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ENTREVISTA EXCLUSIVA COM FÁBIO DÓRIA, VOCALISTA E BATERISTA DA BANDA KAPPA CRUCIS.

HMB – A banda Kappa Crucis já tem mais de dez anos de carreira e somente agora está lançando seu primeiro trabalho. Qual o motivo e quais foram as dificuldades que vocês enfrentaram até que chegassem em “Jewel Box”?

F.Dória – Na verdade, não temos um motivo específico para apontarmos. Nunca tivemos essa preocupação com o tempo. Apenas vivemos intensamente como banda. Nossos anos de estrada antes de Jewel Box transcorreram normalmente com o amadurecimento de toda a proposta que envolve a banda, seja no campo da música, das letras, ideológico, etc. E por fim, quando chegamos à formação ideal dos membros e instrumentos da banda, resolvemos que nosso trabalho deveria ser registrado e lançado.

HMB – Da formação que gravou a demo Steel Egg para a que gravou o álbum “Jewel Box” houve algumas alterações de line up, como se deu esta mudança?

F.Dória – Com nossa última demo, percebemos que tínhamos chegado praticamente à formação ideal, com Fischer nas guitarras e vocais principais, eu na bateria e vocais e Tramontin no baixo e vocais de apoio. Apenas faltava a peça final da engrenagem, que se deu com Stefanovitch nos trabalhos de teclados e permitiu que realizássemos uma antiga vontade, a de desenvolver órgãos, pianos, etc...

HMB – Nos trabalhos anteriores ao álbum de estréia a banda executava um som bastante cru, com influencias basicamente hard rock, porém, em “Jewel Box” as influencias vão além, ultrapassando o hard rock. Podemos perceber uma boa dose de heavy metal na sonoridade do Kappa Crucis neste seu debut. Você concorda que banda realmente mudou bastante sua sonoridade? A que você atribui isso?

F.Dória – Na verdade, o heavy metal sempre correu em nossas veias. Mas o heavy metal de raiz, como Black Sabbath, principalmente. Sinceramente, não vejo uma mudança de sonoridade, mas sim um amadurecimento em nossas composições e interpretações, além de um trabalho mais apurado nos arranjos, além da adição dos teclados.

HMB – Ainda é possível perceber na sonoridade da banda uma influencia muito forte dos grandes clássicos do hard rock dos anos setenta, especialmente nas linhas de guitarra que lembram muito Uriah Heep e nos timbres de teclados que claramente remetem a John Lord (Deep Purple). Além destas, que outras bandas e músicos tiveram influencia direta ou indireta no trabalho de vocês.

F.Dória – Com certeza o que ouvimos e gostamos durante nossas vidas acaba nos influenciando, apesar de não pensarmos em qual banda nossa música possa estar parecendo à cada criação e desenvolvimento. Acredito que existam influências, quando não latentes e diretas, pelo menos mais intrínsecas e indiretas, de acordo com nossas informações musicais. É um orgulho ter esse apontamento de Uriah Heep e Deep Purple como influências, mas gostaria de acrescentar que, além dessas duas, Black Sabbath, Jethro Tull e Lynyrd Skynyrd são também unanimidades entre os membros da banda e talvez elas acabem se tornando influentes em nosso trabalho. Existem outras bandas também que gostamos muito. Quanto aos músicos influentes, aí a variação é bem maior.

HMB – Podemos notar em “Jewel Box” uma produção muito caprichada e cuidadosamente elaborada, coisa muito difícil de se ver em bandas nacionais. Como se deu o processo de gravação e mixagem do álbum? Quem foi o responsável pela produção?

F.Dória – Obrigado pelas palavras. É gratificante ter o reconhecimento do trabalho no qual houve um grande esmero para realizar. Gravamos e mixamos o álbum em um estúdio chamado Ger Som Studio, localizado em Itapeva, interior de São Paulo. Moramos no sul de São Paulo, em Apiaí, cidade rodeada de matas, cavernas, etc. Tramontin mora em Ribeira, também no sul do Estado. Por ser necessário viajar até Itapeva, saíamos de Apiaí durante a madrugada e dávamos o início aos trabalhos cerca de oito horas da manhã, com duração até cerca de cinco horas da tarde e intervalo para o almoço. Isso ocorria à cada 15 dias, mais ou menos, e ocupamos cerca de um ano para isso. Foi muito cansativo, mas extremamente gratificante. De modo geral, gravamos - pela ordem - bateria, guitarra, teclados, baixos e solos de guitarra. Depois vocais e harmonias vocais. No final, arranjos complementares diversos. A produção foi minha, deixando os outros membros livres para opinarem em certos pontos, assim como o engenheiro de som, pelo conhecimento técnico e pela parceria que acabou formando. A produção visual e do produto como um todo também ficou ao meu encargo.

