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Por: Ewerton Laraia

Que todos nós headbangers não suportamos a música globalizada e massificada não é novidade alguma. Mas estou aqui escrevendo estas breves linhas tão-somente a fim de externar a minha revolta com o que está acontecendo no universo fonográfico nesse nosso país.

É incrível como a decadência não tem fim; o poço não tem fundo e a vergonha na cara já foi esquecida de maneira irreversível. Somos aurícularmente – e via de conseqüência visualmente – vilipendiados todos os dias, seja pela televisão, pela rádio ou até mesmo osmoticamente parado em um sinal de trânsito, onde sempre encontramos com alguém ouvindo funk (é impressionante como o aparato de sons automotivos é sempre inversamente proporcional à qualidade da música nele tocada – reparem!).

De uns 15 anos para cá, aos poucos foram assassinando nossos domingos. Acabaram-se os programas mais brejeiros e que de certa forma eram passíveis de serem vistos. Ano após ano a qualidade da grade dominical da televisão brasileira foi descendo ladeira abaixo e a música exibida nesse santo dia infelizmente teve a mesma sorte.

A partir dessa derrocada é que a verdadeira música se perdeu. Foi com a decadência que estilos desapercebidos de qualquer atrativo cultural ganharam força máxima: sertanejo, axé, funk e até o pagode paulista “descoberto” pelo Gugu Liberato gozaram (e, infelizmente, gozam) de notória repercussão.

Desde então, as gravadoras viraram leões famintos na busca de novos “talentos”. Tendo em vista tal fato, o buraco-negro da decadência se abriu e nunca mais se fechará, já que qualquer resquício de qualidade que era outrora exigido para se gravar um trabalho foi esquecido. Talento pra quê?

Após destruírem nossos domingos, o restante da semana foi fácil... Os sábados atualmente são insuportáveis. É aquele Gilberto Barros – ele é pífio – ressuscitando os grupos de pagode e de axé, cuja existência nem seria mais lembrada (“saiu de moda”) se não fosse o balofo de bigode; é almoço com os “artistas” que nos enchem o saco, enfim, um verdadeiro atentado à família e ao bom senso (de quem o tem).

Não bastasse o final de semana, agora é a vez daquele cérebro de ervilha chamado Luciana Gimenes, juntamente como rechonchudo Leão, tratando o horário nobre com o maior descaso: é funk pra lá e Taty Quebra-barraco pra cá... Bola de fogo é o fim da picada! Mas é a audiência que conta, e é dela que se alimenta o universo da música.

Nessa breve matéria, não estou defendendo que só o heavy metal é que tem qualidade, de maneira alguma. Estou apenas ao lado do bom gosto e da qualidade, sejam eles aplicados ao nosso estilo preferido ou àquele que mantém um nível satisfatório. Alguém aqui se lembra que a Rede Globo sempre transmitia aos domingos o programa “Concertos Internacionais”? Se eu não soubesse que esse programa existia e se alguém me informasse sobre isso, prontamente diria: “É mentira!”.

Cadê o bom programa musical da TV? Eu me revolto com tudo isso, pois a televisão é um meio de se educar a população e, infelizmente, está prestando um desserviço à sociedade. Exemplos? Pois bem, o estilo funk, após aquele “boom” do começo deste século, estava esquecido nos guetos cariocas, foi só a novela América criar o papel de uma funkeira que este sacrilégio à música retornou das cinzas, e com força total.

Não existe democracia nos meios de comunicação. A mídia faz questão absoluta de só transmitir o que há de mais nefasto e degradante. Se ao menos dessem chances para quem tem talento, mas não, essa fecalização sempre vai perdurar, infelizmente!

Caros amigos, vivemos em um período sem precedentes. Ninguém sabe o que de ruim ainda virá. A TV precisa vender, as rádios e gravadoras também e por força disso investem tudo em audiência, cuja selvageria acabam com o mais nobre e intangível significado da música, que é a cultura de um povo, de uma nação.

 

 

 
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