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| TERMINATOR - Entrevista Exclusiva HMB - A banda foi formada em 1986, posteriormente, ficou seis anos com suas atividades interrompidas, até que então foi lançado o CD-demo “Sanctuary of Fear”, onde a banda passou por algumas, mudanças no line-up. Quais as dificuldades pelas quais a banda passou ao longo desses anos? É realmente complicado manter uma formação por muito tempo?
MÁRCIO: Na verdade o TERMINATOR é à
prova de qualquer tipo de intempérie. Na pior
das hipóteses a gente ficar hibernando igual
urso no inverno, mas morrer mesmo é difícil!
(risos). O lance é que na época, as vidas
pessoais de cada um tomaram rumos diferentes, principalmente
o Aldo - que tinha ido morar numa cidade muito distante
de Goiânia - e eu - que na época tava muito
sem tempo para tocar. Isso era 1996. Mas a gente sabia
que nosso material era muito bom e que não poderíamos
nunca deixar morrer tudo sem fazer um puta álbum.
Foi aí que em 2000 rolou uma enorme seqüência
de coincidências e nós retomamos as atividades
com muito mais paixão do que antes. É
aquela estória que quando é para dar certo
o universo conspira a favor... Sobre as dificuldades,
o mais difícil é poder se estabilizar
na vida pra poder tocar. Afinal, viver de música
é utopia. Agora todo mundo tá formado
e trabalhando. E aí, velho, agora é que
nós vamos quebrar o pau mesmo. Já fazia
tempo que a gente sabia, mas agora tá demais:
nós vivemos pra tocar metal! E aí quando
você gosta, os problemas ficam pequenos e é
fácil contorná-los. O principal fator
para manter a estabilidade é esse. Outra coisa
é você estar sempre gostando do que você
compõe e aí entra a necessidade de ter
algum talento mesmo. Nesse ponto, beleza, o próximo
álbum vai quebrar tudo, muito mais do que esse! HMB – Como é a cena underground de Goiânia? Quais bandas daí você aconselharia? Você acha que é mais complicado fazer Heavy Metal fora dos grandes centros? MÁRCIO: Em Goiânia a cena pega fogo, cara. Muita banda boa, nos vários estilos que tão rolando. Eu sugeriria o Heaven's Guardian no melódico, o Inbleeding no alterna, o Necropsy, no thrash, o Magnificência no death, mas tem mais banda boa aí. Bom, se a gente estivesse em um grande centro seria outra coisa em termos de freqüência de eventos, maior disponibilidade de gravadoras, etc. Mas hoje em dia todo mundo tá conectado na net e por isso não existem distâncias, todo mundo tem acesso à sua obra. Apesar disso, é realmente mais trabalhoso não estar em um grande centro.
HMB – Recentemente houve um festival de Heavy Metal aqui em minha cidade (II Triumph of Metal Festival), que contou com a participação de várias bandas com nome forte na cena, tais como Tuatha de Dannan, Holy Sagga, Corpse Grinder, Sagitta, etc. Eu ajudei na organização desse evento. Na época, eu até pensei em chamar vocês, mas a distância entre as duas cidades é muito grande (Goiânia-GO/Pouso Alegre-MG) e o custo disso tudo seria altíssimo. Este tipo de deslocamento de sua cidade para os estados de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, etc, é complicado para a banda. Vocês já pensaram em se estabelecer por um tempo em algum desses lugares para facilitar um pouco as coisas para a banda ou vocês entendem que mesmo assim é impossível viver de Heavy Metal tão-somente? MÁRCIO: Pô, Ewerton, mas não chamou a gente porque, cara? Cê marcou bobeira, meu! (risos) Pra você ter uma idéia nós fomos a Indaial/SC no começo de agosto tocar no V River Rock Festival: foram 26 horas de viagem, sem falar que tava quase 0º na hora do show! O gasto destes deslocamentos é sempre grande, mas nisso sempre se dá um jeito. Sem dúvida, esse é o maior problema da distância. Pelo menos por enquanto estamos sediados em Goiânia mesmo. No futuro, vamos ver.
HMB - Eu entrei no site da banda e o achei magnífico. Você acha que este tipo de investimento, digamos, mais profissional é indispensável para uma banda atingir seus objetivos? MÁRCIO: Sem dúvida. A apresentação de uma banda tem que condizer com os objetivos que ela tem. Nós temos grandes ambições e sempre achamos que o site para ficar no nível do CD teria que ser muito bem feito. Um resultado dessa mentalidade é a nossa satisfação de saber a sua opinião. Mas outros itens tem que ser abordados com o mesmo rigor, como postura de palco, material gráfico, letras, etc. Na medida do possível o Terminator é uma banda muito perfeccionista.
HMB – De um modo geral: como foi a aceitação do “Sanctuary of Fear” na mídia? MÁRCIO: Muito boa, cara! É um disco muito metal, basicamente, e muito de raiz. Independente da facção de heavy metal da galera, a gente tem recebido elogios demais. A boa música, quando é feita com sinceridade e convicção, e sem essa de aproveitar modismos, é sempre reconhecida. sem dúvida. E metal pra dar aquela headbangueada tradicional é bom demais, é ou não é? (risos)
HMB – Quais são as influências da banda e de cada integrante especificamente? Por qual baterista você mais se influenciou? MÁRCIO: Aí vão as influências de cada um então: Erich, vocal: Sabbath, Purple, Zeppelin, Judas e sons dos anos 70 em geral. Aldo, guitarra: Sabbath, Queenrsrÿche, Judas, Sevendust. André, baixo: Sabbath, Korn, Metallica, Clawfinger. Márcio, batera: Sabbath, Accept, Queensryche No geral a sonoridade da banda seria uma mescla de Sabbath (o grande rei), Queensryche e Faith No More, mas com uma roupagem moderna. Como batera, o cara que eu sempre fui fã mesmo é o Vinnie Appice, que é um dos bateras que mais tira som de uma bateria. Mas tem uns alienígenas aí do tipo Neil Peart e Deen Castronovo, que são pra mim os melhores. (risos).