HMB – Levando em consideração o baixo interesse por parte dos jovens por bandas que se dedicam ao bom e velho rock n’ roll, preferindo cada vez mais os modismos dentro do heavy metal, podemos considerar muito corajosa a atitude da banda de não ter se vendido como fizeram muitas outras bandas pelo caminho. Você concorda que é preciso ser um verdadeiro apaixonado pelo som que se gosta para que não se perca pelo caminho em busco de mais lucro com a música?

F.Dória – Não tenho a menor sombra de dúvida de que um caminho seguro e bem estruturado levará à uma expressão honesta e verdadeira do trabalho de uma banda e para isso é necessário o envolvimento do sentimento pelo que faz. É inadmissível que se trate a música como um mero produto comercial, compondo e tocando o que não gosta.

HMB – Com um álbum pronto em mãos a banda já está preparando uma turnê para divulgação de “Jewel Box”? Quais são, na sua opinião, as dificuldades enfrentadas por uma banda independente em relação à participação em grandes eventos e festivais?

F.Dória – Estamos divulgando o álbum, mas ainda não há turnê. Pretendemos viabilizar isso. O espaço para shows de bandas autênticas e com trabalho de autoria própria está cada vez mais reduzido, ainda mais tratando-se de hard, heavy, progressive, etc. As dificuldades existem e também estão ligadas à pergunta anterior. Vejo que mesmo bandas com gravadoras tem dificuldades em se apresentar ao vivo. Há boas bandas e bons espaços para shows. Porém, como um todo, onde poderia haver um cenário forte de bandas verdadeiras, casas de shows, bares, promotores, público, etc, há uma crise de existência, formada em parte por um problema financeiro, em parte pessoas que não sabem o que estão fazendo e em parte por um problema cultural e de informações passadas de forma errada, inclusive com uma grande infestação de bandas covers.

HMB – Você acredita que para uma banda independente a maior dificuldade seja para buscar recursos para gravação de um álbum ou difícil mesmo é a divulgação dele?

F.Dória – Há dificuldades em ambos os casos. Porém, ficar esperando tudo cair do céu não leva à lugar algum. De certa forma, a divulgação independente nos locais certos é mais difícil.

HMB – Como você analisa o Projeto de Emenda Constitucional (PEC da música) que propõe imunidade tributária para gravações das obras desenvolvidas por artistas e/ou compositores brasileiros? Você acha que ela pode finalmente ser um ponto de apoio aos músicos independentes de nosso país?

F.Dória – Acho interessante. Mas, de início, acho que isso pode acabar favorecendo quem já tem algum nome formado. Para quem está começando, as dificuldades continuarão as mesmas, pois hoje, independente de incentivos fiscais, se pode trabalhar com dedicação e afinco e gravar, mixar, masterizar e prensar um número razoável de cópias. O problema maior é qual a seqüência de tudo isso, como onde mostrar seu trabalho.

HMB – Para encerrar, faça suas considerações finais o que mais achar importante que seja dito sobre o trabalho do Kappa Crucis.

F.Dória - Bem, a banda Kappa Crucis existe e desde que foi criada tem um propósito natural de fazer seu trabalho de forma verdadeira. Sempre nos orgulhamos de nossa banda. Um simples ensaio já é uma realização para nós, pois nele estamos reunidos e tocamos juntos o que gostamos. Esperamos que as pessoas gostem de nosso álbum e percebam a essência dele. Visitem nosso site www.kappacrucisband.com e nossa página do myspace www.myspace.com/kappacrucis para saberem mais sobre a banda. Muito obrigado pela oportunidade da entrevista ao site Heavy Metal Brasil e um bom 2010 à todos.

HMB – Muito obrigado pela entrevista e muito boa sorte com este excelente álbum de estréia. O Heavy Metal Brasil estará na torcida.

 

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