ROCK
NO CINEMA
Por Cássio Daniel Pagliarini Still Water, The Wonders, The Lone Rangers, Steel Dragon, você certamente já ouviu falar de alguma dessas bandas, mas o que quase ninguém sabe é que nenhuma delas realmente existe, todas elas são bandas criadas especialmente para o cinema. O rock n’ roll, em toda sua longa história, sempre teve momentos de flerte com a sétima arte e vice versa. O cinema já produziu inúmeros filmes sobre o assunto, e esse, é o tema que vamos abordar nessa matéria. Estamos vivendo ultimamente uma fase muito rica para o rock no cinema, somente nos últimos anos muitos novos filmes sobre o assunto chegaram às telonas e até ganharam um certo reconhecimento. Filmes como “Almost Famous” (Quase famosos) e “Rock Star” são alguns bons exemplos disso. Em “Almost Famous” o diretor Cameron Crowe nos apresenta o jovem William Miller , um garoto de quinze anos, fã ávido de rock'n'roll que consegue um trabalho na revista americana Rolling Stone, para acompanhar a banda Still Water em sua primeira excursão pelos Estados Unidos. Porém, quanto mais ele vai se envolvendo com a banda, mais vai perdendo a objetividade de seu trabalho e logo estará fazendo parte do cenário do rock dos anos 70. Em “Rock Star” de Stephen Herek, Cris Cole é vocalista de uma banda chamada “Blood Polution” que faz covers de sua banda favorita, a famosa (?) “Steel Dragon”, Cris acaba brigando com a banda que não levava o tributo tão a sério quanto ele, porém, graças a uma gravação amadora, o guitarrista da famosa banda tem conhecimento de seu trabalho e o convida a assumir os vocais do Steel Dragon que acabara de demitir o atual vocalista. Reza a lenda que o filme na verdade conta a história do vocalista “Ripper Owens”, que tocava em uma banda cover de Judas Priest e acabou sendo chamado pra tocar com seus ídolos, entretanto, sem autorização da banda para uma biografia, mudaram-se alguns nomes e o filme foi lançado. Mas estes são filmes bastante atuais, e como o rock sempre esteve presente no cinema, vamos voltar mais alguns anos. Que pessoa, ouvinte de rádio, pode dizer que nunca ouviu a canção That Thing You Do? A banda “The Wonders” teve sua trajetória descrita na trama “The Wonders - O Sonho não Acabou”. O filme conta a história de um grupo musical que, da noite para o dia, começa a fazer sucesso. Porém, às vésperas de uma apresentação de calouros, um membro do grupo quebra o braço, o que faz com que, em cima da hora, um jovem seja convidado para substituí-lo. A trama, escrita e dirigida por Tom Hanks, é tão bem elaborada que fica difícil acreditar que essa banda nunca existiu. O humor também é um tempero muito aplicado na mistura rock-cinema, muitos filmes abordaram histórias do rock n’ roll de forma divertida e até mesmo, esculachada, Filmes como “Bill e Ted”, “Quanto Mais Idiota Melhor” e “Airheads” levaram muitas pessoas às gargalhadas. Em “Airheds - Os Cabeças de Vento” do diretor Michael Lehmann, os rockeiros Chazz, Rex e Pip formam uma banda chamada “The Lone Rangers” (Os Cavaleiros Solitários). Por muito tempo, eles visitaram gravadoras para mostrarem sua fita demo e sempre acabavam dispensados. Querendo conseguir um pouco de atenção para o seu trabalho, os músicos tomam uma decisão drástica: munidos de armas de brinquedo, eles invadem uma estação de rádio e tomam todos no local como reféns. Tudo isso para fazer com que sua fita fosse tocada. Algumas duplas de “idiotas” se tornaram verdadeiros clássicos do cinema, quem nunca riu com as trapalhadas de Debby & Loid. Pois, no rock n’ roll, não foi diferente. Os famosos Bill e Ted encabeçam a lista. Com essa dupla, foram lançados dois filmes, no primeiro, eles conhecem Ruffs, um viajante do tempo, e tem a chance de viajar no tempo e trazer algumas figuras como Napoleão Bonaparte, o filósofo Sócrates e muitos outros pra ajudarem em um trabalho de escola, e assim, poderem dedicar seu tempo a banda “Os Garanhões Selvagens”, com a qual vencem um concurso de bandas na escola. O segundo filme começa no futuro, San Dimas, Califórnia, ano 2691. Um gênio do mal decide que como parte do seu plano de instituir uma nova ordem precisa destruir Bill (Alex