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HMB
– A banda Kappa Crucis já tem mais de dez
anos de carreira e somente agora está lançando seu
primeiro trabalho. Qual o motivo e quais foram as dificuldades
que vocês enfrentaram até que chegassem em “Jewel
Box”?
F.Dória
– Na verdade, não temos um motivo específico
para apontarmos. Nunca tivemos essa preocupação
com o tempo. Apenas vivemos intensamente como banda. Nossos anos
de estrada antes de Jewel Box transcorreram normalmente com o
amadurecimento de toda a proposta que envolve a banda, seja no
campo da música, das letras, ideológico, etc. E
por fim, quando chegamos à formação ideal
dos membros e instrumentos da banda, resolvemos que nosso trabalho
deveria ser registrado e lançado.
HMB
– Da formação que gravou a demo Steel
Egg para a que gravou o álbum “Jewel Box” houve
algumas alterações de line up, como se deu esta
mudança?
F.Dória
– Com nossa última demo, percebemos que
tínhamos chegado praticamente à formação
ideal, com Fischer nas guitarras e vocais principais, eu na bateria
e vocais e Tramontin no baixo e vocais de apoio. Apenas faltava
a peça final da engrenagem, que se deu com Stefanovitch
nos trabalhos de teclados e permitiu que realizássemos
uma antiga vontade, a de desenvolver órgãos, pianos,
etc...
HMB
– Nos trabalhos anteriores ao álbum de estréia
a banda executava um som bastante cru, com influencias basicamente
hard rock, porém, em “Jewel Box” as influencias
vão além, ultrapassando o hard rock. Podemos perceber
uma boa dose de heavy metal na sonoridade do Kappa Crucis neste
seu debut. Você concorda que banda realmente mudou bastante
sua sonoridade? A que você atribui isso?
F.Dória
– Na verdade, o heavy metal sempre correu em nossas
veias. Mas o heavy metal de raiz, como Black Sabbath, principalmente.
Sinceramente, não vejo uma mudança de sonoridade,
mas sim um amadurecimento em nossas composições
e interpretações, além de um trabalho mais
apurado nos arranjos, além da adição dos
teclados.
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HMB
– Ainda é possível perceber na sonoridade
da banda uma influencia muito forte dos grandes clássicos
do hard rock dos anos setenta, especialmente nas linhas de guitarra
que lembram muito Uriah Heep e nos timbres de teclados que claramente
remetem a John Lord (Deep Purple). Além destas, que outras
bandas e músicos tiveram influencia direta ou indireta
no trabalho de vocês.
F.Dória
– Com certeza o que ouvimos e gostamos durante
nossas vidas acaba nos influenciando, apesar de não pensarmos
em qual banda nossa música possa estar parecendo à
cada criação e desenvolvimento. Acredito que existam
influências, quando não latentes e diretas, pelo
menos mais intrínsecas e indiretas, de acordo com nossas
informações musicais. É um orgulho ter esse
apontamento de Uriah Heep e Deep Purple como influências,
mas gostaria de acrescentar que, além dessas duas, Black
Sabbath, Jethro Tull e Lynyrd Skynyrd são também
unanimidades entre os membros da banda e talvez elas acabem se
tornando influentes em nosso trabalho. Existem outras bandas também
que gostamos muito. Quanto aos músicos influentes, aí
a variação é bem maior.
HMB
– Podemos notar em “Jewel Box” uma
produção muito caprichada e cuidadosamente elaborada,
coisa muito difícil de se ver em bandas nacionais. Como
se deu o processo de gravação e mixagem do álbum?
Quem foi o responsável pela produção?
F.Dória
– Obrigado pelas palavras. É gratificante
ter o reconhecimento do trabalho no qual houve um grande esmero
para realizar. Gravamos e mixamos o álbum em um estúdio
chamado Ger Som Studio, localizado em Itapeva, interior de São
Paulo. Moramos no sul de São Paulo, em Apiaí, cidade
rodeada de matas, cavernas, etc. Tramontin mora em Ribeira, também
no sul do Estado. Por ser necessário viajar até
Itapeva, saíamos de Apiaí durante a madrugada e
dávamos o início aos trabalhos cerca de oito horas
da manhã, com duração até cerca de
cinco horas da tarde e intervalo para o almoço. Isso ocorria
à cada 15 dias, mais ou menos, e ocupamos cerca de um ano
para isso. Foi muito cansativo, mas extremamente gratificante.
