Lothlöryen
- Entrevista excluviva
Por: Leo Oliveira
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Leo:
“Raving Souls Society” é
o primeiro trabalho da banda após a saída
de Leonaldo Oliveira da banda, e apesar de poucas
mudanças na sonoridade, podemos notar uma evolução
muito grande da banda em relação aos
trabalhos anteriores. A quem ou a que vocês
creditam esta evolução?
Daniel Felipe: A todos. Posso dizer
que, a partir do momento em que entrei para a banda,
oficialmente, já havia uma boa parte das composições
em estágio de conclusão. A proposta
de deixar o som mais denso, com mais camadas, já
era uma idéia da galera e, por outro lado,
isso me deu um campo totalmente fértil para
minha adaptação. A Lothlöryen sempre
buscou deixar clara sua evolução a cada
álbum, mas este creio ser um divisor de águas,
pois define bem o que gostaríamos de fazer.
Mas tudo é um ciclo e, para o próximo,
certamente mais elementos serão somados.
Leo:Como foi trabalhar com Daniel
Felipe nos vocais principais pela primeira vez, já
que ele gravou todos os “back vocals”
do álbum “Some Ways”, e ainda fez
uma pequena participação em “A
Secret Time”?
Leko
Soares: Foi fácil pra caralho, rs.
Na verdade, tudo ocorreu de forma natural, sem forçar
a barra em nada. Acho que o fato de termos feito tudo
de maneira espontânea e fluente, contribuiu
para que a sonoridade nova da banda tenha sido tão
facilmente compreendida pela maioria da galera.
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Daniel
Felipe: Bem, eu conhecia o Leko desde 2005, no
Roça’n Roll, e conheci boa parte da galera
em 2009, quando participei do “Some Ways”. Desde
aquela época, a proposta da banda sempre foi ousada
e isso é muito divertido. Fora isso, todos são
muito legais, verdadeiros parceiros de estrada, então
foi muito simples a adaptação e simplesmente
rolou como se fosse algo natural, como se já tocássemos
juntos.
Leo:
Algo que chamou muito a atenção neste trabalho
foi a temática das letras. Como veio a idéia
de escrever sobre a loucura e a insanidade?
Daniel Felipe: Veio de uma loucura, claro! Quando
o Leko chegou com a idéia, de pronto achei animal.
Pensamos em um personagem que viveria as transformações
em sua vida, devido à insanidade ou genialidade,
mas todos da banda paramos e sentimos que essa dicotomia
é inerente a grandes personagens históricos.
Então, o tema evoluiu pra algo conceitual e voltado
a uma ilustração de como gênios e loucos
podem mudar o curso da História.
Leo:
A banda pretende voltar a escrever com temas baseados na
literatura de J.R.R. Tolkien ou vocês acreditam que
a partir de agora devem variar sempre os temas?
Daniel Felipe: Tudo na vida passa, né?
Menos a vontade de ficar rico (risos). Ah, Tolkien tem um
universo imenso e explorá-lo foi muito prazeroso
para a banda, mas, assim que se entra em uma jornada, a
vontade de visitar outros lugares e conhecer novas idéias
é algo que te leva, inevitavelmente, a outros temas.
Então, a banda curtiu muito a fase e ela estará
sempre viva nas músicas, durante os shows, mas o
tempo passa e, realmente, nos leva a outros lugares.
Leo: Numa situação hipotética,
imagine como seria se as canções de “There
And Back Again” e “Hobbit's Song” fossem
parte da trilha sonora do filme O Hobbit. Como você
acredita que as musicas da banda poderiam contribuir na
ambientação de filmes do estilo ou de jogos
de RPG “live action”, já que o publico
destes filmes e jogos, são em sua grande parte, fãs
de heavy metal com temas tolkianos.
Daniel Felipe: (risos) Sem dúvidas essas
imagens já permeiam nossos pensamentos. Claro que
vemos o Bilbo a curtir a “Hobbit’s” em
Valfenda, dançando entre elfos e, especialmente,
elfas. Quanto ao RPG, tenho certeza que o fã da Loth
que joga D&D (qualquer edição) curte usufruir
dessa dobradinha, sempre, é claro, com uma boa cerveja
e um Hidromel das Valkyrias (risos). Esperamos que a “Valkyries
Mead” seja a canção de taverneiro de
cada RPGista, porque eu, que faço parte de um grupo
chamado “RPG do Marinheiro Maneta”, já
levei a música pros nossos ambientes!
Leo:
De onde surgiu a idéia para escrever a canção
“My Old Tavern”, já que ela foge um pouco
do tema insanidade? Seria uma forma de retornar às
raízes da banda e não deixar que os antigos
fãs se esqueçam do tema, mesmo dentro de um
álbum que segue uma outra temática?
Leko Soares: Na verdade, a My Old Tavern seria
o primeiro single do CD. Iríamos lança-la
em formato virtual, quase um ano antes do lançamento
do álbum. A ideia era fazer mesmo uma canção
de despedida ao mundo do Tolkien, porém, sem dizer
um adeus definitivo. Queríamos informar com essa
música, que mudanças viriam, principalmente
em termos líricos. Porém, acabamos mudando
os planos no meio do caminho em relação ao
primeiro single do CD, mas a ideia da My Old Tavern como
canção de despedida ao mundo de Tolkien permaneceu
e no fim das contas conseguimos usar a música para
passar a mensagem que queríamos.
Daniel Felipe: Ela é uma canção
de saudades, de um tempo que foi muito bom e passou. É
algo que todos nós sentimos em relação
a algum momento de nossas vidas. Isso explica tudo, né?
