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TITÃS
– Cabeça Dinossauro
Esse é com certeza um disco que marcou época, foi
no ano de 1986 que os “saudosos” Titãs lançaram
esse clássico do nosso rock n’ roll.
Cabeça Dinossauro é um divisor de águas,
tanto para os Titãs quanto para o rock nacional. Quando
foi lançado, não tinha paralelo no cenário
musical, exceto por Selvagem dos Paralamas, lançado no
mesmo ano e que também se tornaria uma referência
pela qualidade de produção e importância para
a história do rock Brasil.
Cabeça Dinossauro é acima de tudo um ótimo
disco de punk-rock, talvez o mais bem aceito e popular entre todos
do estilo.
Quando foi lançado, o disco começou tímido.
A primeira música de trabalho foi “AA, UU”,
um rock básico com letra repetitiva. Parecia que era apenas
mais um disco dos Titãs, que vinha escorado nos sucessos
“Insensível” e “Televisão”,
do disco anterior, produzido por Lulu Santos e pelos rocks new
wave do disco de estréia “Sonífera Ilha”
, “Go Back”, e “Marvin” (estas últimas
aliás, fariam mais sucesso anos depois como regravações
num disco ao vivo, do que na versão original).
Meses depois, o tímido se revelou. Alguém resolveu
tocar a faixa 4, a excelente “Polícia”, pular
todas as outras do lado A (embora excelentes, como “Porrada”,
“Estado Violência” e “Tô Cansado”)
e ir direto pro lado B. (Anos mais tarde, até mesmo o Sepultura,
banda brasileira de maior respaldo no exterior em todos os tempos,
veio a re-gravar essa musica). Aí não teve mais
jeito, o disco pegou da noite pro dia. Em semanas, já era
um sucesso total, colocando os Titãs definitivamente entre
as grandes bandas nacionais. Todo mundo conhecia e cantava a faixa
que abre o labo B, “Bichos Escrotos”, com forte introdução
acentuada por baixo e bateria e letra censurada por causa dos
palavrões, assim como “Família”, reggae
inocente com letra que faz uma Polaroid do cotidiano familiar,
“Homem Primata”, com letra ácida sobre a sociedade
e o homem moderno. O disco fecha com a eletrônica e inusitada
“O que”, um poema concreto de Arnaldo Antunes que
marcou época pela forma como foi composta e executada.
Nunca uma letra disse tanto com tão pouco: “o que
não é o que não pode ser que não é
o que não pode ser que não é...”.
O conjunto de Cabeça Dinossauro é muito bom. Os
Titãs capricharam nas letras e nos arranjos e executaram
as músicas com simplicidade, garra e perfeição.
A difícil tarefa de segurar o sucesso do disco e manter
a banda no topo coube ao sucessor “Jesus não tem
dentes no país dos banguelas” e os caras não
deixaram por menos. Lá estão: “Lugar Nenhum”,
“Comida”, “Corações e Mentes”,
“Diversão” e “Desordem”. Em seguida,
gravaram ao vivo no Festival de Jazz de Montreux (Go Back). A
próxima grande tacada viria em 89, com o surpreendente
Õ Blésq Blom. Os Titãs mergulharam fundo
no universo eletrônico e fizeram um disco tecnicamente perfeito
e que novamente os levaria à condição de
referência em relação à conceitos e
técnicas de produção. O disco emplacou “Flores”,
“O pulso”, “Miséria”, “Deus
e o Diabo”, “Palavras” e “32 dentes”.
Depois da boa fase, os Titãs se perderam um pouco, lançando
discos ásperos com letras escatológicas, “Tudo
ao mesmo tempo agora” (Arnaldo Antunes deixa a banda logo
após o lançamento) e “Titanomaquia”.
A coisa melhoraria um pouco com “Domingo” que é
um disco que volta às origens e traz bons momentos, como
a faixa título. Titanomaquia e Domingo foram produzidos
pelo mago do Grunge e produtor do Nirvana, Jack Endino. A volta
por cima veio definitivamente com o Acústico MTV, que deu
uma geral na obra da banda, trouxe boas inéditas, revelou
o grupo para as novas gerações e gerou o “Volume
II” e o terrível “As Dez Mais”, com regravações
de clássicos do Rock.
Com
a morte do guitarrista Marcelo Fromer, vítima de um acidente
de trânsito, a banda deu um tempo e alguns componentes intensificaram
suas carreiras solo, voltando a se reunirem como Titãs
para lançarem “A melhor banda de todos os tempos
da última semana”. Depois deste disco, foi a vez
do baixista Nando Reis cair fora, numa polêmica e mal resolvida
saída.
Hoje, com apenas cinco dos oito integrantes originais, os Titãs
parecem um pouco cansados, com a dura missão de carregar
o peso do nome o dos sucessos do passado. A obra como um todo
fala por si. Talvez fosse melhor parar por aqui. Como diz o título
do novo CD, "Como estão vocês? |