SEPULTURA - CHAOS A.D.

Já perdi a conta de quantas pessoas já chegaram pra mim e disseram que o Sepultura acabou no Arise, principalmente quando eu perguntava a elas o que achavam do álbum Chaos A.D. Na minha opinião, são daqueles metaleiros e fãs do tipo radical, que não aceitam mudanças sonoras nas bandas que eles mais gostam. Será que esses caras nunca repararam que a sonoridade da banda mudou muito entre os álbuns Bestial Devastation e Arise? Bestial foi o primeiro álbum, que considero mais como um EP, levando-se em conta que o segundo lado do disco (na época do bolachão) é exclusivamente da banda Overdose, também de BH. Este EP junto com o álbum Morbid Visions (no caso o segundo, mas dessa vez totalmente do Sepultura) formam uma fase meio Death/Black Metal, puxando para o lado mais satânico que já tiveram em toda a sua carreira. Depois disso vem a trinca mais Thrash Metal da história da banda, composta pelos álbuns Schizophrenia, Beneath The Remains e o já citado Arise. Após todos esses álbuns magníficos o Sepultura optou por modificar seu Thrash Metal adicionando novos ritmos. Sim, o álbum Chaos A.D. deu início à saga tribal do Sepultura, algo inovador para a banda e que durou até os dias de Nation. Há quem diga que o Chaos é menos pesado que os outros, mas isso não é verdade. O peso continua “pesado”, o que mudou (tirando a entrada dos ritmos tribais) foi apenas a velocidade de execução das músicas. Sim, elas ficaram mais lentas, mas isso acabou diferenciando-as mais umas das outras, fazendo de Chaos A.D. um álbum inovador na carreira do Sepultura e, na minha opinião, o melhor da banda.

Na época do lançamento de Chaos A.D., o próprio Max Cavalera disse em uma entrevista à MTV que esse álbum era tudo o que o Sepultura estava com vontade de fazer e que era também um tiro no escuro, pois não sabiam se os fãs iriam gostar ou não. Como não era pra menos, o disco foi aclamado mundialmente e seu lançamento ocorreu em um castelo. Você que é fã radical da banda, pare e faça a seguinte pergunta a si mesmo: “Como é que eu pude dizer que o Sepultura acabou no Arise sendo que no álbum seguinte existem músicas como Territory, Refuse/Resist, Slave New World, Polícia, Biotech Is Godzilla, Propaganda, etc.?” É isso aí. Isso é Chaos A.D., um álbum totalmente feito de músicas muito boas e que qualquer fã da banda que se preze no mínimo gosta. As duas primeiras músicas do álbum, justamente Refuse/Resist e Territory, estão entre os maiores clássicos. Apesar de muitos não gostarem, acho Kaiowas uma música instrumental bastante competente, que tem como tema a tribo do mesmo nome da música que cometeu suicídio coletivo em protesto ao governo. Há alguns covers no disco, como Polícia, dos Titãs; The Hunt, do New Model Army; e Biotech Is Godzilla, apesar de não ser exatamente um cover, é uma parceria do Sepultura com Jello Biafra. A versão remasterizada do CD possui quatro faixas-bônus: uma versão remixada e com um pouco de samba (samba?!) de Refuse/Resist, sendo renomeada Chaos B.C., uma versão de Kaiowas em Tribal Jam gravada na Aldeia Pimentel Barbosa – lar dos Índios Xavantes, onde o Sepultura foi visitar para gravar com eles a música Itsári para ser lançada no Roots –, e duas faixas ao vivo, respectivamente Territory e uma dobradinha entre Amen e Inner Self (essa última do grandioso álbum Beneath The Remains).

Chaos A.D. é um álbum de grande importância na discografia do Sepultura e um clássico do Metal brasileiro. Foi o primeiro álbum da banda a possuir ritmos tribais e falar sobre a violência e a globalização do mundo. Este pra mim é o último álbum do Sepultura que realmente é muito bom. Depois disso a banda caiu na desgraça de entrar no estilo meio New Metal demais e de abusar (e muito) dos ritmos tribais. Basta verificar no Roots o quanto o vocal de Max está tão rasgado que acaba parecendo um vocalista do “Metal Moderno” e o quanto a banda usa e abusa do tribal, principalmente em músicas como Ratamahatta (apesar de que eu gosto dela). Fala sério, o vocalista do Korn fez a música Lookaway pra eles! Dos álbuns com Derrick Green apenas Against é razoável, sendo na medida certa, enquanto Nation e Roorback são o cúmulo do New Metal e até mesmo do Hardcore. O Sepultura acabou mesmo antes de Max sair da banda. É estranho como uma banda consegue lançar um álbum tão excelente (Chaos A.D.) pra logo em seguida lançar um tão ruim (Roots) e acabar perdendo seu líder e vocalista original.

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