saber se a interpretação feita é a correta...

HM: Ele comenta sim, mas essa subjetividade das letras é importante para manter o clima, então cada um que tire as conclusões sobre cada uma delas, pois aí que está parte da graça nas letras.

HMB - Como está a turnê do Reason em se comparando com a do Ritual? E para o exterior, quais são os planos?

HM: A tour está indo muito bem, e temos agendado para agosto uma tour grande pela América Latina, temos também um show no Credicard Hall em São Paulo que vai ser uma super produção, quem for não vai se arrepender e iremos para Europa em breve.

HMB - Hugo, vocês utilizaram uma orquestra na gravação do Reason. Você não acha que seria uma boa idéia gravar um DVD com uma orquestra sinfônica? O ShaAman tem a intenção de gravar algum show da Reason Tour?

HM: Isso seria uma coisa muito legal de se fazer, mas os custos que envolvem este tipo de show são muito altos. Porém, gostaríamos muito e esperamos que um dia possamos realizar isso, acho que seria muito mais legal do que fazer um acústico, que é um formato que as bandas gostam, pois temos a banda tocando com todos os instrumentos e a orquestra dando um peso extra.

HMB - Hugo, mudando de assunto... Como está o Henceforth? Há uma previsão para o lançamento do debut?

HM: Sim, estamos com as músicas prontas e fechando a parte dos contratos para podermos, enfim, lançar o disco.

HMB - O espaço é seu para as considerações finais. Mas antes que eu me esqueça: apareçam aqui no sul de Minas na turnê do Reason!

HM: Agradeço demais o espaço e todos os nossos fãs que estão fazendo do Reason um sucesso nas vendas. Muito obrigado e esperamos poder tocar no sul de Minas em breve.
Um abraço!

 

 

 
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