HM:
Primeiramente, muito obrigado pelos
elogios! Para a composição
do Reason, nós passamos muito
tempo na estrada e isso com certeza
é um fator que ajuda muito nesta
hora, a sua habilidade musical fica
maior, pois você toca todos os
dias e isso vai te dando idéias,
além da banda ganhar um entrosamento
fantástico.Uma coisa que ainda
posso citar é que realmente gravar
no Brasil facilita e muito todo este
processo.
HMB
- A propósito: Acho o solo da
faixa Rough Stone o melhor que você
compôs no ShaAman. Qual é
o seu solo preferido?
HM:Eu
gosto de todos, pois faço eles
um por um, com muita preocupação
se vai transmitir algo para as pessoas
que estão escutando e para mim
mesmo também, porém, se
for para citar um, fico com o da Innocence.
HMB
- No que se refere à gravação,
conte-nos como foi todo o processo?
Como está a estrutura nos estúdios
daqui do Brasil?
HM:
Nós gravamos quase tudo no
Brasil, a bateria foi feita em um estúdio,
as guitarras e o baixo em outro, o piano
em outro, e assim por diante. Na Alemanha
foram gravadas algumas vozes e alguns
teclados, alem da mixagem e masterização.
Os estúdios no Brasil têm
totais condições de gravar
um disco de nível internacional,
tanto é que o Philip Colodetti
foi co-produtor do disco, ele tem um
estúdio que se chama Creative
Sound que está num nível
muito bom, principalmente para o estilo
Metal, pois tem profissionais que sabem
o que isso significa.
HMB
- O Shaaman optou por um vertente musical
voltada para o heavy metal tradicional...
Pelo que estou percebendo, a garotada
de 13 a 18 anos gostou do álbum,
só que com ressalvas, tendo em
vista que inexistem aqueles elementos
(bumbo duplo a toda hora, vocais ultra-agudos
e guitarras à velocidade da luz)
do metal melódico. Quando vocês
decidiram trabalhar um heavy metal mais
tradicional, não ficaram receosos
de que tal fato poderia desagradar àqueles
radicais fãs de metal melódico?
HM:
Eu acho que se o disco for bom e
pesado as pessoas vão acabar
gostando, porém, as vezes demora
um pouco mais para estas pessoas assimilarem
tal mudança, mas pelo que a gente
está percebendo nas vendas é
que muita gente tem gostado bastante
do disco. Bumbo duplo e guitarras à
velocidade da luz não são
os únicos elementos presentes
no metal, o Black Sabbath está
aí para provar isso para todos,
e com certeza as pessoas que não
gostaram logo de cara, vão escutar
algumas vezes e vão acabar gostando,
pois muitos fãs falaram isso
para gente, que de primeira acharam
estranho, mas que depois não
tiram do cd player.
HMB
- Outra questão que venho percebendo
é que o Reason tem causado o
mesmo efeito que o Holy Land causou
quando foi lançado, isto é,
a mudança brusca de sonoridade
deixou algumas pessoas com o pé
atrás, mas após algum
tempo o álbum se tornou um verdadeiro
clássico. Você entende
que o Reason pode estar causando o mesmo
efeito sobre os fãs mais ortodoxos?
HM:
Foi o que falei na questão
anterior e concordo plenamente com você,
o Holy Land teve o mesmo efeito e hoje
você percebe que a maioria das
pessoas o tem como álbum preferido
do Angra.
HMB
- O Reason, na minha opinião,
é tão bom quanto o Ritual,
porém, acho-o mais completo e
maduro... O que você pensa sobre
isso? Tem preferência por algum?
HM:
Geralmente o músico acha
o último disco dele o melhor,
mas não prefiro o Reason por
isso não, e sim porque ele soa
realmente como uma banda, ele é
mais forte, mais agressivo, não
que eu ache o Ritual ruim, muito pelo
contrário, tenho um carinho muito
grande, pois foi meu primeiro disco
e acho ele excelente, entretanto, acho
o Reason realmente mais maduro.
HMB
- O Andre (Matos) é um cara que
sempre mandou muito bem ao escrever
a parte lírica das músicas.
No Reason, entendo que ele se superou,
pois as letras são de uma profundidade
ímpar. Você não
acha que as letras das músicas
são pouco apreciadas e valorizadas
pela mídia e pelo público
de uma forma geral?
HM:
Acho sim, e com certeza o Andre
é um cara que tem uma preocupação
enorme com isso e entendo também
que as letras têm que ser compreendidas,
pois elas dão o sentido nas músicas,
passam todo clima junto com a parte
instrumental.
HMB
- O Andre chega a comentar com os outros
integrantes sobre as letras quando está
compondo? Estou falando isso porque
as letras dele são muito introspectivas,
não sendo fácil entendê-las
ou saber se a interpretação
feita é a correta...
HM:
Ele comenta sim, mas essa subjetividade
das letras é importante para
manter o clima, então cada um
que tire as conclusões sobre
cada uma delas, pois aí que está
parte da graça nas letras.
HMB
- Como está a turnê do
Reason em se comparando com a do Ritual?
E para o exterior, quais são
os planos?
HM:
A tour está indo muito bem,
e temos agendado para agosto uma tour
grande pela América Latina, temos
também um show no Credicard Hall
em São Paulo que vai ser uma
super produção, quem for
não vai se arrepender e iremos
para Europa em breve.
HMB
- Hugo, vocês utilizaram uma orquestra
na gravação do Reason.
Você não acha que seria
uma boa idéia gravar um DVD com
uma orquestra sinfônica? O ShaAman
tem a intenção de gravar
algum show da Reason Tour?
HM:
Isso seria uma coisa muito legal
de se fazer, mas os custos que envolvem
este tipo de show são muito altos.
Porém, gostaríamos muito
e esperamos que um dia possamos realizar
isso, acho que seria muito mais legal
do que fazer um acústico, que
é um formato que as bandas gostam,
pois temos a banda tocando com todos
os instrumentos e a orquestra dando
um peso extra.
HMB
- Hugo, mudando de assunto... Como está
o Henceforth? Há uma previsão
para o lançamento do debut?
HM:
Sim, estamos com as músicas
prontas e fechando a parte dos contratos
para podermos, enfim, lançar
o disco.
HMB
- O espaço é seu para
as considerações finais.
Mas antes que eu me esqueça:
apareçam aqui no sul de Minas
na turnê do Reason!
HM:
Agradeço demais o espaço
e todos os nossos fãs que estão
fazendo do Reason um sucesso nas vendas.
Muito obrigado e esperamos poder tocar
no sul de Minas em breve.
Um abraço!
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