HMB – O que influenciou você para ser um músico, montar uma banda, etc? MÁRCIO: Não tenha dúvida que foi o Rock in Rio I, que simplesmente chocou a galera que viveu aquela época. Na seqüência eu conheci as bandas clássicas dos anos 80, como Accept, Metallica, Saxon e tantas outras, e aí a coisa se consolidou. A gente tinha, um dia, que fazer som e ser cabeludo como aqueles caras. O som nós tamos fazendo, os cabelos é que deram uma raleada! (risos)
HMB – Apesar de “Sanctuary of Fear” ser um CD-demo, eu gostei muito da produção e mixagem. Ficou algo bem coeso. Mas um aspecto que chamou muito a minha atenção foi o timbre da guitarra – é muito maravilhoso. Poucas bandas conseguem um timbre tão “Heavy Metal” como aquele (risos). Fale-nos um pouco sobre como foi feita a gravação, produção, mixagem, etc... Quais são as maiores dificuldades encontradas por uma banda para gravar um CD? MÁRCIO: Falando especificamente sobre a guitarra, os méritos são todos do Aldo. O cara domina muito o instrumento e sabe exatamente o tipo de som que quer tirar. E pra ele, quanto mais pesado melhor! Na verdade, o resultado foi muito bom, mas nós gostaríamos que tivesse saído menos sujo e mais pesado ainda. O próximo promete! Com relação ao álbum, ele foi todo gravado em Goiânia e mixado e masterizado pelo Anderson "Robocop" Rezende, que é um cara que saca muito. A grande questão é que nós sabíamos muito bem o que queríamos e tivemos muito tempo pra ir desenvolvendo. Como eu te falei antes, a banda é muito perfeccionista e pra isso tem que ter tempo. Ao final, com exceção de alguns poucos detalhes, chegamos muito perto do que queríamos inicialmente.
HMB – Eu gostei de todas as músicas indistintamente, mas uma me chamou mais a atenção é a faixa “Supernatural Tale” – perfeita! Qual é a sua música preferida? E qual vem repercutindo mais entre os fãs? MÁRCIO: Essa é uma questão interessante e mostra, pra nossa felicidade total, que é um bom material. Não há uma unanimidade na galera sobre a música preferida. Pra você ter uma idéia tem site que disse que a melhor era uma que a gente considerou a pior! Na verdade a "Supernatural..." tem realmente agradado demais, mas a "Sanctuary..." e a "Black Hole" estão muito cotadas. A "Target" também tem causado frisson nos shows. A minha preferida talvez pela cadência da batera seja "Just leave me alone", mas no geral eu curto todas. São minhas filhinhas! (risos)
HMB – Outro aspecto positivo no “Sanctuary of Fear” foi a originalidade. As faixas são distintas entre sim e mesmo assim o estilo é mantido. O que você pensa com relação às bandas que copiam outras ou as que se autocopiam? MÁRCIO: Eu acho que o heavy metal tem seus modismos de época. Já foi assim na década de 80 com o thrash metal, hoje o melódico é o que tá mandando. O problema é que as bandas tão saindo uma com a cara da outra e vira uma repetição só. Tem propaganda de gravadora em revista que fala na cara: "Banda tal, estilo Helloween, fase Keeper II, vocal igual ao fulano". Tem base uma coisa assim? Banalizou totalmente a possibilidade do cara fazer um som copiado, Ewerton. Eu acho que não é por aí, mas também não perco o sono por causa desse tipo de radicalismo.
HMB – A banda Terminator faz um Heavy Metal tradicional. Como você vê este estilo atualmente? Você acha que o mesmo está voltando a ter a mesma força de outrora ou o Metal Melódico (estou me referindo àquele monte de bandas iguais e sem graça que temos por aí) ainda “atrapalha” muito? MÁRCIO: É o que eu falei antes: não aprovo esse lance da repetição, mas cada um curte o que quiser. Eu tenho minhas idéias, meus pontos de vista, mas o lance é que a beleza tá no olho do observador, e aí cada um faz seu juízo. Nós vamos fazendo a nossa parte. Quem for desta praia, vai lá no próximo show que vai headbanguear até o pescoço doer! (risos)
HMB - O que vocês da banda pensam com relação ao futuro? Há a previsão de lançamento do debut? Vocês já têm algum contato com alguma gravadora? MÁRCIO: Sim, já temos contatos, mas confesso que fizemos uma opção errada e perdemos muito tempo com uma certa gravadora aí. Já retomamos os novos contatos e esperamos fechar logo alguma coisa e principalmente mandar esse material pro exterior, já que tem matérias em inglês que cobriram o CD com elogios. Esperamos fechar alguma coisa logo.
HMB – Muito obrigado pela entrevista, o espaço está aberto para as considerações finais. MÁRCIO: Valeu pela força, Ewerton, e esperamos que da próxima vez cê chame a gente pra tocar aí, pô! (risos). É isso aí, galera. Quem quiser conhecer nosso som dá uma chegada lá no www.terminator.com.br, faz uns downloads e aproveita e manda umas mensagens! Um abração a todos os leitores. A gente se encontra por aí afora nesse Brasil!
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