
Texto:
Fernando Rufino
Foto: Alexandre Dequec |
Mais
uma vez Belo Horizonte destaca-se como respeitável público
do heavy metal nacional. Para uma casa do porte do Marista Hall,
vale ressaltar a freqüência com que os shows de metal
neste local vêm mantendo um comparecimento bastante satisfatório,
inclusive de cidades vizinhas a BH. Para este show da mais nova
turnê do Angra o número de pessoas foi maior do que
no último show do Helloween, embora ainda fosse possível
comprar ingressos na portaria do evento. O inusitado desta vez
ficou por conta do grande número de garotos e garotas,
que acompanhados de seus pais, comprovaram a popularidade que
o Angra vem alcançando entre a gurizada.
Previsto
para começar às 22:00h, a banda só subiria
ao palco às 23:30h, deixando o público bastante
ansioso. Foi até emocionante o coro impaciente de: “Angra!
Angra! Angra!” a todo momento e especialmente logo que as
luzes se apagaram. As cortinas fechadas guardavam as surpresas
da noite já que o Angra trazia pela primeira vez às
Minas Gerais a estrutura completa que costuma levar para os grandes
shows de suas turnês: telas de fundo que mudam os temas
conforme as músicas, luzes e fogos.
O
show começa com a instrumental “Gate XIII”,
que apesar de longa, funcionou para instalar a atmosfera adequada
para o show, já que tínhamos sido “bombardeados”
por vídeos de avisos com normas de segurança da
casa e propaganda, pronunciadas em vão (já que o
barulho da galera era mais alto) por Cissa Guimarães e
Letícia Sabatella. Então é possível
imaginar o que a intro “Deus Le Volt” provocou no
público presente..
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Esta
é a terceira vez que o Angra vem a Belo Horizonte com a
“nova” formação, mas tocam pela primeira
vez no Marista Hall, assim como o Shaman em seu último
show. E mesmo sendo esta casa mais adequada que o Lapa Multishow
para comportar todo o público da banda, os problemas com
o som ficaram evidentes logo aos primeiros acordes de “Spread
Your Fire”, muito embolado e vocal baixo. Mas a banda entra
com muita disposição.
“Waiting Silence” vem a seguir confirmando ser uma
das melhores composições de “Temple Of Shadows”.
“Acid Rain” e “Nothing To Say” levantam
a galera ainda mais e já é possível perceber
uma melhora no som. A primeira surpresa da noite surge com tambores
no palco para a execução de “Carolina IV”,
clássico do álbum “Holy Land”. Mesmo
tendo o público nas mãos, o vocalista Eduardo Falaschi
não parece estar em seus melhores dias de apresentação,
interagindo pouco com o público e mantendo uma performance
apenas regular nas músicas que não são de
sua era. Aliás, isso ocorre durante todo o show, para a
decepção do fã mais atento. E tendo em vista
o destaque mundial alcançado por este que é hoje
considerado um dos melhores vocalistas de metal da atualidade,
é um fato no mínimo curioso.
Com uma pegada mais progressiva, “Angels And Demons”
evidencia o talento de Aquiles Priester, um verdadeiro “monstro”
por trás das baquetas, compondo um entrosamento preciso
ao lado Felipe Andreoli na cozinha do Angra.
Violões a postos, Rafael Bittencourt e Edu Falaschi tocam
juntos a bela “Wishing Well” que é “emendada”
à “Milenium Sun”, iniciando uma sessão
de clássicos com “Never Understand”, “Heroes
Of Sand” (também com Edu no violão) e a música
mais popular de toda a discografia do Angra: “Rebirth”,
que é cantada somente pelo público, tamanha a vibração
dos mineiros. De volta ao set do novo disco, Rafael Bittencourt
inicia magnificamente “Shadow Hunter” para a entrada
teatral de Edu com um sobretudo preto, devendo apenas o chapéu
deste figurino apresentado em outros shows. Destaque para o afinadíssimo
coral da banda nesta música.
O primeiro grande “mosh” da noite veio com mais um
clássico antigo, “Angels Cry”. “Temple
Of Hate” comprova o impressionante desempenho do Angra ao
vivo, em particular nesta que é a música mais rápida
já gravada pela banda. Em tempo, o vocal de Edu nesta música
ao vivo é muito melhor do que no álbum, onde divide
os vocais com o vocalista do Gamma Ray, Kay Hansen.
Pausa para a já tradicional e sempre pedida pelos fãs
da banda, o hino “Carry On”. Impressionante como esta
música ainda mantém o mesmo fascínio em todas
as turnês da banda. “Nova Era” encerra o set
list certificando a competência destes músicos que
compõem a elite do heavy metal mundial. E para quem achou
que o show havia terminado, surge um inusitado cover “Rainning
Blood”, do Slayer, com Felipe nos vocais, para delírio
dos bangers mais experientes que fizeram mesmo “chover sangue”
neste desfecho. Um showzaço com mais de duas horas de duração.
Cogitando a possibilidade da participação de Milton
Nascimento para um próximo show do Angra, fica a bem humorada
resposta de Kiko Loureiro: “Seria muito bom. Quem sabe?
Por que vocês não pedem para ele?” E seria
mesmo um extraordinário momento já que “Late
Redemption” realça como uma das mais belas composições
de “Temple Of Shadows”.
Agradecimentos: João (Cogumelo Produções)
e Camila Martucheli
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