De modo geral, gravamos - pela ordem - bateria, guitarra, teclados,
baixos e solos de guitarra. Depois vocais e harmonias vocais.
No final, arranjos complementares diversos. A produção
foi minha, deixando os outros membros livres para opinarem em
certos pontos, assim como o engenheiro de som, pelo conhecimento
técnico e pela parceria que acabou formando. A produção
visual e do produto como um todo também ficou ao meu encargo.
HMB
– Levando em consideração o baixo
interesse por parte dos jovens por bandas que se dedicam ao bom
e velho rock n’ roll, preferindo cada vez mais os modismos
dentro do heavy metal, podemos considerar muito corajosa a atitude
da banda de não ter se vendido como fizeram muitas outras
bandas pelo caminho. Você concorda que é preciso
ser um verdadeiro apaixonado pelo som que se gosta para que não
se perca pelo caminho em busco de mais lucro com a música?
F.Dória
– Não tenho a menor sombra de dúvida
de que um caminho seguro e bem estruturado levará à
uma expressão honesta e verdadeira do trabalho de uma banda
e para isso é necessário o envolvimento do sentimento
pelo que faz. É inadmissível que se trate a música
como um mero produto comercial, compondo e tocando o que não
gosta.
HMB
– Com um álbum pronto em mãos a banda
já está preparando uma turnê para divulgação
de “Jewel Box”? Quais são, na sua opinião,
as dificuldades enfrentadas por uma banda independente em relação
à participação em grandes eventos e festivais?
F.Dória
– Estamos divulgando o álbum, mas ainda
não há turnê. Pretendemos viabilizar isso.
O espaço para shows de bandas autênticas e com trabalho
de autoria própria está cada vez mais reduzido,
ainda mais tratando-se de hard, heavy, progressive, etc. As dificuldades
existem e também estão ligadas à pergunta
anterior. Vejo que mesmo bandas com gravadoras tem dificuldades
em se apresentar ao vivo. Há boas bandas e bons espaços
para shows. Porém, como um todo, onde poderia haver um
cenário forte de bandas verdadeiras, casas de shows, bares,
promotores, público, etc, há uma crise de existência,
formada em parte por um problema financeiro, em parte pessoas
que não sabem o que estão fazendo e em parte por
um problema cultural e de informações passadas de
forma errada, inclusive com uma grande infestação
de bandas covers.
HMB
– Você acredita que para uma banda independente
a maior dificuldade seja para buscar recursos para gravação
de um álbum ou difícil mesmo é a divulgação
dele?
F.Dória
– Há dificuldades em ambos os casos. Porém,
ficar esperando tudo cair do céu não leva à
lugar algum. De certa forma, a divulgação independente
nos locais certos é mais difícil.
HMB
– Como você analisa o Projeto de Emenda Constitucional
(PEC da música) que propõe imunidade tributária
para gravações das obras desenvolvidas por artistas
e/ou compositores brasileiros? Você acha que ela pode finalmente
ser um ponto de apoio aos músicos independentes de nosso
país?
F.Dória
– Acho interessante. Mas, de início, acho
que isso pode acabar favorecendo quem já tem algum nome
formado. Para quem está começando, as dificuldades
continuarão as mesmas, pois hoje, independente de incentivos
fiscais, se pode trabalhar com dedicação e afinco
e gravar, mixar, masterizar e prensar um número razoável
de cópias. O problema maior é qual a seqüência
de tudo isso, como onde mostrar seu trabalho.
HMB
– Para encerrar, faça suas considerações
finais o que mais achar importante que seja dito sobre o trabalho
do Kappa Crucis.
F.Dória
- Bem, a banda Kappa Crucis existe e desde que foi criada
tem um propósito natural de fazer seu trabalho de forma
verdadeira. Sempre nos orgulhamos de nossa banda. Um simples ensaio
já é uma realização para nós,
pois nele estamos reunidos e tocamos juntos o que gostamos. Esperamos
que as pessoas gostem de nosso álbum e percebam a essência
dele. Visitem nosso site www.kappacrucisband.com e nossa página
do myspace www.myspace.com/kappacrucis para saberem mais sobre
a banda. Muito obrigado pela oportunidade da entrevista ao site
Heavy Metal Brasil e um bom 2010 à todos.
HMB
– Muito obrigado pela entrevista e muito boa sorte
com este excelente álbum de estréia. O Heavy Metal
Brasil estará na torcida.
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