(risos). Mas, é claro, que, ao fazer a letra, aproveitei
pra registrar em música um momento muito legal do
meu grupo de RPG, pois um dos personagens já foi
dono de uma taverna, a “Taverna do Canário
Rouco”, mas teve que partir... Sempre com o sonho
de voltar.
Leo:
Nos últimos meses ouvimos muitos rumores a respeito
da gravação de um DVD, o que existe de verdade
nisto? Podemos aguardar um DVD da banda para 2013?
Leko Soares: Já virou quase uma fixação
na banda a ideia de lançar algo diferente no mercado
em 2013. Já temos tudo esquematizado e planejado,
porém, quando pensamos em datas, tudo ainda está
meio obscuro. Em se tratando de Lothlöryen, é
certo que nada será lançado antes do segundo
semestre, rs.
Daniel Felipe: Surpresa... (risos) Temos alguns
planos para o ano que vem, voltados a uma divulgação
audiovisual. Mas é o que podemos relatar por ora,
ou a assessoria de imprensa nos coloca de castigo, perguntem
à Débora, da “Metal Media” (risos)
Leo:
Existe ainda alguma chance de, em algum trabalho futuro,
a banda vir a re-gravar musicas como “My Fairytale”
entre outras, que são muito queridas pelos admiradores
da banda e que nunca saíram de uma versão
“Demo”?
Leko Soares: Tá aí outra ideia fixa,
principalmente minha. Não diria regravar as músicas
da demo, mas confesso que toda vez que ouço o “Some
Ways back no More”, por exemplo, imagino como esse
álbum soaria destruidor com uma nova roupagem, incluindo
a regravação de alguns vocais pelo Daniel,
alguns arranjos e é claro, uma nova mixagem e masterização.
Vamos ver futuramente o que rola.
Nota
da redação: (Durante
a edição desta entrevista a banda anunciou
que iria realmente re-gravar o álbum “Some
Ways back no More”, pedimos ao guitarrista Leko Soares
que incluísse um comentário a respeito desta
notícia. O comentário segue logo abaixo)
Leko
Soares: Nós
já discutíamos essa ideia internamente faz
um bom tempo. Achamos que o álbum tem músicas
muito boas, porém, o resultado final não nos
agrada totalmente. Junta-se a isso o fato de não
termos tido uma divulgação decente do álbum,
na época em que o lançamos, o que prejudicou
bastante os nossos planos naquela oportunidade. Coincidentemente,
a Prog Power, nossa gravadora atual na Europa, nos propôs
a ideia de lançar o Some Ways na Europa e aproveitamos
a proposta para oferecer essa regravação do
álbum. A resposta positiva da gravadora foi imediata
e a partir daí já iniciamos os processos de
regravação e remixagem do CD, que, em um primeiro
momento, estará disponível somente no mercado
europeu.
Daniel Felipe: A música é assim,
deixa tudo possível. Essa é uma idéia
que temos e sobre a qual conversamos constantemente. Muito
provável que alguma velha canção apareça
em novos trajes!
Leo:
Como é a relação com a banda santista
Rygel já que vocês compartilham do mesmo vocalista?
Com o crescimento das duas bandas na cena nacional, as agendas
não estão se coincidindo?
Daniel Felipe: É como ser casado com duas
mulheres, simples (risos). Olha, todos são muito
compreensíveis e a agenda é algo que sempre
se resolveu com diálogo e ética. Felizmente,
somos todos camaradas e isso facilita as coisas. Quando
coincidem as datas, por que não tocarmos juntos,
não é? É o que veremos dia em Janeiro,
em Poços de Caldas, e já vimos em Mococa e
São Thomé, quando fizemos a loucurada todos
juntos!
Leko Soares: Na verdade, embora eu ache sempre
muito GAY essa comparação, mas já que
o Daniel falou em mulheres eu definiria da seguinte forma:
O Rygel é a esposa, aquela romântica, que tá
sempre por perto, mas pega no pé e o Lothlöryen
é a amante que encontra o cara esporadicamente, se
diverte pra caralho e no fim da noite fuma um cigarro (no
nosso caso, um cachimbo) pra relaxar, haha.
Leo:
Alguns acharam que o estilo “Folk” não
estaria mais presente na musica de vocês. É
possível que o estilo não seja mais incorporado
ao som da banda, já que a temática Tolkiana
se faz muito presente nas letras do Lothlöryen desde
o inicio das atividades?
Daniel Felipe: O
Folk sempre estará presente, isso é a única
coisa imutável em nossa sonoridade. E o Folk vai
muito além de Tolkien, já que o folclórico
é algo presente em todas as culturas. Procuramos,
sim, sair do lugar comum e inserir elementos musicais modernos
e livres, com uma sonoridade que tem o folk como raiz. Isso
ainda vai gerar muitas possibilidades para nós e
queremos vivenciá-las todas, uma por uma.
Leko Soares: Acabamos de lançar um video de uma música
totalmente folk, que com certeza gravaremos com uma nova
roupagem, ano que vem. A “Valkyries Mead” foi
um sucesso absurdo e até certo ponto, surpreendente.
Tivemos quase 10000 views em um mês de um video caseiro
(pra não falar, vagabundo, rs) de um ensaio da música
que gravaremos somente no ano que vem. Isso mostra como
nosso público ainda espera por algo folk criado pela
banda. Não vamos forçar nada, mas o Folk está
na essência do Lothlöryen e podem esperar por
mais disso nos nossos próximos trabalhos. FOLK
YOU!!!
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