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Em
época de lançamento de seu mais
novo álbum, Mentalize, o segundo em carreira
solo, o vocalista André Matos concedeu
uma entrevista exclusiva ao site Heavy Metal
Brasil. Confira: HMB - Andre, gostaria que você comentasse sobre como foi todo o processo de gravação deste novo álbum, bem como sobre as participações especiais... ANDRE - Como sempre, composição é um processo complexo. Requer trabalho e inspiração. Dedicação, acima de tudo. Eu, particularmente, gosto de compor em parceria com outros autores; acho que, desta forma, a música ganha muito em idéias. Este disco foi feito desta maneira: idéias que foram trabalhadas por toda a banda durante um período intenso de estúdio. Resolvi então assumir a produção da primeira parte, juntamente com o produtor Corciolli. O disco foi finalizado e mixado na Alemanha por Sascha Paeth.
ANDRE
- A produção foi realizada
em diferentes países, como sempre. Boa
parte das gravações ocorreu no
Brasil e as finalizações foram
feitas na Alemanha.
HMB - O fato de gravar a canção Dont’ Dispair, que vem lá dos tempos do Angra, foi algo pensado para atender aos inúmeros pedidos dos fãs ou esta idéia já vinha de mais tempo? ANDRE - Na verdade, a “Don’t Despair” virá apenas na edição brasileira e não sairá em mais nenhum lugar do mundo. Resolvemos privilegiar o mercado brasileiro, que já sofre tanto com as importações e piratarias e oferecer algo realmente especial. Essa música fez história ao longo de minha carreira, pois foi composta na época dos primeiros discos e nunca chegou a figurar em nenhum deles. Agora, depois de muitos anos, ela foi resgatada e ganhou uma nova sonoridade, a pedido dos fãs. HMB - Andre, depois que você saiu do Angra, os álbuns do Shaman e de sua carreira solo têm uma marca registrada que é não ter um estilo definido, isto é, você vai do melódico ao metal tradicional e do progressivo a estilos mais alternativos com muita naturalidade... Você realmente defende a ideia de que um músico não pode ficar refém de um estilo preestabelecido ou vocês realmente compões de forma livre e só após finalizada a música é que você avalia o seu direcionamento musical?
HMB - Causou-se muita curiosidade sobre como seriam as linhas de bateria do Eloy Casagrande. E ele simplesmente superou todas as minhas expectativas. Gostaria que você comentasse um pouco sobre a participação dele no Mentalize. ANDRE - Que bom que ele superou as suas expectativas! De fato superou as nossas também. Esse foi o primeiro trabalho completo do Eloy em estúdio e o que mais impressionou foi a rapidez e a facilidade na hora de gravar. Muitas vezes, alterávamos um arranjo ou ate mesmo toda a linha de bateria em cima da hora, e para o Eloy isso não fazia muita diferença: ele encarou todo o desafio com muita calma e extremo profissionalismo.
ANDRE - Nós dois começamos mais ou menos com a mesma idade. É difícil comparar, pois são épocas diferentes, mas tenho certeza de que se o Eloy fosse meu contemporâneo, também se destacaria da mesma forma. HMB - Como foi a escolha da Azul Music como a gravadora do Mentalize? E como será o processo de divulgação do álbum? Existe a possibilidade de alguma música ser tema de novela como aconteceu com Fairy Tale do Ritual? ANDRE - Possibilidade, sempre existe, mas não depende somente do artista ou da gravadora, e sim, das circunstâncias. A escolha da gravadora se deu de forma natural. Eu estava muito feliz na Universal, mas a Azul Music veio com um algo a mais: a proximidade com os fãs. Acredito que podemos desenvolver um grande e completo trabalho juntos, a partir do MENTALIZE. HMB - Sobre o vazamento de Mentalize na internet bem antes de seu lançamento, você acredita que isto pode vir a prejudicar as vendas do CD? ANDRE - De maneira alguma, acredito que vazamentos, mesmo quando não propositais, acabam por atiçar a curiosidade do publico. Não há grande diferença entre encontrar as musicas na rede antes ou depois do lançamento. O que estou gostando de ver é a maior conscientização em relação aos downloads ilegais. Se há uma maneira de fazê-lo legalmente, isso promove um maior desinteresse pela pirataria. Nesse aspecto, a gravadora acertou em cheio: tanto pelo esquema de pré-venda com direito a download, como a venda do download em si, ambos a um preço bastante acessível. HMB - Você acredita que o fato da própria gravadora estar disponibilizando o álbum completo em MP3 para quem comprou em sua pré-venda, pode ser uma porta de acesso aos piratas? ANDRE - Como afirmei acima, acho que é exatamente o