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QUEEN
+ Paul Rodgers - Live in Ukraine
Assistindo
ao show, podemos deduzir que uma das causas que tenha levado a
parceria a um fim precoce pode ser um certo desconforto da parte
de Rodgers em cantar um repertório onde cerca de 80% das
canções não são suas. Afinal o nome
Queen sempre pesou e teve muito mais repercussão que qualquer
uma das bandas por onde este passou, por melhores que tenham sido
(afinal, Free, Bad Company e The Firm são nomes que impõem
respeito, sem falar em sua carreira solo). Não que ele
demonstre isso, claro – é apenas uma suposição
– mas esperava-se que com o novo álbum, mais canções
suas iriam entrar no set list. Deixemos as especulações
de lado, e vamos ao que interessa...
O
show já começa com uma dobradinha conhecidíssima
pelos fãs do extinto quarteto: “One Vision”
e “Tie Your Mother Down”, sendo seguidas por “The
Show Must Go On”. Logo de cara nos chama atenção
a enorme quantidade de pessoas assistindo à exibição.
A contracapa do DVD cita mais de 350.000 presentes, e não
é de se duvidar, como pode ser conferido pelas tomadas
panorâmicas. Tudo isso comprova o poder de fogo que o nome
Queen ainda tem: apesar do grande frio evidente pelos trajes da
platéia, esta estava lá, elétrica, empolgadíssima.
Estão
presentes ainda outros clássicos, como “Hammer To
Fall”, “Fat Bottomed Girls”, “I Want To
Break Free”, “Another One Bites The Dust”, “Crazy
Little Thing Called Love”, as obrigatórias “Bohemian
Rhapsody”, “We Will Rock You” e “We Are
The Champions”... pode se sentir falta de alguns grandes
hits, como por exemplo “Radio Ga Ga” ou “Under
Pressure”, mas a banda reveza bem a seleção
das músicas, e inclui aqui uma que nunca tocaram ao vivo
nos tempos de Freddie Mercury e John Deacon: a grande “I
Want It All” (que, para quem não sabe, é do
álbum “The Miracle”, e nesse período
Freddie já se encontrava fragilizado pela AIDS, o que levou
a banda a não fazer mais shows).
Recheando
isso tudo, grandes destaques ficam por conta do set acústico,
com a óbvia “Love Of My Life” e a deliciosa
levada folk de “‘39”, bem como o solo de bateria
de Taylor, contando com uma ajuda do baixista Danny Miranda. Notem
que uma segunda bateria é montada neste momento, para a
execução a seguir de “I’m In Love With
My Car” e “Say It’s Not True”. Outro ponto
alto é a nova homenagem ao Freddie (sim, mais uma), no
meio do solo de Brian May: este recria “Bijou”, do
álbum “Innuendo”, e os vocais e as imagens
do saudoso frontman tomam conta do palco.
Da
parte de Paul Rodgers (leia-se: mapeando sua carreira) destacam-se
grandes temas, como “Feel Like Makin’ Love”,
“Bad Company” (onde ele se senta ao piano) e, claro,
“All Right Now”. Estranhamente, a princípio
fica claro que o público parece não conhecer este
clássico, mas lá pelo refrão, aos poucos,
começam a cantá-la, tendo o esforço reconhecido
pelo próprio vocalista. E do fruto da parceria, aparecem
a divertida “Cosmos Rockin´” e a ótima
“C-Lebrity”. Resumindo: grande show, duas horas de
puro rock and roll.
Mas
como nem tudo é perfeito, há de se lamentar não
haver nenhum extra no disco - talvez o lançamento tenha
sido feito apenas numa tentativa de coibir sua pirataria, já
que o mesmo foi transmitido pela TV e já vinha sendo difundido
pela internet. Como prêmio de consolação,
foram inclusas legendas, permitindo aos fãs cantarem juntos
os clássicos. E no exterior foi lançado também
em CD duplo, e uma edição limitada de luxo reunindo
os CDs, o DVD e até mesmo uma camiseta. Resta saber se
o mesmo irá acontecer aqui no terceiro mundo... |