TENOTITLAN - Entrevista Exclusiva

A banda mineira de Doom Metal Tenotitlan ainda está em fase de divulgação de seu primeiro álbum, Senselesness Sounds, lançado em novembro de 2002, e depois do sucesso no Japão e Escócia, a banda está lançando um novo EP, "Last Exit To Babylon".

HMB - Olá galera, é bom ter vocês novamente em nosso estúdio.
Cássio - É um prazer pra todos nós estar aqui novamente.

HMB - Vocês estão fazendo muito sucesso no exterior, principalmente Japão e Escócia, mais aqui no Brasil vocês ainda não são tão conhecidos, como vocês encaram isso?
Cássio - Pra mim isso é totalmente compreensivo, os headbangers brasileiros estão mais próximos do metal melódico e do metal tradicional, o doom ainda não tem um grande publico no país, mais estamos mudando isso, já temos um grande numero de pessoas cadastradas em nosso fã clube oficial, e mesmo sendo uma banda de certa forma independente, pois somos donos de nossa própria gravadora, o numero de shows no Brasil está aumentando.
Willian - Concordo com o Cássio, o espaço para o Doom Metal ainda é restrito. Em alguns locais de shows as pessoas chegam mesmo a impor certas barreiras devido ao estilo, por acharem meio estranho, etc. Mas ainda bem já está mudando.

HMB - Como foi pra vocês abrir o "Souls of Metal Festival" na Escócia, tocando ao lado de bandas já consagradas?
Cássio - Só quem já abriu um festival de grande porte sabe como é isso, você pode se frustrar, pois o grande público pode deixar pra vir mais tarde por não conhecer a banda que toca primeiro, foi exatamente isso que aconteceu, quando entramos no palco havia apenas cerca de duas mil pessoas no local, o publico maior só chegou depois, mas a resposta dos que estavam lá foi surpreendente, eu nunca tinha visto um publico tão receptivo na Europa, tocamos na Itália e Portugal, mais o publico não foi lá essas coisas. Na verdade a experiência de tocar no mesmo palco onde mais tarde tocariam o Amorphis, Tiamat e Tierra Santa foi maravilhoso, eu pessoalmente sou muito fãs desses caras.
Willian - Este foi o ponto alto de nossa carreira, sem dúvidas. Só de tocar na Escócia foi demais. Parece que o local passa uma energia muito boa, e o público também! Mas rolou uma certa pressão também. Afinal vejam só as bandas "pequenas" que tocaram depois de nós!

HMB - Vocês tiveram problemas em Portugal, como foi isso?
Cássio - Cara, em Portugal foi um show horrível, o púbico era grande, mais ficou muito distante, eles estavam lá pra ver o Hammerfall e nem se importaram muito com a gente, depois do show veio um portuga maluco e avisou que gente tinha 5 minutos pra tirar tudo do palco para os caras prepararem as coisas para o show principal, sorte que nada do material era nosso, era tudo dos caras do Evergrey que tocou antes da gente, mandamos todo mundo a merda, deixamos tudo lá mesmo, e fomos embora.
Willian - Putz! Sem comentários...

HMB - E o Japão?
Cássio - O Japão é maravilhoso, eles realmente sabem como te deixar a vontade no palco, são incríveis, a gente já tinha conhecimento que bandas como Angra, Holy Sagga, e até outros artistas de outro nicho musical como Milionário e José Rico são sempre muito bem recebidos pelo publico japonês, é impossível você ir embora do Japão e não trazer nenhum presente de lá.
Bruno - Putz, eu fiquei muito assustado no show que fizemos em Nagoya, foi meu primeiro show internacional, em Portugal eu ainda não estava na banda, nunca tinha visto tanta gente pra me assistir tocando, tive que tomar meio litro de saquê no camarim pra enfrentar aquele publico, (Risos Gerais) mais agora em maio a gente vai pra lá de novo e eu já vou estar mais acostumado.
Willian - São uns shows assim que dão força pra gente ir em frente. Os japoneses detonam! Eles ficam completamente quietos antes do show, e quando começa o som, eles vão a loucura! Impressionante!

HMB - E como vão as vendas do álbum?
Cássio - No Brasil nós colocamos 10 mil copias no mercado e a noticia que temos e de que quase metade já está esgotada, na Europa ainda está difícil, vendemos pouco mais de dois mil CD's, mais no Japão vai tudo as mil maravilhas, já vendemos todas as 13 mil copias que mandamos pra lá e eles já encomendaram uma nova tiragem de mais 8 mil.

HMB - Vocês estão entrando em estúdio nesse mês de maio para gravar um EP, como vai se chamar e o que vocês podem adiantar pra gente sobre esse trabalho?
Cássio - Bem, a gente não devia, mais acho que o Geovani (empresário da banda) não vai se importar, o EP vai se chamar "Last Exit to Babylon", estamos mantendo essa linha de white doom metal somente com mensagens positivas, o EP é quase uma opera, vamos abordar o fim do mundo e o renascimento do paraíso na terra. São algumas musicas que não foram inclusas no álbum Senselesness Sounds, tem ainda uma versão em português e um cover, mais isso ainda é surpresa. O que posso adiantar é que vamos lançar o EP não só em CD, mais também em MD, e ainda vai haver uma tiragem limitada em vinil.
Willian - Olha gente, essa coisa de "White" não tem nenhuma conotação religiosa, tá? Não somos crentes!