contrário. Ao disponibilizar meios legais de distribuição eletrônica, estamos justamente combatendo a pirataria. Quem é fã de verdade vai sempre preferir estar ao lado do artista e da gravadora, principalmente quando se percebe que tudo é feito em função dos fãs. HMB - Andre, como você vê atualmente o metal nacional? E até que ponto a crise da indústia fonográfica está interferindo na cena em geral? ANDRE - O metal nacional continua tentando se profissionalizar cada vez mais. A crise é geral no mundo inteiro. No Brasil, infelizmente, somos obrigados a nos digladiar com gêneros musicais desqualificados e que ocupam quase todo o espaço existente na mídia, exceto os veículos dedicados a gêneros específicos. Lamentavelmente, no Brasil, ainda vale o que vende mais, independente da qualidade. Nos continuamos na nossa batalha cotidiana para tentar inverter essa situação. HMB - Andre, como você analisa o Projeto de Emenda Constitucional (PEC da música) que propõe imunidade tributária para gravações das obras desenvolvidas por artistas e/ou compositores brasileiros? Você acha que ela pode combater de alguma forma a pirataria ou esta cultura já se tornou algo irreversível no cenário nacional? ANDRE - Qualquer iniciativa neste sentido é bem vinda. Os Estados Unidos protegem o seu mercado interno desde sempre. Na minha modesta opinião, acho que a pirataria deve estar com os dias contados, da maneira como conhecemos. Outras mídias serão inventadas e outras modalidades de distribuição se seguirão. Obviamente, a indústria e o governo têm de fazer o seu papel, visando menos lucros e menos receitas de impostos. HMB - Andre, comente a respeito de como foi a participação que você fez no mais recente trabalho de Corciolli? Você já havia se aventurado alguma vez no universo da New Age? É um estilo que você costuma ouvir com frequência? Você acredita que possa haver alguma relação entre este projeto e álbum Mentalize? ANDRE - Eu não chamaria o novo trabalho de Corciolli simplesmente de New Age. Na verdade, topei o desafio de participar porque vi muito em comum na musica que fazemos. Existe um lado das minhas composições que é bastante atmosférico, ao passo que reconheci um certo “peso” nas ideias dele. Construímos uma parceria muito rica, e confesso que tive de rever alguns de meus conceitos, para estar apto a participar deste trabalho. Sempre me interessei pelo estilo New Age, e não foram raras as vezes em que, após sair do palco, com o som no ultimo volume, me encontrei escutando música atmosférica, para poder equilibrar as energias. HMB - E quanto à sua participação em shows de Blues? ANDRE - Já fui convidado algumas vezes para fazer participações especiais em diversos eventos de Blues, principalmente junto a um dos nomes mais importantes da cena nacional, o Irmandade do Blues. Esse é um estilo que eu nunca havia desenvolvido antes, mas que sempre admirei. Em pouco tempo, me senti bastante familiar, com a musica e os músicos. Dizem que o Blues é o pai do Rock, e mesmo que esta afirmativa seja passível de discussão, não há duvida de que houve um grande momento de transição, entre o Blues e o Rock pesado, no final dos anos 60. HMB - Muito se falou a respeito da gravação de um DVD ao vivo durante a turnê de Time To Be Free, inclusive, alguns davam como certo que esta gravação iria acontecer em São Paulo já inicio de 2009, no entanto, a gravação não aconteceu. Agora com Mentalize, já são dois álbuns completos com seu trabalho solo, será que finalmente teremos um DVD a caminho? Já existe o projeto de produção de algum vídeo clipe para o álbum? ANDRE - São todos projetos que temos em mente e esperamos concretizar muito brevemente. Estamos estudando a produção de um DVD para planos futuros, e estamos tão ansiosos quanto os fãs. Aguardem novidades! HMB - Não sei se você já percebeu, mas você já está indo para uma segunda geração de fãs, ou seja, você já tem seguidores que são filhos de seus fãs do começo de sua carreira... Em sua opinião, qual a maior diferença entre essas gerações? ANDRE - Tenho um imenso prazer em saber que o meu publico já transpassa por gerações. A grande diferença é que a geração atual é mais critica, e mesmo gostando de Heavy Metal, escuta outros estilos musicais.
ANDRE - A tour irá começar por aqui e irá se expandir lá fora. HMB - Andre, uma última pergunta, quem você acha que vai ser o campeão brasileiro de futebol em 2009? (Risos) ANDRE - Corinthians!!!!!!!! HMB - Andre, muito obrigado pela entrevista e muito boa sorte com o novo álbum.
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