Winter) e Ted (Keanu Reeves), dois roqueiros debilóides do século XX., que acabam sendo mortos e substituídos por dois robôs sósias que foram mandados por este maquiavélico homem. Mas os verdadeiros Bill e Ted conseguem vencer a Morte, conhecem Deus e retornam ao mundo dos vivos, para tentar salvar as namoradas e vencer um concurso de bandas, mas para isto precisam também derrotar os robôs-sósias. Outra famosa dupla de roqueiros do cinema foi “Wayne e Garth” no filme “Quanto Mais Idiota Melhor”. Wayne e seu inseparável amigo Garth são apresentadores de um programa de TV, “O Mundo de Wayne”. Os dois malucos, com a ajuda do espírito do cantor Jim Morrison, planejam um super-concerto de rock na cidade: o Waynestock. Mas, além de lidar com vários problemas em relação ao show, Wayne tem que se preocupar com sua namorada, Cassandra, que pretende se mudar para Los Angeles junto de seu empresário. Outra classe de filmes sobre rock são os biográficos, aqueles que descrevem histórias reais sobre músicos e bandas, nessa classe se enquadram os melhores filmes do rock como, “La Bamda”, filme que descreve a carreira do genial Ritchie Valens, ou “Doors”, filme que conta um pouco da vida de Jim Morrison, vocalista dos The Doors. Embora seja excepcional o filme de Oliver Stone (The Doors), este destaca apenas a parte mórbida e polêmica da vida de Morrison e sua banda. Não foi explorada a carreira poética e intelectual de Morrison, mostrando apenas um superastro violento, alcoólatra e drogado. Ray Manzarek confirmou que muitas das cenas do filme jamais aconteceram, como o jantar com o peru, o fogo no armário e a canção Light My Fire sendo usada em um comercial. Também foram feitos filmes muito bons sobre as vidas e obras de John Lennon, Jerry Lewis, e muitos outros. No Brasil, saiu recentemente um excelente filme sobre o poeta Cazuza. Para um futuro muito próximo se especula algo sobre filmes contando as carreiras de Ozzy Osbourne, Jimi Hendrix e da banda australiana AC/DC. Mais ninguém, ninguém mesmo fez tantos filmes sobre rock que a banda americana Kiss. Sua videografia é muito vasta e inclui desde biografia até filmes sobre fãs. Um clássico imperdível é o filme “Kiss contra o Mau” onde a banda encarna super heróis que defendem sua cidade da invasão daqueles que querem acabar com o rock n’ roll. Outro famoso filme da banda é “Detroit Rock City” um daqueles filmes de uma piada só. A história é sobre quatro adolescentes que, em 1978, fazem de tudo para assistir a um show da banda Kiss. A mãe de um deles, uma velha carola, quer impedir a todo custo que eles entreguem sua alma ao fascinante mundo do sexo, drogas & rock'n'roll (não necessariamente nessa ordem). A trilha sonora, como não poderia deixar de ser está repleta de canções do Kiss e de outras bandas dos anos 70. Quando o filme fica sem assunto, o que acontece com freqüência, o diretor Adam Rifkin sem saber o que fazer sobe a música e vende a trilha sonora, pois com o filme ele possivelmente já soubesse que não ia ganhar nada. Resta ao fã do Kiss reparar nas participações especiais. Por exemplo, o astro pornô Ron Jeremy faz o papel de um dono de uma boate do tipo Clube das Mulheres. Já Shannon Tweed, musa do cine prive da Band, e mulher na vida real do baixista do Kiss, Genne Simmons, faz o papel de uma mulher de idade que adora traçar garotinhos. Apesar do fracasso nas bilheterias Detroit Rock City merecia ao menos ter sido indicado ao Oscar de efeitos especiais. Pois perto do final os membros do Kiss aparecem tocando ao vivo como estivessem em 1978. Haja maquiagem. O rock e o cinema sempre tiveram uma atração muito especial um pelo outro, não dá pra não citar filmes como “Grease – Nos tempos da Brilhantina” ou o mais recente “Rainha dos condenados”, adaptado da obra da escritora Anne Rice, onde o vampiro Lestat sai do caixão para cantar em uma banda de rock. Definitivamente, o rock é uma paixão, o cinema também é, então, nada melhor do que unir as duas artes e fazer a alegria dos rockeiros e apaixonados por cinema de um vez só. E que venham mais filmes sobre o rock, estaremos aguardando.
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