| NECROMANCIA - Entrevista Exclusiva
Marcelo D´Castro: Na década de 80 era difícil ter equipamento e casas de shows. Hoje em dia gravar um cd é muito mais fácil, os veículos de comunicação são muito mais acessíveis e tem a Internet. Você pode ser underground e pode se divulgar bastante. São vários sites e revistas que podem coloca-lo no mercado. Você tem acesso a vários estúdios, antigamente não era assim. E mesmo se fosse gravar num estúdio era tudo muito mais caro, hoje é tudo mais popular. O estudo da música também é popular. Isso faz com que as bandas de hoje em dia, tenham muito mais qualidade do que uma banda de antigamente, era mais tosco as coisas antigamente e hoje está sendo tudo mais profissional. Por isso o Brasil está acordando, ninguém é mais bobo no Brasil, pode ser que no começo fosse. HMB: Por que você diz que o Brasil está acordando para o heavy metal?
MC: O Brasil está acordando, as coisas estão crescendo
muito e estão tomando uma dimensão forte. Tanto é
que o que salva as grandes casas de show no Brasil são as bandas
de heavy metal, tanto do Brasil como as bandas européias. HMB: E o público? Existe uma diferença do público da década de 80 e do público de hoje? MC: Na década de 80 não existiam grandes shows. Existiam muitas bandas, mas a galera ia mais em salão. Mesmo assim o público era mais unido. Hoje o que acontece é que existe muito mais público, muito mais gente só que o pessoal hoje em dia é mais bairrista. Eu acho que isso são coisas do mundo moderno também. Muita gente nem precisa sair de casa para ter informação das coisas. Então se você vê uma galera que vai para um show é um cara que vai reunir 2,3,4,5 amigos, mais que isso é raridade. Então antigamente o movimento era mais unido. HMB: Eu acredito que o público do heavy metal seja o mais fiel, o que você acha do público brasileiro? MC: Eu também acho que é o público mais fiel. O legal é que no heavy metal se você tem muito investimento sem o talento, o público não engole. Vem uma banda e a galera percebe: pó essa banda é totalmente fake, uma coisa falsa, uma coisa vendida. Estão aí só porque estão pagando, o público de heavy metal é muito seletivo, são pessoas sinceras, que querem ver tua atitude e não só o fato de tocar. HMB: Você acha que uma maior união entre bandas pode ajudar no crescimento do cenário heavy metal? MC: Isso vai ajudar as bandas undergrounds. No Brasil, ou temos uma banda que tem nome e tem uma tradição ou temos bandas que não têm muito espaço. No nosso caso a gente tem espaço, a gente já faz parte da história do heavy metal do Brasil, temos tradição. A gente fala da banda Necromancia para os produtores e o pessoal conhece e já sabe do que se trata. Agora eu falo para as bandas mais undergrounds que é hora deles se unirem. Eu acho que a união vai trazendo mais público. O mundo underground no Brasil é grande. HMB:Conte nos um pouco como foi ter assinado com a gravadora Hellion Records. O que mudou? MC: Nosso segundo Cd [Check Mate] a gente que gravou, que pagou e que lançou. Pagamos divulgação em várias revistas . Então a gente pagou página inteira, meia página e chegou uma hora que a gente deveria estar continuando isso, mesmo porque não foi fácil pagar estúdio, vídeo clipe e propagandas e continuar o trabalho. É essa hora que os shows também tem que reverter num capital de investimento. E chegou uma hora que ficou difícil para gente, foi aí que conseguimos uma gravadora, que foi a Hellion. A gravadora continuou esse trabalho com a gente. O fato de a gente estar com gravadora hoje em dia já prova que não somos mais uma banda independente. Essa parceria fez com que nosso cd fosse lançado na Europa. Conseguimos um contrato com uma gravadora belga que se chama Mausoleum e no meio do ano passado lançou nosso disco na Europa. A distribuição deles é boa. Nosso cd saiu na Alemanha, Bélgica, França, Itália, Espanha, Portugal, Turquia, Egito, Arábia e até naqueles países diferenciados. HMB: E qual a repercussão do Necromancia lá fora? MC: Temos esse retorno pelo e-mail. Pelo nosso site é que a gente vê que o pessoal gosta. E mesmo na mídia especializada de heavy metal, nós percebemos que foi um cd que teve uma boa aceitação, apesar de muita coisa não ser numa dimensão tão grande assim. As pessoas que participaram do nosso cd que atraem muita gente para conhecer o som. Foi Andréas Kisser do Sepultura que produziu nosso cd. E Sepultura é conhecido no mundo inteiro. HMB: Quais são os projetos para o futuro? MC: A gente está entrando em julho no estúdio para gravar o terceiro Cd. Já está confirmado o lançamento aqui com a Hellion e na América do Sul e Europa com a Mausoleum. A intenção nossa é fazer primeira turnê européia no ano que vem, já que temos nosso cd Check Mate lançado lá. É um circuito tão aquecido, tanta gente, que se você não tem um cd lançado no mercado, fica uma gotinha no oceano. Então, é melhor quando você chega e as pessoas já sabem quem é a banda. Hoje em dia o mundo acordou e viu que tem bandas brasileiras boas, há uma aceitação maior. Uma banda brasileira é sempre exótica. HMB: O fato de cantarem a maioria das músicas em inglês ajuda no processo de aceitação em outros países? MC: O europeu gosta de te ver cantando em português. O inglês ficou a língua do rock, não que eu acho que não fique legal em português ou em japonês. Eu acho que é difícil você cantar em português um heavy metal e soar bem. A hora que você consegue uma fórmula é legal. Muita gente torce o bico porque cantou em português e não ficou legal Primeiro lugar é ficar legal, se ficou é o que vale. Eu gosto de Ratos de Porão, o som deles é em português e fica legal pra caramba. Tem que soar bem, antes de qualquer coisa. Tem muita gente que canta em português e soa, sei lá, banal. Mas, o europeu gosta. O Brasil é um país exótico e só de você ser brasileiro na Europa você já tem um tratamento diferente, justamente porque somos vistos como um país musical. Eu tenho amigos que moram na Europa e falam que o nosso som tem um suíngue a mais. No começo eu nem percebia muito o suíngue a mais que eles falavam. Pô suingue?! Mas eu acho que é só metal. A gente toca pesado e agressivo. Aí comecei a analisar os acentos rítmicos e as sincopas que usamos e percebi que tem muito isso na música brasileira. Mas gente toca metal e não soa brasileiro. Ouvimos música brasileira e indiretamente isso influencia, o brasileiro tem um suíngue natural mesmo.
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