CARTOON - Entrevista Exclusiva
O Baterista da banda de rock progressivo Cartton, Bhydhu, fala sobre a banda e seus projetos para o futuro.

HMB - Primeiramente, gostaria de dizer que é uma honra entrevistar essa que é uma das melhores bandas de rock progressivo do Brasil e do mundo. Aliás, tão boa que um ouvinte desavisado poderia pensar que se trata de algum clássico perdido dos anos 70 e não uma banda formada em 1995 por jovens músicos. Porque a banda decidiu seguir essa vertente setentista em vez de fazer um som mais “atual”?

Bhydhu - Primeiramente obrigado pela suas palavras. Os anos 60 e 70 foram de gloria pro Rock em geral, e todas as bandas que gostamos são dessa época então nada mais justo e sincero que o nosso som tenha a cara dos anos 70.

HMB - E o que vocês pensam sobre esses modismos (ou rótulos) que volta e meia surgem principalmente relacionados ao heavy metal?

Bhydhu - Na verdade conhecemos muito pouco dessas bandas e seus rótulos pra dizer algo, mas com certeza tudo que é feito só pelo modismo não presta.

HMB - O fato do som da banda ser rotulado como rock progressivo incomoda, já que a música de vocês bebe em outras fontes e vai além disso?

Bhydhu - Não. Pois a vertente do Rock que mais apreciamos é o progressivo. Mas nem todos acham que o nosso som é progressivo e isso na verdade é só um rótulo não tem muita importância.

HMB - Conheço algumas bandas de rock progressivo que tem encontrado certa dificuldade em divulgar e distribuir seu trabalho. Será que essa dificuldade se deve ao fato desse estilo exigir ouvidos mais apurados e um gosto musical mais refinado? Como tem sido as coisas para vocês?

Bhydhu - Acho que música é o seguinte : ou você gosta, ou não, vai depender de cada um, gosto não se discute independente de ter ou não ouvido apurado. A dificuldade se deve ao fato de que o mercado está totalmente fechado pra qualquer coisa que não seja facilmente manipulado por ele, que sigam as diretrizes impostas por ele.
Mas nós estamos muito felizes com a repercussão dos shows e cd’s da banda pois temos cada vez mais conseguido alcançar um público que vai desde pré adolescente a pessoas de 60 anos que viveram na época auge do Rock. Tanto que conseguimos no lançamento do CD Bigorna lotar o Grande Teatro do Palácio das Artes (1700 pessoas) com esse público.

HMB - Uma coisa que impressiona tanto no Martelo como no Bigorna é a qualidade da produção, tanto a gravação como a parte gráfica. Como foi o processo de produção, já que ambos foram lançados de forma independente?

Bhydhu - Ambos foram totalmente independentes. O Martelo foi feito ao longo de 2 anos juntando grana e gravando aos poucos as músicas, a parte do encarte conseguimos fazer aquele origame graças a empresa LPJ Publicidades dum amigo nosso que deu uma grande força na parte gráfica, tanto nesse cd como no Bigorna.
Já o Bigorna fizemos através da Lei de Incentivo a Cultura conseguimos através de um captador de recursos a verba com várias empresas, foi gravado e mixado em 2 meses e foi quase todo ao vivo.

HMB - O Martelo tem quase todas as composições feitas em português enquanto o Bigorna é todo em inglês. Qual a razão dessa mudança?

Bhydhu - Na verdade não foi uma mudança, pois tudo o que tínhamos de música antes e depois do Martelo sempre foi em inglês, na verdade o Martelo é que foi a exceção. E uma Ópera Rock com aquela história jamais soaria legal em português . E nós preferimos fazer musica em inglês.

HMB - Para a gravação do seu ultimo trabalho vocês contaram com a participação de vários músicos tocando os mais variados instrumentos. Foi difícil coordenar todos em estúdio e trabalhar essa sonoridade no álbum?

Bhydhu - Com certeza não foi fácil, pois todos os músicos envolvidos tinham outros projetos e coordenar horários de ensaios e gravação foi difícil, e hoje em dia todo mundo está acostumado a gravar tudo separado a fazer várias tomadas etc... e a nossa proposta era fazer a base toda ao vivo com violão, baixo , guitarra , bateria , teclado e Piano por isso chamamos um Pianista e um Violonista, mas mesmo sendo músicos bastante experientes não foi nada fácil. Os outros instrumentos como, Trompete, cello e cravo foram gravados em separado. A gravação foi feita em rolo e mixagem digitalmente.

HMB - Qual foi o motivo para a saída do guitarrista Vlad?

Bhydhu - O Vlad saiu pois estava querendo estudar, fazer mestrado (pois ele já era formado em Violão), e também as idéias já não estavam batendo tanto quanto antes.

HMB - Acho que as letras de vocês são muito bem escritas e criativas. Qual a mensagem que vocês querem passar por meio delas e da sua música como um todo?

Bhydhu - Nossas letras falam daquilo que nós estamos envolvidos e buscando como: Deus , espiritualidade, o ser humano, natureza etc... Na verdade queremos cada vez mais passar emoção, boas vibrações, amor, não só com as letras mas principalmente com a música.

HMB - E o que vocês acham de bandas cuja temática gira em torno de assuntos negativos ou que se limitam a falar sempre sobre um tema só (como Deus ou o Diabo, por exemplo)?

Bhydhu - Acho que cada um fala daquilo que quer e ele é o reflexo daquilo que fala e faz, então a responsabilidade disso é toda dele.

HMB - Tibraw, o “churraxqueiro” atrapalhado que aparece no Bigorna foi inspirado em alguém que vocês conheceram?

Bhydhu - Com certeza, e ele é exatamente aquilo: um cara que se acha o FODAGE.

HMB - Falem um pouco sobre os projetos do Cartoon para futuro. Para quando podemos esperar um novo CD ou, quem sabe, um CD ao vivo?

Bhydhu - O Projeto mais próximo é um show dia 2/07/04 em Belo Horizonte que iremos tocar a Ópera Rock Bigorna na integra com uma Orquestra de Câmara, será a 2a vez que tocaremos o disco inteiro na seqüência. E se tudo correr bem ano que vem lançaremos outro CD.

HMB - Bom, pessoal, o espaço é livre para vocês falarem o que quiser e deixar uma mensagem para o público do HMB!

Bhydhu - Queria agradecer pela entrevista e mandar um grande abraço a todos do HMB e se alguém quiser saber mais sobre o Cartoon é só acessar o nosso site www.bandacartoon.com.br . Paz e Alegria.

HMB - Bhydhu, muito obrigado pela entrevista e muito boa sorte ao Cartoon