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DELPHT
- Living In Fantasy
Por:
Maurício Gomes Angelo
Logo nas primeiras faixas de “Living
In Fantasy” ficamos convictos de
que este será um belo trabalho.
Riffs afiados, ótima produção,
estribilhos lapidados e refrães
empolgantes, além da força
evidente do conjunto e a voz polivalente
de Mário Pastore, mestre de vários
vocalistas brasileiros. “BraveHeart”
sem dúvida seria uma escolha acertadíssima
para abrir os shows deles. Preste atenção
na segunda parte desta música,
onde vemos uma guinada e a retomada da
força inicial, com a reconstrução
dos riffs e um novo punch instrumental.
Coisa de quem sabe.
“On
The Cross” tem um clima épico
de juízo final, com vários
sub-climáx e rebuscadas digressões.
“Life Goes On” (que solo!)
denota o caráter conceitual da
obra. O conceito aliás, me é
muito atraente. O “viver na fantasia”,
ter a ficção como pressuposto
da sobrevivência, o estabelecimento
de frágeis valores como sentido
da vida e a magnânima importância
das aparências (tomada no mais amplo
sentido) em nossa existência é
um tema suculento e de grande potencial.
Logo, impossível não parabenizá-los
por tão corajosa e acertada escolha.
Definir
o estilo de uma banda é sempre
uma tarefa ingrata e parcial. Nunca se
pode dar a exata completude daquilo que
compõe a sonoridade de um grupo.
Entretanto, “Motherland” fez-me
estabelecer uma comparação
bem elucidativa: imagine o Angel Dust,
da década de 90 em diante, claro,
mas tire os experimentos “eletrônicos”
deste e adicione generosas pitadas de
prog, hard e melódico. Pronto.
Eis a receita do Delpht.
“L.I.F”
é esplendorosa, e poderia ser escolhida
como música símbolo deste
trabalho. “Battle Field” e
“Save Me” já são
mais comuns. Isso em comparação
com as demais, o que significa que ainda
assim são ótimas. Por fim,
a cadenciada “My Shadow Plan”
(repare no timbre inicial da guitarra)
encerra uma obra que certamente é
um dos melhores lançamentos nacionais
dos últimos anos.
E
é por tudo isso, por tamanha qualidade
e competência musical, por atingir
praticamente a nota máxima em aspectos
como letras, conceito, produção
e arte gráfica (um show de Rodrigo
Cruz) e por chegar ao segundo trabalho
com tal poderio que você tem motivos
de sobras para conferir este álbum
e claro, ir aos shows da banda. Vida longa
a quem merece. |