HMB - Pois é, eu fiquei sabendo desse lançamento em MD, isso é demais, não tenho noticias de nenhuma banda de metal, exceto o Iron Maiden, que tenha lançado um disco em MD, vocês acham que essa moda pode pegar?
Cássio - Tomara que sim, eu pessoalmente gosto muito do MD, além da excelente qualidade do áudio, é muito pratico, você pode carregar no bolso.

HMB - Vocês também pensam em entrar nessa onda de gravar DVD?
Cássio - Acredito que ainda seja muito cedo.
Bruno - Acho que pra gravar um DVD precisamos de mais tempo de carreira, mais musicas, e muito mais publico aqui no Brasil.
Willian - O mais importante é gravar o DVD no Brasil, acho que não teria a mesma graça se fosse gravado em outro país.

HMB - Bruno, você não participou da gravação do Senselesness Sounds, essa vai ser a primeira vez que vai entrar em estúdio com a banda, você já está no clima para gravar?
Bruno - Eu me sinto muito preparado para entrar em estúdio pela primeira vez com a banda, tenho certeza de que o EP vai ficar excelente, espero que os fãs também curtam, eu já estou curtindo, até por que, vamos gravar uma musica que o Cássio e eu fizemos em 1999 chamada "Traitor Execution", no Inconfident Warriors eu nunca compus nada, e isso me deixa ainda mais ansioso.

HMB - E pra quando está previsto o lançamento?
Willian - dia 6 de Junho.

HMB - Acho que todo mundo já sabe da relação de vocês com o Kiko Loureiro (Guitarrista do Angra), como vão as coisa entre vocês?
(Cássio e Willian quase saíram no braço com o guitarrista em um show do Angra na cidade de Pouso Alegre em 1999)
Cássio - É... Deixa pra lá né... (Risos)
Bruno - Precisa responder mesmo? (Risos Gerais)

HMB - Cássio, você foi o principal criador da TC Records, a gravadora já está trabalhando com várias bandas novas não é?
Cássio - É sim, mas na verdade eu não criei nada, a TCR é uma gravadora de médio porte que tem sede na Itália, eu sou amigo pessoal de um dos diretores, o Alessandro Davalla, que é também produtor do nosso primeiro disco, ele me cedeu os direitos para trazer uma ramificação da gravadora para o Brasil e começar a lançar novas bandas. A proposta principal sempre foi essa mesma, apresentar novas bandas, mais não somente novas bandas, eu consegui trazer de volta algumas bandas dos anos oitenta e noventa como o Satanic Sacrifice o Cérbero e o Curse, onde eu comecei minha carreira. Felizmente a equipe que trabalha comigo é muito boa, pois ando meio sem tempo para fazer tudo o que eu gostaria, quero ainda gravar para o inicio de 2004 o segundo volume de Maktub (Projeto ópera black metal cujo primeiro volume saiu no inicio de 2002).

HMB - O segundo volume terá a mesma formação do primeiro?
Cássio – Não, teremos mudanças, as novidade são Paulinho Alves, guitarrista do Al Qaeda e Taylor Prado, baixista do Protegidos da Princesa, uma banda de punk nacional que é muito conhecida no exterior.
Bruno - É... e eu vou entrar na bateria, no primeiro álbum do projeto, eu participei da fase de composição, mais na hora de gravar eu tive alguns problemas pessoais e meu irmão gravou no meu lugar.

HMB - Bruno, você não pretende voltar a tocar no Inconfident Warriors?
Bruno - Não posso dizer que sim nem que não, eu deixei muitos amigos lá, mas no momento estou trabalhando apenas com o Tenotitlan e não tenho nenhum interesse em tocar em outra banda, mas no futuro tudo pode acontecer.

HMB - Afinal, por que você saiu do Tenotitlan no final de 2001?
Bruno - Na verdade eu não saí da banda, todo mundo saiu junto, havia muitas divergências internas a respeito da direção musical que deveria ser tomada, quando o Cássio, Ewerton e Willian resolveram voltar ao trabalho, eu já estava no inconfident Warriors e nós tínhamos acabado de lançar nossa primeira demo, não achei que seria legal sair de lá naquele momento.

HMB - Cássio, E o Palpitation Project?
Cássio - Isso não é bem um projeto, na verdade, o Alessandro e eu (Alessandro Davalla, guitarrista da banda italiana "Verdanna" e produtor musical) queremos apenas criar algo dentro do Rock Alternativo e realizar alguns shows, não pretendemos lançar álbuns.

HMB - E você, Willian, tem algum projeto paralelo em andamento?
Willian - Estou trabalhando em meu projeto AirStrike Madness, de Rock progressivo. Só instrumental, sem vocais.

HMB - Como vocês fazem para driblar a alta do dólar e pirataria?
Cássio - Na verdade eu não penso muito nisso, a gente sabe que os fãs de metal, quando realmente curtem uma banda, preferem o CD original, se compram um CD pirata você pode ter certeza que não é uma de suas bandas prediletas. O dólar não influi muito em nossa produção, pois até mesmo na gravadora nos preferimos usar material nacional, e isso torna nossos CD's bastante baratos, o Senselesness Sounds está sendo vendido a 17 reais em todo o país, o EP deve ser ainda mais barato.

HMB - Pessoal, valeu pela entrevista, mais uma vez obrigado por terem vindo ao nosso estúdio, espero velos aqui novamente muito em breve.
Cássio - Obrigado a você e a todos os leitores do site Heavy Metal Brasil, esperamos vocês em nossos shows.